Anabela é o salto inteiriço, em forma de cunha, que vai do calcanhar até a parte da frente do pé, sem vão por baixo do arco. Como o peso se distribui por uma área maior do que num salto fino, a sandália anabela é mais estável e costuma cansar menos. Funciona com vestidos, saias, jeans e macacões, do passeio de fim de semana ao casamento de dia ao ar livre.
O que é o salto anabela (e o que ele não é)
No salto anabela, a sola sobe de forma contínua: é alta atrás e vai afinando até a frente, formando uma cunha. Em inglês, o nome é wedge heel, e em português também se fala em salto em cunha. Ele aparece em sandálias, sapatos fechados, tamancos, botas e até tênis.
É comum confundir a anabela com outros saltos grossos. A diferença está no formato:
| Tipo | Como é | Sensação ao usar |
|---|---|---|
| Anabela | Salto inteiriço do calcanhar à frente, sem vão sob o arco | Muito estável; o pé fica apoiado em toda a extensão |
| Plataforma | Sola grossa também na parte da frente (meia pata), com salto separado ou inteiriço | Diminui a inclinação do pé em relação à altura total |
| Salto bloco | Salto separado, largo e quadrado, com vão sob o arco | Mais firme que o fino, mas com o arco sem apoio |
| Salto fino | Salto estreito, concentrado no calcanhar | Mais elegante para a noite e menos estável |
Uma anabela pode ter meia pata, e aí vira uma anabela plataforma. Se a dúvida é entre os dois saltos grossos mais usados, o guia de sandália de salto bloco mostra quando esse outro modelo funciona melhor.
De onde veio a anabela
O salto em cunha moderno costuma ser atribuído ao designer italiano Salvatore Ferragamo, que lançou modelos com sola de cortiça na segunda metade da década de 1930. A peça fez sucesso por ser leve e estável e voltou com força outras vezes, como nos anos 1970, junto com as plataformas. No verão, a versão mais lembrada é a espadrille, com o salto revestido de corda de juta, um tipo de calçado tradicional da região dos Pireneus, entre a Espanha e a França.
Os modelos mais comuns
Espadrille ou de corda
Salto revestido de juta, corda ou ráfia, geralmente com cabedal de lona ou tiras de tecido. É a anabela mais casual e combina com o verão, a praia e looks leves. Pede cuidado com água, que mancha e deforma a corda.
De cortiça ou madeira
A cortiça é leve e tem aparência natural; a madeira é mais pesada e firme, comum em tamancos. As duas vão bem com peças de linho, algodão e jeans.
Lisa, de couro ou sintético
Tem o salto forrado no mesmo material das tiras, em preto, nude, caramelo ou metalizado. É a versão mais arrumada, que vai para o trabalho e para eventos durante o dia.
Anabela plataforma
Tem meia pata na frente, o que permite um salto alto com o pé menos inclinado. O visual é mais marcante e pede roupas com um pouco de volume para equilibrar.
Fechada, bota e tênis
Sapatos fechados, ankle boots e tênis com salto anabela aparente ou escondido levam a mesma estabilidade para os dias frios. O tênis com cunha interna, que virou moda no começo dos anos 2010, é um exemplo dessa versão.
Como usar anabela em cada ocasião
No dia a dia
Espadrille ou anabela de cortiça ficam bem com short jeans e camiseta, vestido de malha ou saia midi de algodão. Salto baixo ou médio deixa o calçado bom para andar por horas, fazer compras ou passear. Bolsa de palha ou tote de lona conversa com a proposta.
No trabalho
Prefira anabela lisa, em couro ou sintético de cor neutra, com calça de alfaiataria de barra reta, pantacourt, saia lápis ou midi e camisa. Em ambientes mais formais, modelos fechados ou peep toe ficam mais adequados do que sandálias de tiras finas.
Casamento e eventos de dia
Em cerimônias no campo, no jardim ou perto da praia, a anabela é uma escolha prática: o salto afunda bem menos na grama e na terra do que um salto fino. Vestidos longos e fluidos combinam com modelos de tiras delicadas, em nude, dourado ou no tom do vestido. Para festas à noite e eventos muito formais, a espadrille costuma ficar despojada demais; uma anabela lisa, de acabamento mais fino, ou um salto fino resolvem melhor.
