Para uma primeira viagem, o turismo no Vietnã costuma seguir o país de norte a sul: Hanói e a Baía de Ha Long, Hoi An e Hue no centro, Ho Chi Minh e o Delta do Mekong no sul. De 12 a 15 dias permitem fazer esse trajeto sem pressa. Brasileiros precisam de visto eletrônico, e a melhor época muda conforme a região, com março e abril bons para quase todo o país.
Visto, voo e fuso
Brasileiros precisam de visto para entrar no Vietnã. O caminho mais simples é o visto eletrônico (e-visa), pedido pelo portal oficial do Departamento de Imigração vietnamita, com validade de até 90 dias. Use o site do governo: existem páginas intermediárias parecidas que cobram taxas extras. O passaporte precisa ter pelo menos seis meses de validade. Como as regras mudam de tempos em tempos, confirme tudo com a Embaixada do Vietnã no Brasil antes de comprar a passagem.
Não há voo direto do Brasil. As rotas mais comuns têm conexão na Europa, no Oriente Médio ou em outra cidade asiática e chegam a Hanói ou a Ho Chi Minh, e o trajeto pode passar de 24 horas. O fuso fica dez horas à frente de Brasília, então conte com um ou dois dias para se adaptar.
Melhor época para ir

O Vietnã é comprido, e cada região tem um clima próprio. Por isso não existe um único mês ideal para o país inteiro:
| Região | Melhores meses | O que esperar |
|---|---|---|
| Norte (Hanói, Ha Long, Sapa) | Outubro a dezembro e março a abril | Inverno fresco e às vezes nublado de dezembro a fevereiro, mais frio nas montanhas; verão quente, úmido e chuvoso |
| Centro (Hue, Hoi An, Da Nang) | Fevereiro a agosto | De setembro a dezembro vêm as chuvas fortes, os tufões e os alagamentos, principalmente em outubro e novembro |
| Sul (Ho Chi Minh, Delta do Mekong) | Dezembro a abril | Quente o ano todo; de maio a novembro há pancadas fortes, em geral curtas, à tarde |
Fique atento ao Tet, o Ano-Novo Lunar, que cai entre o fim de janeiro e fevereiro. Muitos comércios fecham por alguns dias e trens, ônibus e voos lotam. Em compensação, as cidades ficam decoradas e festivas.
Roteiro de 12 dias, de norte a sul

- Hanói (3 dias): Bairro Antigo, Lago Hoan Kiem, Templo da Literatura, Mausoléu de Ho Chi Minh e um espetáculo de marionetes sobre a água, tradição do norte do país.
- Ninh Binh (1 dia): a cerca de duas horas de Hanói, tem passeios de barco por rios entre paredões de pedra em Trang An e Tam Coc. Dá para ir e voltar no mesmo dia.
- Baía de Ha Long (2 dias): cruzeiro com pernoite no barco entre as ilhas de calcário, com caiaque e visita a cavernas. A vizinha Baía de Lan Ha é uma opção com menos barcos.
- Hoi An e Da Nang (3 dias): voo de Hanói para Da Nang e estrada até Hoi An, cidade antiga de casas amarelas, lanternas coloridas e alfaiates que fazem roupas sob medida em poucos dias. Da Nang tem praia urbana e as Montanhas de Mármore. Com um dia a mais, inclua Hue, a antiga capital imperial, com a Cidadela e os túmulos dos imperadores.
- Ho Chi Minh (3 dias): Palácio da Independência, Museu dos Remanescentes da Guerra, Mercado Ben Thanh, os túneis de Cu Chi em meio dia e um passeio de um ou dois dias pelo Delta do Mekong.
Com menos de dez dias, concentre-se em duas regiões, como norte e centro, para não passar a viagem em deslocamentos. Com mais tempo, acrescente Sapa, nas montanhas do norte, com arrozais em terraços e trilhas por aldeias de minorias étnicas, ou alguns dias de praia na ilha de Phu Quoc, no sul.
Se a ideia é emendar outro país da região, o vizinho Laos combina bem com o norte do Vietnã: veja nosso guia de turismo em Laos, com templos e cidades históricas. Quem pretende passar pela China pode conferir as dicas para viajar a Xangai.
Como se locomover
- Voos domésticos: são a forma mais rápida de vencer as grandes distâncias entre norte, centro e sul. Os trechos de Hanói para Da Nang e de Da Nang para Ho Chi Minh são curtos e atendidos por várias companhias.
- Trem: a ferrovia Norte-Sul liga Hanói a Ho Chi Minh passando por Hue e Da Nang. É lenta, mas trechos como Hue–Da Nang, com vista para o mar, valem a experiência. Há cabines-leito para os trechos noturnos.
- Ônibus-leito: baratos e comuns entre cidades, mas pouco confortáveis para quem é alto.
- Aplicativo Grab: nas cidades, chama carro ou moto com preço definido antes da corrida, o que evita negociar com taxistas.
Atravessar a rua em Hanói ou Ho Chi Minh assusta no começo por causa da quantidade de motos. O jeito é caminhar em ritmo constante, sem correr e sem parar de repente, para que os motoristas consigam desviar.
Dinheiro, tomadas e internet

