A Ilha de Itaparica é a maior ilha da Baía de Todos-os-Santos e fica bem em frente a Salvador. Dá para chegar de ferry-boat, em cerca de uma hora de travessia, ou de lancha até Mar Grande. Ela vale pelas praias de mar calmo, como Ponta de Areia e Barra Grande, pelo centro histórico da cidade de Itaparica e pelo ritmo tranquilo, bom para um bate-volta ou um fim de semana.

Onde fica e como a ilha se divide
A Ilha de Itaparica está do outro lado da baía, a poucos quilômetros de Salvador, e é dividida entre dois municípios. Itaparica ocupa a ponta norte, onde ficam o centro histórico, a Fonte da Bica e a praia de Ponta de Areia. Vera Cruz fica com o restante do território, que é a maior parte: a vila de Mar Grande, as praias da costa leste e o extremo sul, em Cacha-Pregos.
A rodovia BA-001 atravessa a ilha, do terminal de Bom Despacho até a Ponte do Funil, e liga as vilas entre si. Por isso é fácil combinar praias diferentes no mesmo dia, desde que você tenha transporte.
Como chegar à ilha
Ferry-boat a partir de Salvador
O ferry sai do terminal de São Joaquim, na Cidade Baixa de Salvador, e atraca no terminal de Bom Despacho, no lado da ilha voltado para a capital. A travessia leva em torno de uma hora e transporta pedestres e carros. Em feriados, no verão e no Carnaval a fila para veículos pode durar horas, então confira os horários e a possibilidade de agendar a viagem no site oficial do sistema antes de sair. Quem vai a pé costuma esperar bem menos.
Lancha até Mar Grande
As lanchas saem do Terminal Náutico, ao lado do Mercado Modelo, e chegam a Mar Grande em cerca de 40 a 50 minutos. É a opção mais prática para quem está hospedado no Centro Histórico, no Comércio ou na Barra. Elas funcionam só durante o dia e podem ser suspensas quando o mar está agitado, então não deixe a volta para o último horário. De Mar Grande saem vans e ônibus para as outras praias.
De carro pela Ponte do Funil
No extremo sul, a Ponte do Funil liga a ilha ao continente, na região do Recôncavo. Saindo de Salvador, a volta por terra é bem longa, então esse caminho compensa mais para quem já está no Recôncavo ou no Baixo Sul, ou para quem quer fugir da fila do ferry em dia de muito movimento.
Passeio de escuna
Se a ideia é só conhecer, muita gente faz o passeio de escuna que sai de Salvador, passa pela Ilha dos Frades e para em Itaparica, com tempo para almoço e banho de mar. Não é o jeito de ver a ilha com calma, mas resolve em um dia sem preocupação com transporte.
As praias mais procuradas
Boa parte das praias da ilha fica voltada para a baía, com mar bem mais calmo que o das praias oceânicas de Salvador. Muitas têm faixa de areia estreita, coqueiros e barracas simples. Algumas mudam bastante com a maré: na baixa aparecem bancos de areia e poças rasas; na alta, a areia quase some. Vale consultar a tábua de marés antes de escolher o dia.
Ponta de Areia
Na ponta norte, perto do centro de Itaparica, é a praia mais conhecida da ilha. A água é rasa e tranquila, há muitas barracas e ela é a escolha mais comum de quem vem só por um dia. Nos fins de semana de verão fica cheia.
Mar Grande e Barra Grande
Mar Grande é a vila onde chegam as lanchas, com comércio, pousadas e praia urbana. Barra Grande, também em Vera Cruz, tem mar calmo, casas de veraneio e clima sossegado, o que agrada famílias com crianças pequenas.
Aratuba, Tairu e Berlinque
Seguindo pela estrada para o sul aparecem praias mais vazias fora da alta temporada, com coqueiral e trechos de arrecifes. São boas para caminhar e fugir do movimento, mas têm menos estrutura: leve água, lanche e protetor solar.
Cacha-Pregos
No extremo sul, perto da Ponte do Funil, Cacha-Pregos fica numa região de canais e manguezais, com água calma e saídas de barco pela região. É a praia mais distante do ferry, então compensa mais para quem vai passar a noite na ilha.
Se estiver montando um roteiro maior pelo estado, veja também a seleção das praias mais bonitas da Bahia para comparar com outras regiões do litoral.
O que ver no centro histórico de Itaparica

