As fotos do mercado Ver-o-Peso, em Belém, costumam mostrar o Mercado de Ferro com suas torres de metal, os barcos que descarregam açaí de madrugada, as bancas de frutas amazônicas, os frascos de banho de cheiro das erveiras, o artesanato e os boxes de comida. Abaixo está o que aparece em cada parte do complexo e como fotografar bem, com respeito a quem trabalha ali.
O que é o Ver-o-Peso e onde ele fica
O Ver-o-Peso é um conjunto de mercados e feiras à beira da Baía do Guajará, no centro histórico de Belém, colado à Cidade Velha. O nome vem da Casa de Haver o Peso, posto criado pelos portugueses no século 17 para pesar as mercadorias que chegavam pelo rio e cobrar impostos sobre elas. O comércio nunca saiu dali, e o conjunto é tombado como patrimônio nacional pelo Iphan.
Hoje o complexo reúne o Mercado de Ferro, o Mercado de Carne, a feira livre com centenas de bancas, a Feira do Açaí, a Pedra do Peixe, a doca dos barcos e a Praça do Relógio. É muita coisa em poucos quarteirões, e cada setor rende um tipo diferente de foto.
O que aparece nas fotos, setor por setor
Mercado de Ferro

É o prédio de estrutura metálica com torres pontudas nos cantos, virado para a baía. Foi montado no começo do século 20 com peças trazidas da Europa, num período em que o dinheiro da borracha mudou a cara de Belém. Por dentro funciona o mercado de peixe, com filhote, pescada-amarela, dourada e outros peixes de rio e de estuário sobre as bancas. As fotos mais bonitas do prédio costumam sair de fora: da doca, com os barcos em primeiro plano, ou da orla na direção da Estação das Docas. Repare nos urubus pousados no telhado e nas grades, presença constante na paisagem do mercado.
Mercado de Carne
No mesmo complexo fica o Mercado de Carne, também chamado Mercado Francisco Bolonha, um prédio do século 19 com fachada clássica e estrutura interna de ferro trabalhado. Costuma ser menos cheio que a feira e funciona bem para fotos de arquitetura, com luz mais controlada e detalhes de grades e colunas.
Feira livre: frutas, farinhas e temperos

A parte a céu aberto, sob toldos e coberturas, concentra as cores que aparecem na maioria das imagens. Há frutas da região, como cupuaçu, bacuri, taperebá, muruci, tucumã e pupunha, sacas de farinha de mandioca de vários tipos, castanha-do-pará, maços de jambu, garrafas de tucupi e pimenta-de-cheiro. Os melhores enquadramentos costumam ser de perto: as pilhas de fruta, as mãos do feirante pesando a mercadoria, as plaquinhas escritas à mão com o nome e o preço de cada produto.
Ervas, banhos de cheiro e garrafadas
Um dos setores mais curiosos é o das erveiras, que vendem raízes, cascas, folhas secas, óleos e perfumes regionais. Os frascos de banho de cheiro, com nomes como “chama dinheiro” e “atrativo do amor”, ficam enfileirados em prateleiras coloridas que rendem ótimas fotos de detalhe. Muitos levam priprioca, patchuli e outras plantas aromáticas da Amazônia, e fazem parte de uma tradição popular que mistura saberes indígenas, africanos e europeus. Pergunte antes de fotografar a banca e, se puder, ouça a explicação sobre cada produto: é uma das partes mais ricas da visita.
Feira do Açaí e Pedra do Peixe
A cena mais marcante do Ver-o-Peso acontece de madrugada. Barcos vindos das ilhas e dos rios da região encostam na doca carregados de rasas, os cestos de palha cheios de açaí, e a negociação é feita ali mesmo, entre carregadores e compradores que levam o fruto para ser batido nos pontos de açaí da cidade. Pouco depois do nascer do sol, o movimento já começa a diminuir. Perto dali, na Pedra do Peixe, os pescadores descarregam o peixe fresco no começo da manhã. Para esse registro é preciso chegar cedo, ainda no escuro, de preferência com alguém que conheça o local.
Boxes de comida

Entre a feira e a doca ficam os boxes que servem refeições desde cedo. O pedido mais tradicional é o açaí puro, sem açúcar, acompanhado de peixe frito e farinha, do jeito que se come no Pará. Também aparecem maniçoba e, à tarde, tacacá servido na cuia. Uma foto do prato na mesa, com a cuia e a farinha ao lado, conta muito sobre a cidade.
Artesanato

