A Ilha do Marajó fica no Pará, na foz do rio Amazonas, em frente a Belém, e é considerada a maior ilha fluviomarinha do mundo. No mapa da Ilha do Marajó, o que interessa a quem viaja está no lado leste: Soure e Salvaterra, as cidades com praias e mais estrutura, às quais se chega de barco a partir de Belém em algumas horas.
Onde fica a Ilha do Marajó
A ilha ocupa a região onde o rio Amazonas encontra o oceano Atlântico. Ao norte, ela é banhada pelo Atlântico e pela foz do Amazonas; a oeste, pelos canais do Amazonas; ao sul e ao leste, pelo rio Pará e pela baía do Marajó, que a separam da região de Belém. Com cerca de 40 mil quilômetros quadrados, é maior que muitos países pequenos, e junto com as ilhas menores ao redor forma o arquipélago do Marajó.
Na prática, isso significa que quase tudo na região depende de rio. Não há ponte ligando a ilha ao continente, as estradas são poucas e muitas comunidades só são alcançadas de barco. Para quem vai a turismo, o roteiro costuma se concentrar em uma faixa pequena da costa leste.
Como a ilha se divide: campos e floresta
Olhando o mapa de forma simplificada, o Marajó tem duas paisagens principais:
- Leste, a região dos campos: áreas planas de vegetação baixa, lagos e fazendas de criação de búfalos. Na época das chuvas, boa parte desses campos fica alagada. É onde estão Soure, Salvaterra e Cachoeira do Arari, as cidades mais procuradas por visitantes.
- Oeste, a região das matas: floresta densa, cortada por rios, furos e igarapés. É a parte mais isolada, onde a vida das cidades gira em torno da navegação. Breves é a cidade de referência desse lado.
No centro dos campos fica o lago Arari, um dos pontos que aparecem com destaque em qualquer mapa físico da ilha.
Principais cidades e o que há em cada uma
| Cidade | Onde fica | Por que ir |
|---|---|---|
| Soure | Costa leste, na margem do rio Paracauari | Praias como Pesqueiro, Barra Velha e Araruna, fazendas de búfalos que recebem visitantes, artesanato em cerâmica marajoara |
| Salvaterra | Costa leste, do outro lado do rio Paracauari | Praia Grande, a vila de Joanes, com as ruínas de uma igreja do período colonial, pousadas mais tranquilas |
| Cachoeira do Arari | Interior leste, às margens do rio Arari | Museu do Marajó, com peças arqueológicas e da cultura local |
| Ponta de Pedras | Costa sudeste, voltada para a baía do Marajó | Cidade ribeirinha menos turística, com ligação de barco com Belém |
| Breves | Sudoeste, na região das matas | Uma das maiores cidades do arquipélago, na rota dos barcos que ligam Belém a Macapá e Manaus |
Soure e Salvaterra ficam praticamente coladas, separadas apenas pelo rio Paracauari. A maior parte dos viajantes escolhe uma das duas para se hospedar e visita a outra em passeios de um dia.
Como chegar à Ilha do Marajó
O caminho mais usado sai de Belém. Há duas formas principais de fazer a travessia:
- Barco ou lancha a partir do terminal hidroviário de Belém: leva passageiros até o porto de Camará, em Salvaterra. As lanchas rápidas fazem o trajeto em menos tempo que os barcos comuns, mas os dois levam algumas horas, conforme a embarcação e a maré.
- Balsa a partir de Icoaraci: Icoaraci é um distrito de Belém, e a balsa que sai de lá também chega a Camará. É a opção para quem quer levar o carro para a ilha.
Do porto de Camará, vans, ônibus e táxis levam até Salvaterra e Soure. Para chegar a Soure, é preciso atravessar o rio Paracauari, em balsa ou em pequenas embarcações que fazem o trajeto ao longo do dia. Horários e frequência mudam conforme a época, então confirme com as empresas de navegação antes de viajar, especialmente em feriados e em julho, quando a procura aumenta.
