Entre os filmes inspiradores sobre mulheres que valem a sessão estão Estrelas Além do Tempo, Ainda Estou Aqui, Erin Brockovich, Nyad, Harriet e A Cor Púrpura. A maioria conta histórias reais de mulheres que abriram caminho na ciência, na justiça, no esporte e na luta por direitos. Abaixo, cada filme tem um resumo curto para você escolher pelo tema e pelo clima que procura.
Histórias reais na ciência, no trabalho e na justiça
Estrelas Além do Tempo (2016)
Dirigido por Theodore Melfi, conta a história de Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson, matemáticas negras que trabalharam na NASA durante a corrida espacial, em plena segregação racial nos Estados Unidos. Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe vivem as três. É um filme leve de assistir, com humor, e funciona bem para ver com adolescentes.
Joy (2024)
Drama britânico sobre os dez anos de pesquisa que levaram ao nascimento de Louise Brown, em 1978, o primeiro bebê gerado por fertilização in vitro. O centro da história é Jean Purdy, enfermeira e embriologista vivida por Thomasin McKenzie, cujo papel na descoberta ficou pouco conhecido por muito tempo. Não confunda com Joy: O Nome do Sucesso, de 2015, com Jennifer Lawrence, sobre uma inventora e empresária.
Erin Brockovich: Uma Mulher de Talento (2000)
Julia Roberts ganhou o Oscar de melhor atriz como a mãe solo de três filhos que, sem formação em direito, arruma emprego num escritório de advocacia e descobre a contaminação da água de uma cidade da Califórnia por uma empresa de energia. É um dos melhores filmes para quem gosta de histórias de persistência no trabalho.
Suprema (2018)
Felicity Jones interpreta Ruth Bader Ginsburg no começo da carreira, quando ela usou um caso sobre dedução de impostos para contestar leis que tratavam homens e mulheres de forma diferente. Ginsburg depois chegou à Suprema Corte dos Estados Unidos. Quem gostar pode emendar com o documentário RBG, do mesmo ano.
Escritores da Liberdade (2007)
Hilary Swank vive Erin Gruwell, professora iniciante que assume uma turma considerada problemática numa escola de Long Beach, na Califórnia, e usa diários escritos pelos alunos para mudar a relação deles com a escola. É uma escolha certeira para quem trabalha com educação.
Coragem e luta por direitos
Harriet (2019)
Dirigido por Kasi Lemmons, com Cynthia Erivo no papel principal, retrata Harriet Tubman, que fugiu da escravidão no estado de Maryland e voltou para lá várias vezes para guiar outras pessoas até a liberdade. Tem cenas de violência e tensão constante, então vale conferir a classificação antes de assistir com os mais novos.
Batalhão 6888 (2024)
Filme de Tyler Perry sobre o único batalhão formado só por mulheres negras enviado ao exterior pelo exército americano na Segunda Guerra Mundial. A missão delas era organizar uma montanha de cartas que não chegava aos soldados. Kerry Washington vive a comandante, Charity Adams.
As Sufragistas (2015)
Com Carey Mulligan e participação de Meryl Streep como Emmeline Pankhurst, acompanha uma operária de lavanderia que se envolve com o movimento pelo voto feminino em Londres, no começo do século 20. Ajuda a entender quanto custou um direito que hoje parece óbvio.
Esporte e superação
Nyad (2023)
Annette Bening vive a nadadora Diana Nyad, que aos 64 anos completou a travessia a nado entre Cuba e a Flórida, depois de várias tentativas frustradas ao longo da vida. Jodie Foster interpreta Bonnie Stoll, treinadora e grande amiga da nadadora. O filme mostra bem que persistência também depende de ter gente ao lado.
Rainha de Katwe (2016)
Dirigido por Mira Nair, conta a história de Phiona Mutesi, menina de uma comunidade pobre de Kampala, em Uganda, que descobre o xadrez e passa a competir em torneios internacionais. Lupita Nyong’o faz o papel da mãe. É uma boa opção para assistir em família.
Filmes brasileiros com protagonistas fortes
Ainda Estou Aqui (2024)
O filme de Walter Salles, baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva, acompanha Eunice Paiva depois que o marido, o ex-deputado Rubens Paiva, é levado por agentes da ditadura militar, em 1971, e desaparece. Eunice cria os cinco filhos, forma-se em direito e passa a atuar na defesa dos direitos indígenas. Fernanda Torres vive Eunice, e o filme ganhou o Oscar de melhor filme internacional.
