As dunas do Brasil mais visitadas ficam no litoral do Nordeste, com destaque para os Lençóis Maranhenses (MA), Jericoacoara (CE) e Genipabu (RN). No interior, o Jalapão (TO) tem dunas alaranjadas no meio do cerrado. Mais ao sul, há campos de areia em Itaúnas (ES), na Joaquina, em Florianópolis, e no Cassino (RS). A época certa muda de um lugar para outro: nos Lençóis, as lagoas ficam cheias entre junho e setembro.
Como as dunas se formam
Duna é um monte de areia acumulado pelo vento. Para ela existir, é preciso muita areia solta, trazida pelo mar ou pelos rios, e vento constante soprando quase sempre na mesma direção. O vento arrasta os grãos, que se acumulam atrás de qualquer obstáculo e formam montes com um lado de subida suave e outro mais íngreme.
O litoral do Norte e do Nordeste reúne essas condições: praias largas, muito sedimento e ventos alísios fortes em boa parte do ano. Por isso os campos de dunas mais famosos do país estão entre o Maranhão e o Rio Grande do Norte.
Há dunas móveis, que mudam de forma e de lugar com o vento, e dunas fixas, seguradas pela vegetação. As móveis rendem as paisagens mais conhecidas. As fixas são as que mais sofrem com o trânsito de veículos e o pisoteio, porque, sem as plantas, a areia volta a andar.
Principais destinos de dunas pelo país
Os lugares abaixo estão entre os mais procurados e têm estrutura para receber turistas. Para ter uma ideia de cada paisagem antes de decidir, veja nossa seleção de fotos das dunas brasileiras.
Lençóis Maranhenses (Maranhão)

Costuma ser apontado como o maior campo de dunas do país e é, com certeza, o mais famoso: um parque nacional de areia branca com lagoas de água da chuva entre as dunas. Em 2024, o parque foi incluído na lista de Patrimônio Mundial da Unesco. A cidade-base mais usada é Barreirinhas, a cerca de quatro horas de carro de São Luís. Santo Amaro do Maranhão e Atins são alternativas mais tranquilas.
Os passeios clássicos saem de Barreirinhas em veículo 4×4 para os circuitos da Lagoa Azul e da Lagoa Bonita, onde se caminha descalço pela areia e se nada nas lagoas. Também há sobrevoos e travessias a pé de vários dias, sempre com guia. As lagoas dependem da chuva, que cai principalmente no primeiro semestre. Por isso a época mais procurada vai de junho a setembro, quando elas estão cheias. A partir de outubro, muitas começam a baixar.
Jalapão (Tocantins)
No leste do Tocantins, o Jalapão junta cerrado, rios de água transparente, cachoeiras e os fervedouros, poços em que a água que brota do fundo tem tanta força que impede a pessoa de afundar. As dunas ficam no Parque Estadual do Jalapão, perto de Mateiros, ao pé da Serra do Espírito Santo. O tom alaranjado vem da areia que a erosão arranca da própria serra. O programa tradicional é ver o pôr do sol ali.
As estradas são de terra e areia, então a maioria dos viajantes faz o roteiro com agência, em 4×4, saindo de Palmas. Os pacotes costumam ter de quatro a seis dias. A melhor época é a seca, de maio a setembro. Na temporada de chuvas, alguns trechos ficam difíceis.
Jericoacoara e o litoral do Ceará
Em Jericoacoara, o fim de tarde na Duna do Pôr do Sol é quase obrigatório. A vila é cercada pelo Parque Nacional de Jericoacoara, e o último trecho da viagem, a partir de Jijoca de Jericoacoara, é feito em veículo 4×4 pela areia. As lagoas do Paraíso e Azul, em Jijoca, completam o roteiro.
Mais perto de Fortaleza, o Ceará tem outras paradas com dunas: Cumbuco, com lagoas e passeios de buggy, e Canoa Quebrada, conhecida pelas falésias avermelhadas e pelas dunas em volta da vila. No segundo semestre chove pouco e venta forte, o que atrai quem pratica kitesurf. Entre fevereiro e maio chove mais.
Genipabu e arredores de Natal (Rio Grande do Norte)

Em Extremoz, na região metropolitana de Natal, Genipabu tem um dos passeios de buggy mais conhecidos do país. As dunas ficam em uma área de proteção ambiental, e o passeio é feito com bugueiros credenciados. Você escolhe se quer o roteiro “com emoção”, com descidas mais radicais, ou sem. No caminho há paradas para o esquibunda, a descida sentada numa prancha até a lagoa, e passeios de dromedário.
Como fica perto da capital, dá para ir e voltar no mesmo dia. Chove menos de setembro a fevereiro. Combine antes com o bugueiro o roteiro, a duração e o valor. Se a ideia é juntar dunas e mar na mesma viagem, nosso guia de praias do Nordeste ajuda a montar o resto do roteiro.
Mangue Seco (Bahia)
No extremo norte do litoral baiano, na divisa com Sergipe, o povoado de Mangue Seco fica entre o rio Real, o mar e um campo de dunas altas. Ficou conhecido como cenário da novela Tieta. O acesso mais comum é de barco, atravessando o rio a partir do povoado do Pontal, em Indiaroba (SE). Na vila, os programas principais são o passeio de buggy pelas dunas e as caminhadas pela praia, quase sempre vazia.
Itaúnas (Espírito Santo)