Nas bancas de artesanato aparecem cestos de palha, cuias pintadas e peças de cerâmica com grafismos marajoaras, muitas produzidas em Icoaraci, distrito de Belém. Outro destaque são os brinquedos de miriti, feitos com a parte leve e macia dessa palmeira, tradicionais de Abaetetuba e muito presentes na época do Círio. Rendem boas lembranças de viagem e fotos de detalhe cheias de cor e textura.
Melhor horário para fotografar o Ver-o-Peso
- Madrugada e começo da manhã: chegada dos barcos, Feira do Açaí e Pedra do Peixe no auge. Antes do sol, a luz é de poste e de lanterna; logo depois, fica suave e baixa.
- Manhã: feira cheia, bancas completas e boxes de comida funcionando. É o horário mais tranquilo para quem vai pela primeira vez.
- Fim da tarde: o mercado esvazia, mas a luz dourada sobre a baía favorece fotos do Mercado de Ferro e dos barcos vistos da orla ou da muralha do Forte do Presépio, logo ao lado.
- Maré: a variação da maré na Baía do Guajará é grande. Na vazante, os barcos da doca ficam apoiados na lama, uma cena bem diferente da maré cheia. Se ficar mais de um dia, vale ver os dois momentos.
Como fotografar com respeito e segurança

- Peça licença antes de fotografar pessoas. Os feirantes estão trabalhando; muitos aceitam, alguns não. Comprar uma fruta ou um suco ajuda a abrir a conversa.
- Não atrapalhe a descarga. Na doca e na Pedra do Peixe, carregadores passam com peso nas costas. Fique encostado e deixe o caminho livre.
- Celular junto ao corpo. Como em qualquer área cheia, use alça, evite ficar com o aparelho na mão no meio da multidão e mantenha a bolsa fechada e à frente.
- Proteja o equipamento. Calor e umidade embaçam a lente ao sair de um lugar com ar-condicionado; espere alguns minutos antes de fotografar. Chuvas fortes e rápidas são comuns à tarde, principalmente no primeiro semestre.
- Calçado fechado. As áreas de peixe e carne têm chão molhado e escorregadio.
- Dinheiro trocado. Muitas bancas aceitam Pix, mas notas pequenas facilitam compras rápidas.
Como encaixar o mercado num roteiro por Belém
O Ver-o-Peso fica a poucos passos de outros cenários fotogênicos: o Forte do Presépio, a Catedral da Sé e a Casa das Onze Janelas, na Cidade Velha, e a Estação das Docas, na outra direção. Uma manhã bem aproveitada cobre tudo a pé. Para um panorama maior da cidade, com o Theatro da Paz, o Mangal das Garças e a Ilha do Combu, veja nossas fotos de Belém do Pará. Se a ideia é planejar a viagem, com época de chuva, onde ficar e o que comer, o guia de viagem de Belém reúne as informações práticas.
Em outubro, durante o Círio de Nazaré, o centro histórico ao redor do mercado recebe multidões de romeiros, e a feira ganha o clima da festa, com mais brinquedos de miriti e grande procura por maniva e tucupi para o almoço do Círio. É uma época especial para fotografar, com muito mais gente e hospedagem disputada.
Dúvidas comuns sobre a visita
O Ver-o-Peso abre todos os dias?
Sim, mas cada setor tem seu ritmo. A Feira do Açaí e a Pedra do Peixe acontecem de madrugada e no começo da manhã, e muitas bancas da feira fecham ao longo da tarde. Para ver o mercado cheio, vá de manhã.
Pode fotografar dentro do mercado?
Pode, é um espaço público. O cuidado é com as pessoas: peça licença para fotos de rosto e respeite quem disser não.
Quanto tempo reservar?
De uma a duas horas bastam para percorrer os setores e comer algo. Para acompanhar a chegada do açaí, some a madrugada à visita.
Se for só uma vez, chegue cedo, tome um açaí com peixe frito num dos boxes e deixe a câmera para depois de conversar um pouco com os feirantes. As melhores imagens do Ver-o-Peso costumam nascer dessas conversas.

