O turismo na Coreia do Sul costuma começar por Seul, com palácios, mercados de rua, bairros de cafés e cultura pop, e seguir para Busan, no litoral, Gyeongju, antiga capital cheia de sítios históricos, e a ilha vulcânica de Jeju. Primavera e outono são as melhores épocas. Brasileiros não precisam de visto para turismo de até 90 dias, mas devem checar a autorização eletrônica K-ETA.
As regiões que valem a viagem
Com 10 a 14 dias, dá para conhecer Seul com calma e somar duas ou três outras regiões. O país é compacto e bem servido de trens rápidos, o que facilita sair da capital.
Seul
A capital concentra a maior parte dos atrativos. Os palácios da dinastia Joseon, como Gyeongbokgung e Changdeokgung (este último Patrimônio Mundial da Unesco), ficam perto de Bukchon, bairro de casas tradicionais que continuam sendo moradias; parte dele tem horário restrito para visitantes, e a visita pede silêncio. Insadong reúne lojas de artesanato e casas de chá, Myeongdong é o bairro das lojas de cosméticos, Hongdae tem a vida noturna universitária e a N Seoul Tower, no monte Namsan, oferece a vista mais conhecida da cidade.
Quem visita os palácios vestindo hanbok, a roupa tradicional coreana, não paga a entrada, e há várias lojas de aluguel nos arredores de Gyeongbokgung. Agências de Seul também organizam passeios de um dia à Zona Desmilitarizada (DMZ), na fronteira com a Coreia do Norte. Leve o passaporte, porque ele é conferido no caminho.
Busan
A segunda maior cidade do país fica a cerca de duas horas e meia de Seul pelo trem rápido KTX. Tem praias urbanas como Haeundae e Gwangalli, o mercado de peixes de Jagalchi, a vila colorida de Gamcheon, construída em uma encosta, e o templo Haedong Yonggungsa, à beira-mar. No verão as praias lotam; na primavera e no outono o passeio é mais agradável.
Gyeongju
Antiga capital do reino de Silla, Gyeongju tem túmulos em forma de colinas no meio da cidade, o templo Bulguksa e a gruta de Seokguram, ambos Patrimônio Mundial da Unesco. Um ou dois dias bastam, e a cidade se encaixa bem no caminho entre Seul e Busan.
Jeju
A ilha vulcânica no sul do país é o destino de férias dos próprios coreanos. Tem o monte Hallasan, ponto mais alto da Coreia do Sul, a cratera de Seongsan Ilchulbong, praias, tubos de lava e as haenyeo, mulheres que mergulham sem cilindro de ar para coletar frutos do mar. O jeito mais simples de chegar é de avião, com voos curtos saindo de Seul e de Busan. Na ilha, alugar carro ajuda bastante; a carteira brasileira sozinha não basta, então tire a Permissão Internacional para Dirigir antes da viagem e confirme as exigências com a locadora.
Jeonju e Andong
Para quem busca a Coreia tradicional, Jeonju tem uma grande vila de hanoks e é famosa pelo bibimbap. Andong fica perto da Vila Folclórica de Hahoe, também Patrimônio Mundial da Unesco, onde famílias ainda vivem em casas antigas.
Experiências que mostram o país além dos cartões-postais
Mercados de rua

Os mercados tradicionais são o melhor lugar para provar a comida do dia a dia. O Mercado Gwangjang, em Seul, é conhecido pelas barracas de bindaetteok (panqueca de feijão-mungo) e de kimbap; o Mercado de Jagalchi, em Busan, pelos frutos do mar; e em Jeju há mercados noturnos com petiscos da ilha. Prefira as barracas com mais movimento de moradores e tenha algum dinheiro em espécie.
Trilhas nas montanhas

A Coreia do Sul é um país montanhoso, e fazer trilha é um programa popular entre os moradores. O Parque Nacional Bukhansan, na borda norte de Seul, tem caminhos de vários níveis e dá para chegar de metrô e ônibus. Seoraksan, no nordeste, é famoso pelas cores do outono, e o Hallasan, em Jeju, rende uma subida longa, de um dia inteiro; as trilhas que chegam ao cume pedem reserva on-line antecipada. Leve água e calçado de trilha, e saiba que nos fins de semana as trilhas mais conhecidas ficam cheias.
Hospedagem em hanok ou em templo

Hanoks são casas tradicionais de madeira, com pátio interno e piso aquecido (ondol). Várias foram adaptadas como pousadas em Bukchon, Jeonju e Gyeongju, e em muitas se dorme em colchão sobre o chão. Outra opção é o Templestay, programa em que templos budistas recebem visitantes por uma ou duas noites, com refeições vegetarianas, meditação e acompanhamento da rotina dos monges.
Cafés e bairros criativos

