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Domingo, 8 de novembro de 2026

Destinos no Brasil

Revista de viagem e turismo: como transformar a leitura em roteiro

Como usar uma revista de viagem para escolher o destino e montar o roteiro, o que conferir antes de reservar e exemplos práticos com cinco destinos brasileiros fora do óbvio.

Tiago da Silva CândidoPorTiago da Silva Cândido Atualizado em 7 min de leitura
Paisagem deslumbrante ao pôr do sol, perfeita para aventuras e viagens inesquecíveis.
Pronta para explorar o mundo? A aventura te espera!
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Uma revista de viagem e turismo serve para escolher o destino e entender como o lugar funciona; o roteiro você fecha depois, conferindo tudo em fontes oficiais. O caminho é simples: leia a reportagem, separe o que combina com seu estilo e orçamento, confirme acesso, horários e taxas, e só então reserve. No Brasil, a revista Viagem e Turismo, da Editora Abril, é a referência mais conhecida do gênero.

O que uma revista de viagem faz bem (e o que ela não faz)

O ponto forte das revistas de turismo é a curadoria. Um repórter visita o lugar, escolhe o que vale a pena e organiza a informação: o que ver, onde ficar, o que comer, como circular. Para quem ainda está decidindo entre destinos, isso poupa horas de pesquisa solta na internet e ajuda a entender o clima do lugar antes de gastar qualquer dinheiro.

As limitações também são claras. A reportagem retrata o destino numa época do ano específica, com os preços e horários daquele momento. O espaço é limitado, então muita coisa fica de fora. E parte das viagens de imprensa é feita a convite de secretarias de turismo, hotéis ou companhias aéreas, o que costuma ser informado no fim do texto. Isso não invalida o conteúdo, mas pede leitura atenta.

Onde encontrar boas reportagens de viagem

A principal referência nacional é a Viagem e Turismo. No texto sobre a revista Viagem e Turismo, da Editora Abril, o foco é a publicação em si. Para comparar com outras publicações, nacionais e estrangeiras, há uma seleção de revistas de viagem para ler e se inspirar. Guias de viagem, sites de secretarias de turismo e relatos recentes de viajantes completam a pesquisa.

Como ler uma reportagem de viagem com olhar crítico

  • Data de publicação: quanto mais antiga, maior a chance de preço, horário e regra de acesso terem mudado.
  • Época da visita: fotos de lagoas cheias, cachoeiras volumosas ou campos floridos dependem da estação. Veja em que mês a reportagem foi feita e se ele coincide com o da sua viagem.
  • Distâncias reais: dois pontos que parecem vizinhos no texto podem estar a horas de estrada de terra. Confira sempre no mapa.
  • Quem pagou a viagem: a nota de que o jornalista viajou a convite de alguém indica parceria. Compare com avaliações recentes de outros viajantes.
  • Publicidade identificada: textos marcados como publieditorial, patrocinado ou parceria têm objetivo comercial, mesmo quando trazem informação útil.

Da reportagem ao roteiro, passo a passo

  1. Defina época e número de dias. Isso filtra o que cabe na viagem e já elimina destinos em temporada de chuva ou lotados demais para o seu gosto.
  2. Liste o que a reportagem sugere e marque só o que interessa de verdade. Em destinos de natureza, com estrada e trilha, duas ou três atividades costumam ocupar o dia inteiro.
  3. Resolva a logística. Como chegar, se precisa de carro 4×4, barco ou guia, e quanto tempo leva cada deslocamento.
  4. Confira regras e taxas nos sites oficiais de parques, prefeituras e secretarias de turismo: limite de visitantes, guia obrigatório, cobrança de ingresso ou de taxa ambiental.
  5. Monte o orçamento com valores atuais de transporte, hospedagem, passeios e alimentação, e deixe uma margem para imprevistos.
  6. Reserve na ordem certa: primeiro o que tem vaga limitada (voos em feriado, pousadas pequenas, passeios com cota), depois o resto.
  7. Tenha um plano B para dias de chuva, estradas fechadas ou passeios cancelados.

Nos destinos com deslocamentos longos, vale também ler sobre os erros mais comuns ao montar o mapa da viagem, que ajudam a não subestimar distâncias e tempo de estrada.

Cinco destinos brasileiros fora do óbvio e o que conferir em cada um

Revistas de viagem costumam apresentar lugares como estes com fotos de encher os olhos. Abaixo, o que nem sempre aparece na reportagem e que faz diferença no planejamento.

Jericoacoara, no Ceará

Mulher aproveitando a paisagem de Jericoacoara, no litoral do Ceará
Jericoacoara é cercada por um parque nacional, tem ruas de areia e acesso final em veículo 4×4.

