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Domingo, 8 de novembro de 2026

Decoração

Casas mais bonitas do Rio de Janeiro: onde ver e o que inspiram

Um roteiro pelas casas históricas e modernistas do Rio de Janeiro que recebem visitantes e pelas ideias de decoração que dá para levar delas para o seu próprio lar.

Tiago da Silva CândidoPorTiago da Silva Cândido Atualizado em 8 min de leitura
Casa das Canoas
Foto: lalala_/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
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As moradas mais bonitas do Rio que dá para conhecer por dentro são, em boa parte, casas que viraram museu ou centro cultural: a Casa das Canoas, de Oscar Niemeyer, o palacete do Parque Lage, a Chácara do Céu, o Museu do Açude, a Casa de Rui Barbosa e o Sítio Roberto Burle Marx. Juntas, elas mostram o que torna uma casa carioca especial: luz, ventilação e natureza por perto.

Casas históricas e modernistas para visitar na cidade

Todas as casas abaixo recebem visitantes, mas dias de funcionamento, horários e regras de ingresso mudam com frequência. Antes de sair, confira as informações no site oficial de cada instituição.

Casa das Canoas, em São Conrado

Oscar Niemeyer projetou esta casa para a própria família no início dos anos 1950, num terreno cercado de mata na Estrada das Canoas. A laje de concreto desenha curvas livres, as paredes de vidro deixam a floresta entrar na sala e uma grande rocha que já existia no terreno foi incorporada ao projeto, junto da piscina. Hoje a casa é administrada pela Fundação Oscar Niemeyer.

A lição para quem decora: não é preciso brigar com o que o espaço oferece. Uma árvore na janela, uma parede de pedra ou um desnível podem virar o ponto alto do ambiente em vez de algo a esconder.

Palacete do Parque Lage, no Jardim Botânico

Aos pés do Corcovado, o palacete foi construído nos anos 1920, com projeto do arquiteto italiano Mario Vodret, para o empresário Henrique Lage e a cantora lírica Gabriella Besanzoni. O ponto mais fotografado é o pátio interno com piscina, rodeado de colunas, onde costuma funcionar um café. O casarão abriga a Escola de Artes Visuais, e o parque em volta, com lagos, grutas e trilhas, é aberto ao público.

O pátio mostra como um espaço vazio no centro da casa traz luz e ar para todos os cômodos. Em um apartamento, a ideia equivalente é deixar livre o caminho entre a janela e o interior, sem móveis altos bloqueando a claridade.

Chácara do Céu e Museu do Açude

As duas foram casas do colecionador Raymundo Ottoni de Castro Maya e hoje formam os Museus Castro Maya. A Chácara do Céu, em Santa Teresa, é uma construção modernista dos anos 1950 com janelas amplas voltadas para a baía e o centro da cidade, e guarda um acervo com obras de artistas brasileiros e europeus. Ao lado fica o Parque das Ruínas, com mirante. O Museu do Açude, no Alto da Boa Vista, fica em meio à Floresta da Tijuca e é conhecido pelos azulejos portugueses aplicados nas paredes e no jardim.

Essas casas ensinam duas coisas: a janela pode funcionar como moldura da paisagem, e objetos colecionados ao longo da vida dão mais personalidade do que qualquer peça comprada só para enfeitar.

Casa de Rui Barbosa, em Botafogo

O casarão do século XIX na Rua São Clemente foi a residência do jurista Rui Barbosa e se tornou museu alguns anos depois da morte dele. Os cômodos conservam móveis, objetos e a grande biblioteca da família. O jardim, com árvores altas e bancos, é um respiro verde no meio do bairro. A casa é um bom exemplo da moradia urbana da época, com pé-direito alto e janelas grandes pensadas para ventilar.

Sítio Roberto Burle Marx, em Barra de Guaratiba

Foi a casa do paisagista Roberto Burle Marx até o fim da vida dele, em 1994. O sítio reúne milhares de espécies de plantas, jardins, ateliê e a casa com as coleções do artista, e desde 2021 é Patrimônio Mundial da Unesco. As visitas costumam ser guiadas e com agendamento prévio. Para quem gosta de plantas, é uma aula de como combinar espécies tropicais, pedras e água.

Palácio do Catete e os prédios do Parque Guinle

O Palácio do Catete foi construído no século XIX como residência do Barão de Nova Friburgo, virou sede da Presidência da República e hoje é o Museu da República, com salões decorados e jardins abertos ao público. Já no Parque Guinle, em Laranjeiras, os edifícios residenciais projetados por Lúcio Costa entre o fim dos anos 1940 e os anos 1950 mostram que um prédio de apartamentos também pode ser uma morada bonita, com fachadas de cobogós e brises. Os prédios são particulares, então a visita é só pelo lado de fora, a partir do parque.