A moeda é o dong vietnamita (VND), com notas de valores altos e muitos zeros. Confira as cédulas ao pagar, porque algumas têm cores parecidas. Caixas eletrônicos são fáceis de achar nas cidades, e cartões são aceitos em hotéis, lojas maiores e restaurantes turísticos, mas mercados, barracas de rua e pequenos comércios pedem dinheiro. Levar alguns dólares americanos para trocar ajuda numa emergência. Nos mercados, pechinchar é normal, sempre com simpatia.
A tensão é de 220 V e as tomadas costumam aceitar pinos chatos e redondos; um adaptador universal resolve. Um chip local ou eSIM com dados sai barato e ajuda muito com mapas, tradução e o Grab.
O que comer

A comida é um dos pontos altos do turismo no Vietnã, e boa parte dela está na rua. Alguns pratos para provar:
- Phở: sopa de caldo de carne ou frango com macarrão de arroz e ervas frescas, comum no café da manhã.
- Bún chả: carne de porco grelhada com macarrão de arroz e caldo agridoce, típico de Hanói.
- Bánh mì: sanduíche no pão tipo baguete, herança da colonização francesa, com recheios variados.
- Gỏi cuốn: rolinhos frescos de papel de arroz com camarão, ervas e macarrão.
- Cao lầu: macarrão com carne de porco e ervas, especialidade de Hoi An.
- Café: forte, coado em filtro individual e servido com leite condensado e gelo. Em Hanói, prove o café com gema batida, o egg coffee.
Prefira barracas movimentadas, com comida preparada na hora, e beba água engarrafada ou filtrada, porque a da torneira não é própria para beber.
Saúde, segurança e costumes
Algumas semanas antes da viagem, procure um médico ou um serviço de medicina do viajante para avaliar vacinas e cuidados. O Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) contra febre amarela pode ser pedido a quem chega do Brasil, então vale tê-lo em mãos. Leve repelente e contrate seguro-viagem com boa cobertura médica.
O país é tranquilo para turistas, mas furtos de celular e bolsa por quem passa de moto acontecem nas cidades grandes: segure o aparelho com firmeza perto da rua. Em templos e pagodes, cubra ombros e joelhos e tire os sapatos quando houver indicação. Em negociações ou pequenos problemas, calma e simpatia resolvem mais que irritação. Aprender “xin chào” (olá) e “cảm ơn” (obrigado) também ajuda na conversa com os moradores.
Para começar bem no turismo no Vietnã, escolha a rota de norte a sul ou o contrário, reserve os voos internos com antecedência e ajuste o roteiro à estação de cada região. Com o visto eletrônico tirado no site oficial e o seguro contratado, o resto se resolve bem pelo caminho.