A cidade de Itaparica, na ponta norte da ilha, tem casario colonial, igrejas antigas e ruas calmas que dá para percorrer a pé em uma manhã. Os pontos que costumam entrar no roteiro são estes:
- Fonte da Bica: uma das atrações mais conhecidas da cidade, cercada de histórias populares sobre a sua água.
- Forte de São Lourenço: fortificação do período colonial à beira da baía, com boa vista do mar.
- Igreja de São Lourenço: pequena igreja do período colonial, uma das construções mais antigas da ilha.
- Orla e praças: casas antigas, coqueiros e o cais, agradáveis para caminhar no fim da tarde.
A ilha também tem lugar na história da Independência da Bahia. Entre 1822 e 1823 houve combates na região contra as tropas portuguesas, e a marisqueira Maria Felipa de Oliveira, de Itaparica, é lembrada como uma das heroínas dessa luta. A cidade é ainda a terra natal do escritor João Ubaldo Ribeiro, que usou a ilha como cenário de parte da sua obra, como o romance Viva o Povo Brasileiro.
Outros passeios e o que comer
- Ruínas de Baiacu: na vila de Baiacu, em Vera Cruz, as ruínas de uma igreja antiga foram tomadas pelas raízes de uma gameleira. É um dos cenários mais fotografados da ilha.
- Passeios de barco: saem de vilas como Mar Grande e Cacha-Pregos para rodar pela baía, pelos manguezais e por ilhas próximas. Combine roteiro e duração antes de embarcar.
- Vista de Salvador: de vários pontos da costa voltada para a capital dá para ver a cidade do outro lado da baía, bonita principalmente ao anoitecer, com as luzes acesas.

Na mesa, o forte é o que vem do mar: peixe frito, moqueca, casquinha de siri e mariscos, além de acarajé e cocada vendidos na rua. Em barracas de praia, pergunte o preço antes de pedir e confira se o peixe é o do dia.
Melhor época para ir
Na Ilha de Itaparica, o período mais seco vai, em geral, de setembro a março. Entre abril e julho chove mais em Salvador e no Recôncavo, e o mar pode ficar agitado, o que às vezes suspende as lanchas. O verão é a alta temporada: praias cheias, hospedagem mais disputada e filas longas no ferry. Se puder escolher, prefira dias de semana ou os meses de setembro a novembro, com tempo firme e menos movimento.
Dicas práticas para a viagem
- Bate-volta ou pernoite: em um dia, fique no norte (centro de Itaparica e Ponta de Areia) ou em Mar Grande. As praias do sul pedem pelo menos uma noite.
- Onde ficar: a hospedagem é principalmente em pousadas e casas de temporada, concentradas em Mar Grande, no centro de Itaparica e nas praias de Vera Cruz.
- Como circular: carro dá mais liberdade. Sem carro, use as vans e os ônibus que ligam Bom Despacho e Mar Grande às outras vilas, ou táxis locais. Aplicativos de transporte podem ter pouca oferta.
- Pagamento e sinal: leve algum dinheiro em espécie para barracas pequenas, e conte com sinal de celular mais fraco nos trechos isolados.
- Volta: confira o horário do último ferry e da última lancha no dia da viagem. Perder a lancha no fim da tarde significa voltar de ferry, com mais espera.
Quem quer combinar Itaparica com outro destino no estado pode olhar também o guia de Porto Seguro, no sul da Bahia, ou este apanhado de praias baianas para diferentes estilos de viagem.
Perguntas frequentes
As praias são boas para crianças?
Muitas sim, principalmente as voltadas para a baía, como Ponta de Areia e Barra Grande, com água rasa e sem ondas fortes. Mesmo assim, fique atento à maré e aos trechos com pedras e arrecifes.
Dá para ir de Itaparica a Morro de São Paulo?
Sim. Um caminho comum é atravessar de ferry até Bom Despacho, seguir de carro ou ônibus pela Ponte do Funil até Valença e de lá pegar o barco para Morro de São Paulo. A outra opção é o catamarã que sai direto de Salvador.
Vale mais a pena ficar em Itaparica ou em Vera Cruz?
Depende do plano. O centro de Itaparica é melhor para quem gosta de história e quer tudo a pé. Vera Cruz reúne a maior parte das praias e das pousadas de frente para o mar.
Para aproveitar a ilha sem estresse, escolha o transporte pelo lugar onde você está em Salvador, evite o ferry nos horários de pico e reserve pelo menos uma noite se quiser ir além de Ponta de Areia e Mar Grande. Com mar calmo e pouca pressa, Itaparica rende bem até em viagens curtas.

