Entre as árvores mais lindas do mundo estão as cerejeiras do Japão, os jacarandás que deixam Pretória e Lisboa lilases, os baobás de Madagascar, as sequoias gigantes da Califórnia, o eucalipto-arco-íris e o dragoeiro de Socotorá. No Brasil, ipês e flamboyants disputam a atenção. Algumas encantam pelas flores, outras pelo tamanho, pela idade ou por formas que parecem desenhadas.
Árvores que se cobrem de flores
São as mais fotografadas, e a floração dura poucas semanas: para ver essas árvores no auge, a data da viagem pesa tanto quanto o destino.
Cerejeira japonesa (sakura)
As cerejeiras mais plantadas no Japão abrem as flores antes das folhas, o que deixa a copa inteira branca ou rosada. Em Tóquio e Kyoto, a floração costuma acontecer entre o fim de março e o começo de abril, e o auge dura mais ou menos uma semana. O costume de fazer piquenique sob as árvores floridas tem nome próprio: hanami. Mais ao norte, em Hokkaido, as flores só aparecem no fim de abril ou em maio. Fora do Japão, as cerejeiras em volta do Tidal Basin, em Washington, foram um presente de Tóquio aos Estados Unidos em 1912.
Jacarandá-mimoso
Nativo da América do Sul, de países como Argentina e Bolívia, o jacarandá-mimoso foi levado para cidades do mundo todo por causa dos cachos de flores lilases. Pretória, na África do Sul, ganhou o apelido de cidade dos jacarandás e fica roxa em outubro e novembro. Em Lisboa, as flores aparecem entre maio e junho; em Buenos Aires, na primavera de lá, por volta de novembro. No Brasil, ele é comum em cidades do Sul e do Sudeste e floresce na primavera.
Uma curiosidade: por aqui, o nome jacarandá também é usado para árvores de outro gênero, como o jacarandá-da-bahia, conhecido pela madeira nobre e hoje ameaçado de extinção.
Flamboyant
Originário de Madagascar, o flamboyant tem copa larga, em forma de guarda-chuva, e flores vermelho-alaranjadas que cobrem a árvore na primavera e no começo do verão. O nome vem do francês e quer dizer flamejante, por causa da cor. Ele se adaptou bem ao clima quente e aparece em praças, fazendas e avenidas de várias regiões do Brasil.
Ipê
O ipê é a árvore que mais chama a atenção no inverno brasileiro. Ele perde as folhas e floresce com os galhos nus, então só a cor fica à mostra. Os ipês roxos e rosa costumam abrir primeiro, entre junho e agosto; os amarelos vêm depois, em agosto e setembro; e os brancos, mais raros, ficam floridos por poucos dias. Em Brasília e em outras cidades do Cerrado, a floração coincide com a seca e vira atração.
Ipê e jacarandá-mimoso são da mesma família botânica, mas é fácil diferenciar: o ipê floresce no inverno, com flores em forma de trombeta, e o jacarandá, na primavera, com cachos lilases e folhas recortadas como as de samambaia.
Gigantes e árvores milenares
Neste grupo, a beleza está na altura, no volume e na idade. São recordes da natureza, como a caverna mais profunda do mundo, e quase todos ficam em parques protegidos, com trilhas e regras para preservar as raízes.
Sequoia-gigante
A sequoia-gigante só cresce naturalmente na encosta oeste da Sierra Nevada, na Califórnia. O exemplar mais famoso, o General Sherman, no Parque Nacional da Sequoia, é considerado a maior árvore do mundo em volume de madeira: tem cerca de 84 metros de altura e idade estimada em mais de 2 mil anos. O Parque Nacional de Yosemite também tem um bosque dessas árvores, o Mariposa Grove. A casca grossa e avermelhada ajuda a sequoia a resistir aos incêndios florestais.
