Tendência reúne alimentação, sono, exercícios e avaliação clínica na discussão sobre envelhecimento e aparência.
A chamada beleza metabólica ganha espaço como uma tendência que relaciona aparência, saúde e hábitos de vida. Apontado pela Mintel entre as previsões para o setor de beleza e cuidados pessoais, o conceito propõe observar processos internos que podem se refletir na pele, no cabelo e no corpo.
A proposta inclui alimentação, atividade física, sono, hormônios e saúde metabólica na análise das mudanças associadas ao envelhecimento. Especialistas ouvidos pelo Terra ressaltam, porém, que sinais externos não substituem avaliação clínica e que tratamentos precisam considerar as condições individuais.
Sinais que podem aparecer externamente
A endocrinologista Karen de Marca, presidente eleita da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, afirma que características visíveis podem acompanhar processos que ocorrem no organismo. Entre os exemplos citados estão alterações na cor dos dentes e da mucosa oral associadas ao tabagismo e manifestações na pele relacionadas a determinadas doenças metabólicas.
Ela menciona xantelasmas, xantomas, manchas e acantose nigricans. Os xantelasmas e xantomas são depósitos de gordura na pele; já a acantose provoca escurecimento e espessamento, sobretudo nas dobras do corpo.
Alterações hormonais também podem repercutir na aparência. De acordo com a endocrinologista, níveis elevados ou maior atividade de andrógenos no organismo feminino podem estar associados à acne e à queda de cabelo.
Menopausa exige avaliação individual
Na menopausa, ondas de calor, mudanças no sono, ressecamento vaginal, alterações na libido e no humor podem ocorrer, segundo a ginecologista Ana Carolina Romanini, da Clínica Ginelife. Ela observa que noites mal dormidas podem aumentar cansaço e estresse, com possível reflexo na pele.
A médica também chama atenção para mudanças que não são necessariamente perceptíveis, como alterações no colesterol e no risco cardiovascular relacionadas à redução do estrogênio. A terapia hormonal pode integrar o cuidado quando há indicação, mas a decisão deve levar em conta sintomas, histórico pessoal e familiar, fatores de risco e outras condições de saúde.
Alimentação, descanso e proteção solar
A dermatologista Juliana Toma, formada pela Universidade Federal de São Paulo, explica que alimentos de alto índice glicêmico podem desencadear respostas que envolvem insulina e IGF-1. Segundo ela, esses mecanismos podem aumentar a atividade das glândulas sebáceas e favorecer processos relacionados à acne.
O nutrólogo Renato Lobo cita a glicação como outro processo ligado à alimentação e ao envelhecimento. A reação ocorre quando moléculas de açúcar se unem espontaneamente a proteínas como colágeno e elastina e, em excesso, pode comprometer estruturas associadas à firmeza e à elasticidade da pele.
Sono e estresse também fazem parte desse olhar integrado. Juliana Toma afirma que o descanso participa da reparação do organismo e da regulação hormonal, enquanto alterações no cortisol podem influenciar condições dermatológicas. Ela destaca ainda o uso diário de protetor solar, apontado como cuidado essencial diante do efeito do sol no envelhecimento da pele.
O que entra na avaliação de saúde
Segundo Karen de Marca, a análise no consultório pode considerar medidas e exames além da aparência. Entre os pontos que podem ser avaliados estão:
- pressão arterial, peso e circunferência da cintura;
- composição corporal e força;
- perfil lipídico e funções renal e hepática;
- saúde óssea e cardiovascular, conforme o caso.
Renato Lobo recomenda cautela com suplementos associados a promessas de melhora da aparência. Parte dos nutrientes pode ser obtida pela alimentação, e o consumo dessas substâncias não deve ser indiscriminado, de acordo com o médico.
Com informações de terra.com.br.
Foto de capa: Bill Branson (photographer)/Wikimedia Commons (Public domain)