Em Conceição da Barra, no norte capixaba, o Parque Estadual de Itaúnas protege dunas, restinga e o rio que dá nome à vila. A história local ajuda a entender o valor da vegetação: a vila antiga foi soterrada pela areia ao longo do século 20, depois do desmatamento da região, e os moradores se mudaram para a outra margem do rio. Hoje há trilhas pelo parque, vista do alto das dunas e praia de mar aberto.
Itaúnas também é conhecida pelo forró pé de serra, que anima a vila no verão e no festival tradicional de julho. Fora dessas datas, o clima é de sossego.
Joaquina e Cassino (Sul)

No Sul, as dunas mais visitadas são as da Joaquina, em Florianópolis, onde se aluga prancha para praticar sandboard, com a Lagoa da Conceição logo ao lado. No Rio Grande do Sul, a Praia do Cassino, em Rio Grande, costuma ser citada entre as praias mais extensas do mundo e tem dunas ao longo da orla, boas para caminhadas longas. Nos dois lugares, a temporada de praia vai de dezembro a março. No inverno faz frio e venta bastante.
Rota das Emoções: três destinos numa viagem só
Quem quer ver mais de um campo de dunas pode fazer a Rota das Emoções, que liga Jericoacoara (CE), o Delta do Parnaíba (PI) e os Lençóis Maranhenses (MA). No caminho ficam os Pequenos Lençóis, em Paulino Neves, com dunas e lagoas em escala menor. O trajeto costuma ser feito com agência ou transfer em 4×4 e pede pelo menos uma semana.
Comparativo rápido dos destinos
| Destino | Estado | Principal atrativo | Época mais procurada |
|---|---|---|---|
| Lençóis Maranhenses | MA | Lagoas entre as dunas | Junho a setembro |
| Jalapão | TO | Dunas alaranjadas e fervedouros | Maio a setembro |
| Jericoacoara | CE | Pôr do sol na duna e lagoas | Julho a dezembro |
| Genipabu | RN | Passeio de buggy | Setembro a fevereiro |
| Mangue Seco | BA | Dunas altas e vila isolada | Setembro a março |
| Itaúnas | ES | Parque estadual e forró | Verão e julho |
| Joaquina | SC | Sandboard | Dezembro a março |
Como escolher o destino
- Pouco tempo: Genipabu, Cumbuco e a Joaquina ficam perto de capitais com aeroporto e cabem em um passeio de um dia.
- Paisagem única: os Lençóis Maranhenses, na época das lagoas cheias. Reserve pelo menos três dias.
- Aventura e natureza: o Jalapão, que pede mais dias e estrada de terra, mas junta dunas, cachoeiras e fervedouros.
- Sossego: Itaúnas, Mangue Seco, Atins e Santo Amaro, vilas pequenas de ritmo lento.
- Com crianças ou idosos: prefira passeios curtos, buggy sem descidas radicais e os horários de sol mais fraco.
Para comparar com outros destinos de praia, veja também a lista das melhores praias brasileiras.
Cuidados no passeio pelas dunas
- Horário: a areia esquenta e reflete o sol. Prefira o começo da manhã e o fim da tarde.
- Proteção: protetor solar, chapéu, óculos escuros e roupa leve que cubra os ombros. Leve água, porque no meio das dunas não há sombra nem onde comprar nada.
- Pés: em lugares como os Lençóis se anda descalço, mas a areia pode queimar nas horas mais quentes. Tenha uma meia grossa ou uma sapatilha na mochila.
- Equipamento: areia fina e vento estragam celular e câmera. Um saquinho plástico com fecho resolve.
- Buggy e 4×4: contrate só motoristas credenciados e não entre com carro próprio em áreas de dunas onde isso é proibido.
- Natureza: não arranque plantas, não deixe lixo e siga as trilhas indicadas. Em parques, confira as regras de visitação antes de ir.
- Orientação: no meio das dunas é fácil perder a referência. Em travessias e áreas extensas, vá com guia local.
Perguntas frequentes
Qual é o maior campo de dunas do Brasil?
Os Lençóis Maranhenses. O parque nacional que protege a região tem mais de 150 mil hectares, a maior parte coberta de dunas e lagoas.
Vale visitar os Lençóis fora da época das lagoas?
Vale, desde que você saiba o que esperar. As dunas estão lá o ano todo, mas no fim do ano muitas lagoas estão secas ou rasas. No auge das chuvas, alguns acessos ficam mais difíceis.
Precisa de guia para andar nas dunas?
Em passeios curtos e sinalizados, não. Em travessias, em áreas grandes como os Lençóis e o Jalapão e em qualquer trecho sem trilha, um guia local evita que você se perca e garante que o passeio siga as regras do parque.
Escolha o destino pela época da viagem: Lençóis e Jalapão pedem o meio do ano, Jericoacoara e Genipabu vão bem no segundo semestre, e o Sul é programa de verão. Na alta temporada, reserve os passeios com antecedência e deixe um fim de tarde livre para ver o sol se pôr do alto de uma duna.