Sequoia-costeira
Parente próxima da anterior, a sequoia-costeira (redwood, em inglês) é a árvore mais alta do planeta. A recordista, apelidada de Hyperion, passa de 115 metros e fica no Parque Nacional e Estadual Redwood, no norte da Califórnia. A localização exata não é divulgada, para evitar que visitantes pisoteiem o solo em volta dela, mas as trilhas do parque passam por muitas outras gigantes da mesma espécie.
Pinheiro bristlecone
Não é a mais alta nem a mais florida, mas impressiona pela idade. Na floresta de pinheiros bristlecone das White Mountains, também na Califórnia, os troncos são retorcidos e clareados pelo vento e pelo frio. Um deles, conhecido como Matusalém, passa de 4.800 anos e é uma das árvores mais antigas com idade confirmada. Assim como a Hyperion, ele não é identificado para o público.
Grande figueira-de-bengala
No jardim botânico de Howrah, perto de Calcutá, na Índia, uma única figueira-de-bengala parece uma pequena floresta. Essa espécie solta raízes aéreas dos galhos, que descem até o chão e viram novos troncos. O tronco original foi retirado em 1925, depois de ser atacado por fungos, e a árvore continuou viva, apoiada em milhares dessas raízes e cobrindo uma área de mais de um hectare.
Formas e cores fora do comum
Baobá
Com troncos enormes e galhos que lembram raízes viradas para o céu, os baobás guardam água no tronco para atravessar a estação seca. A maioria das espécies só existe em Madagascar, onde fica a Avenida dos Baobás, perto de Morondava: uma estrada de terra ladeada por árvores altíssimas, famosa pelo pôr do sol. O baobá também aparece em O Pequeno Príncipe, como a planta que ameaça tomar o pequeno planeta do personagem. No Brasil, há baobás plantados em algumas cidades do Nordeste, como Recife.
Dragoeiro de Socotorá
A ilha de Socotorá, no Iêmen, abriga o dragoeiro (Dracaena cinnabari), de copa densa em forma de guarda-chuva. O formato faz sombra para as raízes e ajuda a árvore a aproveitar a umidade da neblina. O nome vem da resina vermelha que sai do tronco, chamada de sangue-de-dragão e usada há séculos como corante e verniz. Socotorá é Patrimônio Mundial da Unesco desde 2008, mas a instabilidade no Iêmen torna a viagem complicada: consulte os alertas oficiais antes de planejar.
Eucalipto-arco-íris
O Eucalyptus deglupta, nativo das Filipinas, da Indonésia e de Papua-Nova Guiné, tem uma casca que se solta em tiras. Por baixo aparece o tronco verde-claro, que com o tempo escurece e passa por tons de azul, roxo, laranja e vinho. Como cada faixa está numa fase diferente, o tronco parece pintado à mão. Ele é cultivado em lugares de clima quente e úmido, como o Havaí.
Bordo-japonês
O bordo-japonês (Acer palmatum) tem folhas recortadas como uma mão aberta, que ficam vermelhas, laranja ou amarelas no outono. Em Kyoto, os jardins dos templos ganham essas cores por volta de novembro, e o passeio para ver as folhas também tem nome: momijigari. No Brasil, a espécie é cultivada em jardins de clima mais frio, como os das regiões serranas do Sul e do Sudeste.
Faias do Dark Hedges
Na Irlanda do Norte, uma estrada rural passa por um túnel de faias com galhos entrelaçados. As árvores foram plantadas no século 18 por uma família local, para impressionar quem chegava à propriedade, e o lugar ficou conhecido no mundo todo depois de aparecer na série Game of Thrones. Algumas faias já caíram em tempestades, e o trânsito de carros no trecho foi proibido para proteger as que restam.
Árvores fora de série para ver no Brasil
- Cajueiro de Pirangi (RN): em Parnamirim, na Grande Natal, um único cajueiro ocupa mais de 8 mil metros quadrados. Uma alteração genética faz os galhos crescerem para os lados; quando encostam no chão, criam raízes e seguem avançando. Um mirante permite ver a copa de cima.
