As fotos do carnaval no Brasil mostram festas bem diferentes entre si: os desfiles das escolas de samba no Rio e em São Paulo, os trios elétricos e blocos afro de Salvador, o frevo e os bonecos gigantes de Olinda e Recife e os blocos de rua que tomam cidades do país todo. Para achar imagens antigas e atuais, procure acervos públicos, arquivos de jornais e bancos de imagens com licença livre.
O que as fotos mostram em cada região
Não existe um carnaval brasileiro só. Cada região tem ritmo, roupa e jeito próprio de ocupar a rua, e isso aparece logo de cara nas fotografias.
Rio de Janeiro: Sapucaí e blocos de rua
As imagens mais conhecidas do carnaval carioca vêm da Marquês de Sapucaí, o Sambódromo projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1984. Nas fotos dos desfiles aparecem os carros alegóricos, a comissão de frente, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, a ala das baianas e a bateria. É uma festa de grande escala, com iluminação forte e fantasias pensadas para serem vistas de longe.
Fora da avenida, o Rio tem centenas de blocos de rua, do Centro à Zona Sul e à Zona Norte. Um dos mais antigos é o Cordão da Bola Preta, fundado em 1918, que leva ao Centro uma multidão vestida de preto e branco, com bolinhas. Nas fotos de bloco, o destaque é outro: fantasias improvisadas, glitter, marchinhas e muita gente espremida entre prédios.

Salvador: trios elétricos e blocos afro
Em Salvador, a folia passa pelos circuitos Barra-Ondina e Campo Grande, onde os trios elétricos avançam devagar no meio da multidão. O trio nasceu em 1950, quando Dodô e Osmar saíram às ruas com um carro antigo equipado com alto-falantes, a Fobica. As fotos feitas do alto dos prédios, com o caminhão cercado de gente por todos os lados, viraram uma imagem clássica do carnaval baiano.
Outra parte forte das imagens são os blocos afro e os afoxés. O Ilê Aiyê, fundado em 1974 no Curuzu, bairro da Liberdade, e o Olodum, criado em 1979 no Pelourinho, levam para a rua tambores, tecidos estampados e temas ligados à história e à cultura negra. Os Filhos de Gandhy, afoxé fundado em 1949 por estivadores, aparecem nas fotos como um mar de branco e azul, com turbantes e colares de contas.
Olinda e Recife: frevo, maracatu e bonecos gigantes
Em Pernambuco, as fotos mostram passistas de frevo com sombrinhas coloridas, orquestras de metais e as ladeiras estreitas de Olinda lotadas de foliões. O frevo foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2012. Os bonecos gigantes são outra marca de Olinda, com destaque para o Homem da Meia-Noite, que desfila desde os anos 1930.
No Recife, o Galo da Madrugada toma o centro da cidade no sábado de carnaval e é conhecido como um dos maiores blocos do mundo. Já os maracatus de baque virado, com rei, rainha, damas do paço e tambores pesados, rendem retratos marcantes pela riqueza das roupas e pela força da percussão.

São Paulo, Minas Gerais e outras cidades
São Paulo tem desfiles de escolas de samba no Sambódromo do Anhembi e um carnaval de rua que cresceu muito nos últimos anos, com blocos espalhados por vários bairros. Em Minas Gerais, Belo Horizonte virou destino de quem gosta de bloco, e cidades históricas como Ouro Preto e Diamantina misturam folia com casarões e ladeiras de pedra, o que dá às fotos um cenário bem diferente do litoral.
Há ainda festas menores com imagens muito próprias, como o Bloco da Lama, em Paraty (RJ), em que os foliões se cobrem com a lama do mangue, e o carnaval de marchinhas de São Luiz do Paraitinga (SP). Para quem gosta de ver o país além da festa, a seleção de fotos de paisagens e cidades do Brasil reúne outros cenários que valem a viagem.
A história do carnaval contada em imagens
As fotos antigas ajudam a entender como a festa mudou. No século XIX, a brincadeira mais comum era o entrudo, de origem portuguesa, em que as pessoas jogavam água, farinha e limões de cheiro (bolinhas de cera com água perfumada) umas nas outras. Aos poucos, ele perdeu espaço para os bailes de máscaras, as grandes sociedades carnavalescas, os cordões e os ranchos.
No começo do século XX, as revistas ilustradas passaram a publicar fotos do carnaval carioca, com o corso (desfile de automóveis enfeitados), os bailes e os foliões fantasiados. As escolas de samba surgiram no fim dos anos 1920, e os primeiros concursos de desfile aconteceram no início da década seguinte, na região da Praça Onze. Comparar essas imagens com as de hoje mostra como a festa ganhou escala, arquibancadas, trios e transmissão pela TV, sem perder a fantasia e a música como centro de tudo.