A vila é cercada pelo Parque Nacional de Jericoacoara e não tem circulação livre de carros. O último trecho é feito em veículo 4×4 autorizado; dá para chegar por estrada a partir de Fortaleza ou em voos para o aeroporto regional que atende a região. A prefeitura de Jijoca de Jericoacoara cobra uma taxa de turismo dos visitantes, com valor atualizado no site oficial. A Lagoa do Paraíso e a Lagoa Azul ficam em Jijoca, fora da vila, e costumam entrar nos passeios de buggy. As chuvas se concentram no primeiro semestre; no segundo, o tempo é mais seco e o vento forte atrai quem pratica kitesurf.

Ilha do Mel, no Paraná

Paisagem de natureza preservada na Ilha do Mel, no litoral do Paraná
Na Ilha do Mel não há carros: os deslocamentos são a pé, por trilhas e pela areia.

A chegada é de barco, a partir de Pontal do Sul, em Pontal do Paraná, ou de Paranaguá. As duas vilas principais são Nova Brasília e Encantadas, e os passeios mais conhecidos são o Farol das Conchas, a Gruta das Encantadas e a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, do século 18. A ilha tem limite de visitantes e as regras de acesso podem mudar, então confira as condições antes de ir, principalmente em feriados e no verão. Prefira mochila ou mala leve, já que o trajeto até a pousada é feito a pé.

Jalapão, no Tocantins

Mulher observando a paisagem aberta do Jalapão, no Tocantins
No Jalapão, as distâncias entre os atrativos são longas e as estradas, de areia.

O Jalapão reúne dunas, cachoeiras e os fervedouros, nascentes em que a pressão da água impede a pessoa de afundar. As estradas são de areia e cascalho, com longas distâncias entre as cidades-base, como Mateiros, São Félix do Tocantins e Ponte Alta do Tocantins. Por isso, a maioria dos viajantes vai com agência a partir de Palmas ou aluga um 4×4 e dirige com experiência em terreno arenoso. Os fervedouros têm visitação controlada, com tempo e número de pessoas limitados. A estação seca, de maio a setembro, é a mais procurada. Na comunidade quilombola da Mumbuca, dá para conhecer o artesanato de capim-dourado.

Cunha, em São Paulo

Lavanda e peças de cerâmica em Cunha, no interior de São Paulo
Cunha é conhecida pela cerâmica de alta temperatura e pelos campos de lavanda.

Na serra entre o Vale do Paraíba e Paraty, Cunha é conhecida pela cerâmica de alta temperatura, queimada em fornos do tipo noborigama, e pelos campos de lavanda que viraram atração. Os ateliês ficam espalhados pela cidade e pela zona rural, e muitos recebem visitantes; alguns pedem agendamento, então vale confirmar antes. A Pedra da Macela é o mirante mais famoso, com vista para a serra e, em dias limpos, para a baía de Paraty. A estrada que desce até Paraty permite combinar serra e litoral na mesma viagem. No inverno as noites são frias, então leve agasalho.

Chapada das Mesas, no Maranhão

No sul do Maranhão, entre Carolina, Riachão e Estreito, a Chapada das Mesas tem cachoeiras, cânions e morros de topo achatado, que dão nome à região. Carolina é a base mais usada. O Portal da Chapada, uma formação de arenito, fica perto da cidade; já a Cachoeira de Santa Bárbara, em Riachão, pede um dia inteiro por causa da distância. O Complexo da Pedra Caída está entre os passeios mais procurados. Várias atrações ficam em propriedades particulares e cobram entrada. A estação seca, de maio a setembro, facilita estradas e trilhas.

Se a ideia é buscar mais lugares pouco batidos pelo país, veja também lugares bonitos e menos conhecidos no Brasil.

Perguntas frequentes

Revista de viagem ainda vale a pena com tanta informação na internet?

Vale como curadoria. Uma boa reportagem chega filtrada e com contexto, o que ajuda a decidir para onde ir. A informação prática, porém, precisa ser conferida em fontes oficiais perto da data da viagem.

Posso usar edições antigas para planejar?

Para inspiração, sim. Para preços, horários, regras de acesso e contatos, não: confirme tudo de novo, porque esses dados mudam de uma temporada para outra.

Como saber se um texto é publicidade?

Procure indicações como publieditorial, conteúdo patrocinado, em parceria com, ou a nota de viagem a convite. Na dúvida, compare com avaliações independentes de quem foi por conta própria.

Use a revista para sonhar e escolher, e as fontes oficiais para decidir. Com a reportagem como ponto de partida e as checagens certas, a viagem das fotos fica bem mais perto da viagem real.

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