Seul tem uma cultura de cafés muito forte, com casas temáticas, cafés de sobremesas elaboradas e espaços em antigos galpões. Seongsu-dong, com fábricas convertidas em lojas e cafés, e Ikseon-dong, com hanoks transformados em cafés e restaurantes, são bons bairros para passar uma tarde sem roteiro fixo. Também vale experimentar um noraebang, o karaokê em salas privativas.
Quando ir
- Primavera (março a maio): temperaturas agradáveis e floração das cerejeiras, que costuma acontecer entre o fim de março e o começo de abril, variando conforme a cidade e o ano.
- Verão (junho a agosto): quente e úmido, com a temporada de chuvas, chamada jangma, concentrada entre o fim de junho e julho.
- Outono (setembro a novembro): céu limpo e folhagem colorida, principalmente em outubro e novembro. É a época preferida de muitos viajantes.
- Inverno (dezembro a fevereiro): frio intenso, com dias abaixo de zero em Seul e estações de esqui funcionando. Bom para quem gosta de frio e quer menos filas.
Se puder, evite os feriados de Seollal (Ano-Novo Lunar) e Chuseok (festival da colheita, no outono): muitos coreanos viajam, o transporte lota e parte do comércio fecha.
Entrada no país, dinheiro e comunicação
Brasileiros podem entrar na Coreia do Sul sem visto para turismo de até 90 dias, com passaporte válido. Para usar essa dispensa de visto, o país pede a K-ETA, uma autorização eletrônica solicitada on-line antes do embarque. As regras e eventuais isenções temporárias mudam, então confira no site oficial da K-ETA ou no da Embaixada da Coreia no Brasil antes de comprar a passagem.
Não há voo direto do Brasil. As rotas fazem conexão na Europa, no Oriente Médio, nos Estados Unidos ou em outros países da Ásia, e a viagem costuma levar mais de 24 horas somando as escalas. Conexão nos Estados Unidos exige visto americano mesmo em trânsito. Com tanta escala, muita gente aproveita para incluir outra parada na Ásia, como Macau e sua mistura de influências chinesas e portuguesas.

A moeda é o won sul-coreano (KRW). Cartões de crédito são aceitos quase em todo lugar, inclusive em lojas de conveniência e táxis, mas barracas de mercado e restaurantes pequenos podem preferir dinheiro. Gorjeta não faz parte do costume local. Para metrô e ônibus, compre um cartão recarregável T-money nas lojas de conveniência ou nas estações; ele também funciona em várias cidades fora de Seul.

Em Seul, as placas do metrô e dos pontos turísticos têm inglês, mas fora das áreas turísticas o inglês é limitado. Algumas palavras ajudam: annyeonghaseyo (olá), gamsahamnida (obrigado) e juseyo (usado ao pedir algo, como um “por favor”). Para se localizar, os aplicativos Naver Map e KakaoMap funcionam melhor que o Google Maps, que tem navegação limitada no país, e o tradutor Papago lida bem com o coreano. Um chip local ou eSIM resolve a internet. A voltagem é 220 V e as tomadas têm dois pinos redondos.
Como se locomover
Os metrôs de Seul e de Busan são limpos, pontuais e fáceis de usar, com avisos em inglês. Entre cidades, o trem rápido KTX liga Seul a Busan, Gyeongju e outras cidades; estrangeiros podem comprar o Korea Rail Pass, que só compensa se houver muitos trechos. Ônibus expressos cobrem quase o país inteiro e costumam custar menos que o trem. Para Jeju, o avião é o caminho mais prático.
O que comer
- Kimchi: acelga ou outros vegetais fermentados com pimenta, servido como acompanhamento em quase toda refeição.
- Bibimbap: arroz com legumes, carne e ovo, misturado com pasta de pimenta.
- Churrasco coreano: samgyeopsal (barriga de porco) ou bulgogi (carne bovina marinada) preparados na mesa e comidos com folhas de alface.
- Tteokbokki: bolinhos de arroz em molho picante, clássico de rua.
- Hotteok: panqueca doce recheada, comum no inverno.
- Naengmyeon: macarrão em caldo gelado, pedido no verão.
Os banchan, pequenos acompanhamentos que chegam junto com o prato, costumam ser repostos sem custo. Quem tem restrição alimentar deve ficar atento: caldos e molhos muitas vezes levam frutos do mar ou carne, mesmo em pratos que parecem vegetarianos.
Um roteiro possível de 12 dias
- Dias 1 a 5, Seul: palácios, Bukchon, mercados, um bairro de cafés, uma trilha em Bukhansan e, se quiser, a DMZ.
- Dias 6 e 7, Gyeongju: templos e túmulos de Silla, com chegada de KTX.
- Dias 8 e 9, Busan: praias, Gamcheon e o mercado de Jagalchi.
- Dias 10 a 12, Jeju: voo curto saindo de Busan, com carro alugado na ilha, e depois volta a Seul para o voo internacional.
Para a primeira viagem, esse desenho cobre cidade, história, litoral e natureza sem correria. Resolva a K-ETA e o seguro viagem com antecedência, reserve hanoks e Templestay cedo nas épocas de cerejeira e de outono e deixe um dia livre em Seul para os bairros que mais agradarem. Se a ideia for emendar um país do Sudeste Asiático, o guia para a primeira viagem ao Vietnã ajuda a planejar a segunda parte.