Viagem
Uma anabela de altura média e cor neutra resolve vários looks numa mala pequena e vai do passeio de dia ao jantar. Na areia, porém, rasteirinha ou chinelo seguem mais práticos, e a corda da espadrille não gosta de água salgada.
Com quais peças combina
- Vestidos midi e longos: a combinação mais clássica. A anabela dá altura sem pesar no andar.
- Calça pantalona e flare: a barra deve cobrir parte do calçado e ficar perto do chão, o que alonga a perna.
- Jeans reto ou cropped: deixa o tornozelo e a sandália à mostra, bom para looks casuais.
- Shorts e saias curtas: funcionam melhor com anabela de salto baixo ou médio e cabedal delicado, para o pé não parecer pesado em relação à perna.
- Macacões: longos ou pantacourt, em linho ou jeans. As ideias de looks com macacão jeans também funcionam com o salto em cunha.
Dicas de proporção
O salto anabela tem mais volume visual que um salto fino, então vale pensar no equilíbrio do look:
- Tons próximos da cor da pele, como o nude, alongam a perna porque não criam um corte de cor no tornozelo.
- Tiras grossas no tornozelo marcam uma linha horizontal e podem encurtar a perna visualmente; para alongar, o cabedal aberto no peito do pé funciona melhor.
- Pernas finas com anabela muito alta e robusta podem desequilibrar o conjunto; modelos mais delicados, com o salto afinando na frente, ficam mais harmônicos.
- Com calça comprida, a anabela alta deixa a silhueta contínua quando a barra cobre o salto.
Como escolher uma anabela confortável
- Observe a inclinação, não só a altura: um salto alto com meia pata pode ser mais confortável que outro mais baixo sem ela.
- Se vai andar muito, prefira modelos com tira no tornozelo ou no calcanhar, que mantêm o pé firme e evitam que o calçado escape.
- Confira a sola: borracha com ranhuras dá mais segurança em piso liso ou molhado.
- Segure o calçado antes de comprar. Anabelas de madeira ou material maciço podem ser pesadas e cansar no fim do dia.
- Experimente no fim da tarde, quando os pés estão naturalmente mais inchados, e caminhe um pouco na loja.
- Para quem não está acostumada com salto, um modelo médio, na faixa de 5 a 7 centímetros, é um bom começo.
Cuidados para durar mais
- Espadrille: evite chuva e poças. Se molhar, tire o excesso com um pano e deixe secar à sombra, com papel dentro para manter o formato. A sujeira sai melhor com escova macia e seca.
- Couro: limpe com pano levemente úmido e hidrate de tempos em tempos com produto próprio para couro.
- Camurça e nobuck: use escova específica e protetor impermeabilizante.
- Guarde na caixa ou em saquinho de tecido, sem empilhar, para não amassar as tiras nem arranhar o salto.
- Troque a sola de borracha no sapateiro quando ela começar a gastar, antes que o desgaste chegue ao salto.
Perguntas frequentes
Anabela é mais confortável que salto fino?
Na maioria dos casos, sim, porque o apoio é maior e o pé fica mais estável. Ainda assim, um salto muito alto sem meia pata sobrecarrega a frente do pé, então o conforto depende também da altura e do ajuste.
Posso dirigir de anabela?
Não é o ideal. A sola grossa e rígida diminui a sensibilidade nos pedais. Deixe um calçado baixo e firme no carro para trocar na hora de dirigir.
A anabela ainda está na moda?
É um clássico que volta com frequência, principalmente no verão, na versão espadrille. Modelos lisos e em cores neutras dificilmente parecem datados.
Se for ter uma única anabela, escolha uma lisa em nude ou caramelo, de altura média e com tira no tornozelo: ela acompanha jeans, vestidos e macacões e vai do passeio ao trabalho. Se gostar do salto, uma espadrille para o verão é um bom segundo par.
Foto de capa: glitter heels/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