- Angelim-vermelho gigante: em 2022, uma expedição chegou a um angelim-vermelho de cerca de 88 metros na região do rio Jari, no Pará, a árvore mais alta já registrada na Amazônia. Fica em área remota, de acesso muito difícil.
- Sumaúmas: gigantes da floresta amazônica, com raízes largas em forma de parede, as sapopemas. É possível ver exemplares grandes em passeios guiados na região de Manaus.
- Ipês e cerejeiras nas cidades: os ipês florescem em quase todo o país no inverno. As cerejeiras trazidas pela comunidade japonesa também florescem nessa estação, em lugares como o Parque do Carmo, na zona leste de São Paulo, e Campos do Jordão.
Quando ver cada uma
| Árvore | Onde | Melhor época |
|---|---|---|
| Cerejeira | Tóquio e Kyoto (Japão) | Fim de março e começo de abril |
| Cerejeira | São Paulo e Campos do Jordão | Inverno |
| Jacarandá-mimoso | Pretória (África do Sul) | Outubro e novembro |
| Jacarandá-mimoso | Lisboa (Portugal) | Maio e junho |
| Ipê | Todo o Brasil | De junho a setembro, conforme a cor |
| Flamboyant | Todo o Brasil | Primavera e começo do verão |
| Bordo-japonês | Kyoto (Japão) | Novembro |
| Baobá | Madagascar | Estação seca, de abril a outubro |
| Sequoias | Califórnia (EUA) | O ano todo; no inverno, a neve pode fechar acessos |
Dicas para ver e fotografar árvores famosas
- Acompanhe a previsão de floração. No Japão, a previsão das cerejeiras é divulgada todo ano, cidade por cidade. No Brasil, a floração de ipês e jacarandás muda um pouco a cada ano, conforme o frio e a seca, então vale observar as árvores da região.
- Chegue cedo. Os lugares mais famosos lotam, e a luz do começo da manhã é mais suave para as fotos.
- Mostre a escala. Uma pessoa ao pé do tronco dá a noção do tamanho de uma sequoia ou de um baobá. Com árvores floridas, fotografe de perto e também de longe, para mostrar a copa inteira. Para mais ideias de enquadramento, veja a nossa seleção de fotos mais lindas do mundo.
- Fique nas trilhas. Pisar em volta do tronco compacta o solo e prejudica as raízes, que em muitas espécies são superficiais. Não suba nas árvores nem arranque galhos floridos.
Árvores bonitas para ter no jardim
Várias dessas espécies crescem bem no Brasil, mas nem todas cabem em qualquer quintal. Antes de plantar, pense no tamanho da árvore adulta, e não no da muda:
- Ipê: o porte varia conforme a espécie. Alguns passam de 20 metros; outros ficam menores e são usados em calçadas. Pergunte no viveiro qual espécie você está levando.
- Jacarandá-mimoso: vira uma árvore grande, de copa larga, e solta muitas flores no chão durante a floração. Precisa de espaço.
- Flamboyant: faz sombra generosa, mas tem raízes superficiais que podem levantar pisos e calçadas. Fica melhor em áreas amplas, longe de muros e encanamentos.
- Quaresmeira: nativa da Mata Atlântica, tem porte médio e flores roxas por volta da Quaresma, entre o fim do verão e o outono.
- Resedá: árvore pequena, com flores rosa, lilás ou brancas no verão, bastante usada em calçadas e jardins menores.
Para plantar na calçada, consulte antes a prefeitura: muitas cidades têm regras sobre as espécies permitidas e a distância de postes e fiação. Em projetos maiores, um paisagista ou engenheiro agrônomo ajuda a escolher a árvore certa para o espaço e o clima.
Para ver essas árvores ao vivo, comece pelo calendário: as flores têm época certa e passam rápido. Se a viagem ainda vai demorar, observe os ipês e jacarandás da sua cidade entre o inverno e a primavera, que são o espetáculo mais fácil de encontrar por aqui.







