Bebida reúne compostos que podem afetar a digestão, o colesterol e a absorção de nutrientes, segundo estudos citados pelo g1.
O café pode influenciar o funcionamento do intestino, a absorção de ferro, os níveis de colesterol e a ação de alguns medicamentos, além do efeito conhecido da cafeína sobre o estado de alerta. Os efeitos decorrem de centenas de compostos presentes na bebida, inclusive no café descafeinado, segundo artigo publicado pelo g1.
A intensidade dessas reações varia entre as pessoas e, em alguns casos, as evidências ainda são limitadas. Estudos menores também sugerem mudanças no microbioma intestinal de quem toma café, mas ainda é cedo para tratar a bebida como probiótico.
Intestino, refluxo e microbioma
Cerca de três em cada dez pessoas relatam vontade de ir ao banheiro logo depois de tomar café. O efeito ocorre tanto com a versão comum quanto com a descafeinada, e não está claro quais substâncias são responsáveis por ele.
Leite com lactose e adoçantes sem açúcar usados na bebida também podem estimular o intestino, sobretudo em grandes quantidades. O café ainda pode agravar sintomas de refluxo em algumas pessoas; além de azia, o quadro pode estar ligado a tosse, chiado e outros sintomas respiratórios quando afeta a garganta e as vias aéreas.
Parte dos ácidos clorogênicos, dos carboidratos complexos e das melanoidinas do café chega ao cólon, onde pode ser fermentada por bactérias intestinais. Pequenos estudos em humanos apontam alteração na composição do microbioma, mas os dados seguem em desenvolvimento.
Interações com remédios e nutrientes
O café pode reduzir a absorção de medicamentos como a levotiroxina, usada para tireoide, e o alendronato, indicado para osteoporose. Já a cafeína pode retardar o metabolismo do antipsicótico clozapina, elevando sua concentração no sangue.
O sentido da interação também pode ser inverso. O antibiótico ciprofloxacina, por exemplo, torna mais lenta a metabolização da cafeína, fazendo com que ela permaneça mais tempo no organismo.
A bebida tomada durante uma refeição pode reduzir de forma substancial a absorção do ferro não-heme, encontrado principalmente em alimentos vegetais. Segundo o texto, os polifenóis do café se ligam ao ferro no trato digestivo; a questão é mais relevante para quem já tem níveis baixos do nutriente ou depende sobretudo de fontes vegetais.
Colesterol, olhos e digestão
Os diterpenos cafestol e kahweol podem elevar o colesterol total e o LDL, conhecido como colesterol ruim. Em estudos de curto prazo, porém, os mesmos compostos reduziram a lipoproteína (a), associada ao risco de ataque cardíaco ou derrame.
Outras substâncias, como os ácidos clorogênicos, podem reduzir modestamente a pressão arterial e melhorar a função dos vasos sanguíneos. A cafeína também pode elevar temporariamente a pressão dentro dos olhos em pessoas com glaucoma ou hipertensão ocular.
O café estimula ainda o pâncreas a liberar tripsina, enzima envolvida na digestão de proteínas, inclusive quando não há alimentos para digerir. Ele pode influenciar hormônios intestinais ligados à fome e à saciedade, mas os estudos não demonstraram de forma consistente se isso leva a maior ou menor ingestão de alimentos.
Situações citadas no levantamento
O artigo aponta que algumas pessoas com glaucoma ou hipertensão ocular podem receber orientação para limitar café e cafeína. Pessoas com disfunção da trompa de Eustáquio patulosa também podem ser orientadas a reduzir bebidas com cafeína e manter hidratação, embora haja poucas evidências diretas de que o café cause essa condição.
Com informações de g1.
Foto de capa: Kurt Kaiser/Wikimedia Commons (CC0)