Onde encontrar fotos do carnaval, antigas e atuais
Buscas genéricas na internet devolvem muita imagem repetida e sem crédito. Estes caminhos trazem fotos com origem conhecida:
- Brasiliana Fotográfica: portal mantido pela Biblioteca Nacional e pelo Instituto Moreira Salles, com fotografias históricas digitalizadas. A busca por “carnaval” traz registros antigos da festa, sobretudo das primeiras décadas do século XX.
- Hemeroteca Digital Brasileira: também da Biblioteca Nacional, reúne jornais e revistas antigos digitalizados. As revistas ilustradas do começo do século XX costumavam dedicar páginas inteiras ao carnaval.
- Arquivo Nacional e arquivos estaduais e municipais: guardam acervos fotográficos de órgãos públicos e da imprensa, muitos com consulta online.
- Acervos de jornais: os grandes jornais mantêm arquivos digitais das edições antigas, em geral com acesso para assinantes.
- Wikimedia Commons: banco de imagens com licenças livres, com fotos atuais e antigas. Cada arquivo informa o autor e as condições de uso.
- Perfis oficiais: ligas das escolas de samba, prefeituras, secretarias de turismo e as próprias agremiações publicam fotos a cada carnaval, quase sempre com o crédito do fotógrafo.
Museus e centros culturais também montam, de tempos em tempos, exposições com fotografias da festa. Acompanhar a programação das instituições da sua cidade no período do carnaval é uma boa forma de ver imagens em tamanho grande, com contexto e legenda.
Como usar fotos de carnaval sem problema
Ver uma foto ou compartilhar o link dela é uma coisa; publicar a imagem em um site, em material de divulgação ou em um produto é outra. Toda fotografia tem autor e é protegida por direito autoral, mesmo quando circula livremente nas redes, a não ser que já esteja em domínio público. Antes de usar, confira três pontos:
- Licença: veja se a foto está em domínio público, tem licença livre (como as Creative Commons) ou depende de autorização. Nas licenças livres, siga as condições, que em geral incluem dar crédito ao autor.
- Crédito: informe o nome do fotógrafo e a origem da imagem do jeito que o acervo pede.
- Pessoas retratadas: em uso comercial, como um anúncio, a imagem de pessoas identificáveis também pede autorização delas.
Na dúvida, peça autorização ao fotógrafo ou ao acervo. Muitos acervos públicos informam, em cada item, se a reprodução é livre e como citar a fonte.
Para fazer as suas próprias fotos da folia
Quem vai para a rua ou para a arquibancada quer voltar com imagens próprias, e isso pede algum preparo: proteger o celular, entender a luz de cada horário e saber o que fotografar em um desfile ou em um bloco. Essas orientações estão no guia como fotografar blocos e desfiles de carnaval. Se a viagem for para o Rio, dá para encaixar entre um bloco e outro um passeio clássico, como o Cristo Redentor e os melhores ângulos para fotografá-lo.

Perguntas frequentes
Quando acontece o carnaval a cada ano?
A data muda porque depende da Páscoa: a terça-feira de carnaval cai 47 dias antes do domingo de Páscoa. A festa vai de sábado a terça, e a Quarta-feira de Cinzas marca o fim. Muitas cidades têm pré-carnaval, com blocos nas semanas anteriores.
Qual a diferença entre escola de samba, bloco e afoxé?
A escola de samba é uma agremiação que desfila com enredo, samba-enredo, alas, carros e bateria, em geral em competição. O bloco é um grupo que sai pela rua com música e fantasia, aberto ao público ou restrito a quem compra a camiseta ou o abadá. O afoxé é um cortejo de matriz afro-brasileira, ligado ao candomblé e ao toque ijexá.
Frevo e maracatu são a mesma coisa?
Não. O frevo é música e dança aceleradas, tocadas por orquestras de metais, com passistas que usam sombrinhas pequenas. O maracatu de baque virado é um cortejo com percussão grave, rei, rainha e corte, ligado às nações de maracatu do Recife e de Olinda.
Para ver o carnaval brasileiro em imagens, olhe além da Sapucaí: cada região tem cenas próprias, e os acervos públicos guardam mais de um século de fotos da festa. Prefira fontes com crédito, respeite a licença de cada imagem e, se for cair na folia, leve o celular preparado para registrar a sua.