Nise: O Coração da Loucura (2015)
Glória Pires interpreta a psiquiatra alagoana Nise da Silveira, que nos anos 1940, num hospital do Rio de Janeiro, recusou o eletrochoque e outros tratamentos agressivos e apostou na pintura e na convivência com animais como forma de cuidado. É uma história de alguém que sustentou uma ideia contra quase todos os colegas.
Que Horas Ela Volta? (2015)
Dirigido por Anna Muylaert, traz Regina Casé como Val, empregada doméstica pernambucana que mora há anos na casa dos patrões em São Paulo. Quando a filha dela chega para prestar vestibular e não aceita as regras não ditas da casa, tudo muda. É ficção, mas fala de muitas mulheres reais.
A Vida Invisível (2019)
De Karim Aïnouz, adapta o romance de Martha Batalha sobre duas irmãs no Rio de Janeiro dos anos 1950, separadas pelo pai, que passam a vida tentando se reencontrar. É um drama pesado e bonito sobre os sonhos que tantas mulheres daquela época tiveram que deixar de lado.
Elis (2016)
Andréia Horta interpreta Elis Regina, da chegada ao Rio de Janeiro, ainda jovem, até a morte precoce, em 1982. Para quem gosta de música brasileira, é uma cinebiografia sobre talento, personalidade forte e as pressões de ser uma mulher famosa nos anos 1960 e 1970.
Câncer com Ascendente em Virgem
Drama nacional inspirado em uma história real, sobre uma mulher que recebe o diagnóstico de câncer e encara o tratamento com humor e ao lado da família. Emociona sem ser pesado demais e costuma tocar quem já acompanhou alguém nessa situação.
Ficção e cinebiografias que marcaram
A Cor Púrpura (1985 e 2023)
Baseado no romance de Alice Walker, acompanha Celie, uma mulher negra do sul dos Estados Unidos que sofre abusos desde a adolescência e encontra força na amizade com outras mulheres. A versão de 1985, de Steven Spielberg, tem Whoopi Goldberg; a de 2023 é um musical com Fantasia Barrino. Vale ver as duas e comparar.
Adoráveis Mulheres (2019)
A adaptação de Greta Gerwig para o livro de Louisa May Alcott acompanha as quatro irmãs March e, em especial, Jo (Saoirse Ronan), que quer viver da escrita numa época em que isso era quase impossível para uma mulher. É o mais leve da lista e ótimo para assistir com filhas adolescentes.
Frida (2002)
Salma Hayek vive a pintora mexicana Frida Kahlo, que transformou em arte a dor de um grave acidente na juventude e uma vida pessoal intensa. A direção de Julie Taymor tem cores fortes e cenas que lembram os quadros da artista.
Como escolher o filme certo para hoje
- Para se motivar no trabalho ou nos estudos: Estrelas Além do Tempo, Erin Brockovich, Suprema e Joy.
- Para assistir com adolescentes: Estrelas Além do Tempo, Rainha de Katwe e Adoráveis Mulheres. Confira sempre a classificação indicativa.
- Para se emocionar: Ainda Estou Aqui, A Vida Invisível, A Cor Púrpura e Nise.
- Para uma sessão em grupo, com conversa depois: Que Horas Ela Volta? e As Sufragistas rendem bons debates.
Os catálogos das plataformas de streaming mudam o tempo todo, então o jeito mais seguro de saber onde assistir é buscar o título direto no aplicativo que você assina ou em sites que mostram em qual serviço cada filme está disponível para assinatura ou aluguel.
Se a ideia é juntar as amigas para uma sessão, as sugestões de mimos para encontros de mulheres ajudam a transformar o filme num programa completo.
Para continuar depois dos filmes
Quem prefere acompanhar uma história por mais tempo encontra boas opções na lista de séries com protagonistas femininas fortes. Uma delas é a minissérie A Vida e a História de Madam C.J. Walker (2020), com Octavia Spencer, sobre a empresária que construiu uma marca de produtos para cabelo no começo do século 20. E, para conhecer trajetórias de mulheres fora das telas, veja também os nomes de mulheres que inspiram na moda.
Escolha pelo tema que conversa com o seu momento e, se possível, assista acompanhada: filmes assim rendem conversas tão boas quanto a própria história. Muitos deles também levam a livros e documentários que aprofundam a vida dessas mulheres.