O que essas casas têm em comum

Apesar de estilos e épocas diferentes, as casas mais admiradas do Rio respondem ao mesmo clima quente e úmido. Os pontos que se repetem são:

  • Ventilação cruzada: janelas em lados opostos e pé-direito alto deixam o ar circular e aliviam o calor.
  • Sombra antes do ar-condicionado: varandas, beirais, venezianas e elementos vazados protegem do sol direto sem fechar a casa.
  • Natureza como parte da casa: jardim, pátio ou mata não ficam do lado de fora, eles aparecem de dentro, pelas janelas.
  • Materiais que envelhecem bem: madeira, pedra, azulejo e cerâmica suportam a maresia e a umidade melhor do que acabamentos muito delicados.
  • Acervo pessoal: livros, obras de arte e objetos de viagem contam quem mora ali.

Como levar o estilo das casas cariocas para a sua

Não é preciso ter uma mansão para aproveitar essas ideias. A maioria delas funciona em casa pequena e em apartamento alugado, com poucas mudanças.

Varanda com plantas

Varanda com muitas plantas em vasos e trepadeiras, em estilo tropical
Vasos de alturas diferentes e trepadeiras criam um jardim mesmo em varanda pequena.

Agrupe vasos de tamanhos diferentes em vez de espalhar um por canto, use trepadeiras ou prateleiras para ganhar altura e escolha as espécies pela luz que a varanda recebe: samambaias e costelas-de-adão preferem luz indireta, enquanto suculentas, lavanda e buganvília pedem sol. Uma poltrona ou um banco confortável transforma o canto em lugar de uso, não só de enfeite.

Luz natural e cores claras

Sala de estar clara com janelas amplas e cortinas leves
Paredes claras e cortinas leves ajudam a espalhar a luz que entra pela janela.

Troque cortinas pesadas por tecidos leves, como linho ou voil, que filtram o sol sem escurecer a sala. Paredes em branco, areia ou cinza muito claro refletem melhor a luz. Um espelho grande numa parede lateral à janela multiplica a claridade, e manter o parapeito livre de objetos faz diferença maior do que parece.

Arte, artesanato e materiais naturais

Peças de cerâmica e artesanato brasileiro sobre móvel de madeira
Cerâmica, madeira e fibras naturais aproximam a decoração do estilo carioca.

Cerâmica, cestos de palha, madeira e tecidos de algodão ou linho combinam com o calor e dão textura sem pesar. Para achar peças com história, vale garimpar em feiras de artesanato, como a Feira Hippie de Ipanema, na Praça General Osório, e em ateliês de artistas locais. Um quadro ou uma peça comprada numa viagem diz mais sobre você do que um objeto de loja de decoração repetido em muitas casas.

Cor e estampa tropical com moderação

Folhagens, flores e cores fortes como verde, amarelo e azul funcionam melhor em pontos escolhidos: almofadas, uma poltrona, um papel de parede no lavabo. Se tudo for estampado, o ambiente cansa. Uma base neutra com dois ou três destaques coloridos lembra mais as casas cariocas do que uma sala inteira temática.

Dicas para montar o roteiro e fotografar

Agrupar as visitas por região economiza tempo. Santa Teresa reúne a Chácara do Céu e o Parque das Ruínas; o Jardim Botânico fica perto do Parque Lage; o Parque Guinle e o Palácio do Catete ficam na Zona Sul, a poucos quilômetros um do outro; o Sítio Burle Marx, mais distante, merece um dia só para ele.

As regras para fotografar dentro de museus variam, e o flash costuma ser proibido perto de obras de arte. Nos jardins e fachadas, a luz do começo da manhã e do fim da tarde valoriza texturas e sombras. Se você gosta de registrar lugares, estas dicas sobre erros comuns ao fotografar paisagens ajudam a voltar com fotos melhores. E, para completar o passeio pela cidade, vale ver esta seleção de fotos de praias do Rio de Janeiro.

Perguntas frequentes

Dá para visitar a casa de Oscar Niemeyer no Rio?

Sim. A Casa das Canoas, em São Conrado, recebe visitantes em dias e horários definidos pela Fundação Oscar Niemeyer. Consulte a fundação antes, porque a abertura pode mudar.

Quais bairros do Rio têm casas antigas bonitas para ver na rua?

Santa Teresa é conhecida pelos casarões nas ladeiras, a Urca tem casas e prédios de estilos variados em ruas tranquilas, e o Cosme Velho guarda o Largo do Boticário, um pequeno conjunto de casas em estilo neocolonial. Botafogo e Laranjeiras também mantêm vários casarões preservados.

As casas bonitas do Rio servem de inspiração para apartamento?

Servem. Ventilação, cortinas leves, plantas, materiais naturais e arte pessoal funcionam em qualquer metragem. O que muda é a escala: em vez de um jardim, uma varanda ou um canto com vasos perto da janela.

Conhecer essas casas é um jeito de entender por que o Rio inspira tanta gente que decora. Escolha uma ou duas para visitar, observe como elas lidam com luz, sombra e natureza e leve uma ideia de cada vez para a sua casa. Para ver outras paisagens do país, confira também estas fotos de lugares do Brasil.

Foto de capa: lalala_/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

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