Moda
Por Tiago da Silva Cândido · 3 de abril de 2026
O impacto cultural da minissaia de Mary Quant foi além da moda.
O que mudava a cada estação era decidido por poucas casas de alta-costura e depois copiado, com atraso, pelas confecções.
Na Bazaar, loja que abriu em 1955 na King's Road, em Londres, ela desenhava para as garotas, e não para as mães delas.
Em 1963, Quant lançou o Ginger Group, uma linha mais barata, produzida em escala industrial e distribuída em muitas lojas.
O efeito mais concreto foi no corpo. Saia curta e vestido de corte reto não pedem cinta nem cintura apertada.
Em 1965, a modelo Jean Shrimpton causou escândalo ao ir a uma corrida de cavalos em Melbourne, na Austrália, com um vestido acima do joelho e sem chapéu, luvas ou meias.
No Malaui, saias acima do joelho chegaram a ser proibidas por lei durante o governo de Hastings Banda, e a restrição só caiu em 1994.
A minissaia costuma ser lembrada como símbolo de libertação feminina.
Se o interesse é a sequência dos fatos, da abertura da Bazaar à micro-minissaia do fim da década, veja a história da minissaia nos anos 60, etapa por etapa.
Uma peça tão simples segue gerando comentário porque carrega a mesma pergunta dos anos 60: quem decide o que a mulher pode vestir.
Ela morreu em abril de 2023, aos 93 anos. O London Museum reúne parte dessa trajetória em Como Mary Quant revolucionou a moda dos anos 60.