Blumenau fica no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, e é conhecida pela herança da colonização alemã. Para quem visita, os destaques são a arquitetura enxaimel, a Rua XV de Novembro, o Parque Vila Germânica, a Oktoberfest de outubro, a comida típica com marreco e chucrute e as cervejarias da região. Dois ou três dias bastam para conhecer a cidade com calma.
Um pouco de história
A colônia foi fundada em 1850 pelo farmacêutico alemão Hermann Blumenau, com um pequeno grupo de imigrantes, às margens do rio Itajaí-Açu. Nas décadas seguintes chegaram muitas outras famílias, e a herança aparece até hoje nos sobrenomes, na culinária, nas festas e nas construções. Hoje Blumenau é uma cidade média, com cerca de 360 mil habitantes, forte na indústria têxtil e no setor de tecnologia.
O rio faz parte da história por outro motivo: a cidade já passou por enchentes graves, como as de 1983 e 1984, e a Oktoberfest nasceu justamente em 1984, como forma de ajudar a economia local a se recuperar.
O que fazer em Blumenau
Rua XV de Novembro e o centro

A principal rua do centro reúne lojas, cafés, confeitarias e prédios antigos. O mais fotografado é o Castelinho, construção em estilo enxaimel que virou cartão-postal da cidade. Caminhe sem pressa e entre nas confeitarias: cuca e strudel aparecem em quase todas. Ainda no centro, o pequeno Museu da Cerveja conta a história da produção cervejeira local.
Arquitetura enxaimel

O enxaimel é a técnica de construção trazida pelos imigrantes: uma estrutura de vigas de madeira aparente, com os vãos preenchidos por tijolos ou barro. Além do centro, boas casas desse tipo aparecem em bairros mais afastados e, principalmente, na Vila Itoupava, distrito rural ao norte da cidade, onde ainda se ouve o dialeto alemão entre os moradores mais velhos.
Alameda Duque de Caxias e o Museu da Família Colonial

Conhecida como Rua das Palmeiras, a Alameda Duque de Caxias é uma das vias mais antigas e bonitas da cidade. Nela fica o Museu da Família Colonial, instalado em uma casa de imigrantes, com móveis, utensílios e fotografias do período da colonização. É um passeio curto, bom para entender como viviam as primeiras famílias do vale.
Parque Vila Germânica

O parque é onde acontece a Oktoberfest, mas funciona o ano todo, com lojas de artesanato e lembranças, restaurantes e chope da região. Recebe outras festas e feiras ao longo do ano, então confira a agenda antes de ir, porque o movimento muda muito de um mês para outro.
Catedral São Paulo Apóstolo

A catedral católica, no centro, chama atenção pela arquitetura imponente e pelos vitrais. Vale uma visita rápida, de preferência fora do horário das missas. No centro há também uma igreja luterana histórica, sinal de que boa parte dos imigrantes que chegaram ao vale era protestante.
Natureza e trilhas

Blumenau é cercada por morros cobertos de Mata Atlântica. O Parque Nacional da Serra do Itajaí, que abrange áreas do município e de cidades vizinhas, e o Parque Ecológico Spitzkopf, no sul da cidade, têm trilhas, rios e cachoeiras. Algumas trilhas são íngremes e ficam escorregadias depois da chuva: leve água, use calçado com boa aderência e confira as regras de visitação de cada parque.
Para quem gosta de pedalar, o Circuito Vale Europeu é uma rota de cicloturismo que percorre cidades vizinhas de colonização europeia, como Timbó e Pomerode.
Oktoberfest e outras festas

A Oktoberfest de Blumenau é a maior festa de tradição alemã do Brasil e acontece em outubro, no Parque Vila Germânica. Tem desfiles pelas ruas do centro, bandas típicas, concursos, comida alemã e muito chope. Nos fins de semana o parque fica lotado; quem prefere mais espaço costuma ir em dias de semana.
Se a ideia é ir à festa, reserve hospedagem com bastante antecedência: a cidade enche, e muita gente acaba ficando em municípios vizinhos. Fora de outubro, o Festival Brasileiro da Cerveja e a programação de fim de ano também atraem visitantes.
O que comer

- Marreco recheado: o prato mais tradicional da cidade, normalmente servido com repolho roxo.
- Eisbein: joelho de porco cozido ou assado, geralmente com chucrute e batatas.
- Salsichas e Kassler: embutidos e carne de porco defumada, comuns nos restaurantes típicos e nas festas.
- Chucrute: repolho fermentado que acompanha boa parte dos pratos.
- Cuca e strudel: doces de confeitaria; a cuca, com farofa doce por cima, aparece em quase todo café colonial da região.
- Cerveja: o Vale do Itajaí tem muitas cervejarias artesanais, e várias recebem visitantes com degustação.
O café colonial, com pães, cucas, geleias, frios e bolos servidos à vontade, é outra experiência típica. Costuma ser uma refeição farta, então funciona melhor no fim da tarde, no lugar do jantar.
Passeios nos arredores
- Pomerode, a cerca de 30 km: cidade menor, de colonização pomerana e alemã, com a Rota do Enxaimel, casas rurais preservadas e um zoológico conhecido.
- Vila Itoupava: o distrito rural de Blumenau, com casas enxaimel, igrejas antigas e restaurantes de comida típica.
- Litoral: Balneário Camboriú, Itajaí, Penha (onde fica o Beto Carrero World) e Bombinhas ficam a cerca de uma hora ou pouco mais de carro, dependendo do trânsito.
Se você quer combinar serra e mar, monte o roteiro com um mapa das praias de Santa Catarina em mãos e veja os erros mais comuns em viagens ao litoral catarinense antes de fechar as reservas.
Quando ir
Outubro é o mês mais movimentado por causa da Oktoberfest. Para passear com calma, abril, maio e setembro costumam ter temperaturas agradáveis e menos gente. O verão é quente e úmido, com pancadas de chuva à tarde, e o inverno tem dias frios. Em qualquer época, acompanhe a previsão do tempo: o Vale do Itajaí tem histórico de chuvas intensas.
Como chegar e se locomover
O aeroporto mais próximo é o de Navegantes, a cerca de 60 km. O de Joinville fica a aproximadamente 100 km, e o de Florianópolis, a cerca de 150 km. De lá, dá para seguir de carro alugado, transfer ou ônibus. A rodoviária de Blumenau recebe linhas de várias cidades do Sul e do Sudeste.
O centro dá para percorrer a pé. Para a Vila Itoupava, os parques e as cidades vizinhas, carro é o mais prático, porque o transporte público entre esses pontos é limitado.
Onde ficar
O centro, perto da Rua XV, é a base mais prática para quem vai sem carro: dá para chegar a pé a lojas, restaurantes e museus. Na época da Oktoberfest, os hotéis próximos ao Parque Vila Germânica esgotam rápido, e ficar em Pomerode, Gaspar ou Indaial é uma alternativa comum.
Blumenau rende uma viagem curta e cheia de sabor, com ou sem Oktoberfest. Junte a cidade com Pomerode e um trecho do litoral e você tem um roteiro completo pelo Vale do Itajaí.