Como se deslocar dentro da ilha
Em Soure e Salvaterra, as distâncias entre o centro e as praias são curtas. Mototáxi, bicicleta alugada e táxi resolvem boa parte dos passeios, e algumas pousadas organizam o transporte até praias e fazendas. Os trechos mais longos, como a ida a Cachoeira do Arari, costumam ser feitos com transporte combinado ou em passeios contratados.
Ir de uma ponta a outra da ilha por terra não é viável: as cidades do lado oeste, como Breves, são alcançadas por rio, em viagens longas. Por isso, em uma primeira visita, vale concentrar o roteiro no leste e deixar o resto do arquipélago para outra ocasião.
Melhor época para visitar
O clima é quente o ano todo, com duas estações bem marcadas. O período mais chuvoso vai, em geral, do fim do ano até meados do ano seguinte, quando os campos alagam e algumas estradas de terra ficam difíceis. O segundo semestre é mais seco e costuma ser a melhor época para praia. Julho é mês de férias e de muita procura pelos próprios paraenses, então reserve hospedagem e travessia com antecedência.
A maré também entra no planejamento. A água das praias mistura rio e mar, e a faixa de areia muda bastante ao longo do dia. Consulte a tábua de marés e pergunte na pousada qual é o melhor horário para cada praia.
Onde encontrar um bom mapa da ilha
Para a parte turística, o Google Maps mostra bem Soure, Salvaterra, as praias e o porto de Camará. Baixe a área para uso offline antes da travessia, porque o sinal de celular é fraco fora das cidades. Apps baseados no OpenStreetMap, como o Organic Maps, também funcionam sem internet e ajudam em caminhadas.
Se você quer uma visão da ilha inteira, com rios e limites dos municípios, os mapas oficiais publicados pelo IBGE são uma boa referência. Nas pousadas e nos pontos de informação turística de Soure e Salvaterra, costuma haver mapas simples com praias e fazendas marcadas. Para juntar tudo em um roteiro organizado por dia, veja como montar o seu próprio mapa de viagem.
Dicas práticas para o roteiro
- Reserve pelo menos três ou quatro dias só para a região de Soure e Salvaterra, contando o tempo de travessia na ida e na volta.
- Leve repelente, protetor solar e roupas leves de manga longa para passeios em mangue e fazendas.
- Tenha algum dinheiro em espécie, porque nem todo pequeno comércio e nem todo barqueiro aceita cartão.
- Prove a culinária local, como o queijo do Marajó, feito com leite de búfala, e o filé marajoara.
- Nas visitas a fazendas e comunidades, siga as orientações dos guias e não se aproxime dos búfalos sem acompanhamento.
Se você gosta de roteiros de natureza organizados por mapa, o guia do Pantanal mato-grossense segue a mesma lógica para outro destino de rios e fazendas.
Perguntas frequentes
Qual é a melhor cidade para se hospedar no Marajó?
Soure concentra mais praias, restaurantes e passeios. Salvaterra fica mais perto do porto de Camará e costuma ser mais tranquila. As duas funcionam bem como base, já que a travessia entre elas é curta.
Dá para ir e voltar de Belém no mesmo dia?
Até é possível, mas não compensa. Com a travessia e o deslocamento até as praias, sobra pouco tempo para conhecer a ilha. O ideal é passar algumas noites.
Preciso de carro na ilha?
Não é obrigatório. Em Soure e Salvaterra, mototáxi, bicicleta, táxi e passeios contratados atendem a maior parte dos roteiros. O carro ajuda mais para quem quer autonomia para visitar fazendas e praias afastadas.
Com o mapa na mão, a regra é simples: base no leste, travessia reservada e roteiro ajustado à maré e à estação. Assim sobra tempo para as praias, os búfalos e a comida marajoara sem correria.
Foto de capa: Just a Brazilian man from Brazil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

