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Sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Turismo

O que existe no fundo dos oceanos: relevo, animais e exploração

Explica o que existe no leito oceânico, da plataforma continental às fossas, como os animais sobrevivem sem luz, como os cientistas exploram as profundezas e onde ver a vida marinha de perto no Brasil.

Tiago da Silva CândidoPorTiago da Silva Cândido Atualizado em 8 min de leitura
45 Ideias Sobre o Fundo do Mar Que Vão Te Surpreender
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O fundo do mar não é uma planície lisa: tem cadeias de montanhas, vulcões, fossas com quase 11 km de profundidade e planícies cobertas de sedimento fino. Abaixo dos mil metros não chega luz do sol, a água fica em geral entre 0 e 4 °C e a pressão é enorme, mas ainda assim há vida, de peixes com iscas luminosas a comunidades inteiras que se alimentam de energia química.

Qual é a profundidade dos oceanos

Os oceanos cobrem cerca de 70% da superfície da Terra e têm profundidade média de aproximadamente 3.700 metros. O ponto mais fundo conhecido é o Abismo Challenger, na Fossa das Marianas, no Pacífico, com quase 11 mil metros. Se o Monte Everest fosse colocado lá dentro, ainda sobrariam mais de 2 km de água acima do cume.

Apesar disso, o leito oceânico ainda é pouco conhecido. O projeto internacional Seabed 2030, que reúne dados de mapeamento do mundo todo, calcula que só cerca de um quarto do fundo dos oceanos foi mapeado em alta resolução. Por isso se diz que existem mapas mais detalhados da superfície de Marte do que de boa parte do fundo do mar.

O relevo do fundo do mar, da costa ao alto-mar

Saindo da praia em direção ao oceano aberto, o relevo muda em etapas bem definidas.

Plataforma continental

É a continuação submersa dos continentes, com declive suave e profundidade que em geral não passa de 200 metros. Recebe luz, concentra boa parte da pesca e é onde fica a maioria dos recifes de coral. No Brasil, a largura varia muito: a plataforma é estreita em trechos do Nordeste e bem larga na região da foz do Amazonas e no Sul.

Talude e sopé continental

No fim da plataforma, o fundo despenca num declive íngreme, o talude, que desce até milhares de metros. Na base dele, os sedimentos que escorregam do continente se acumulam e formam o sopé continental, uma rampa mais suave que leva às grandes profundidades.

Planícies abissais

Entre 3.000 e 6.000 metros ficam as planícies abissais, das áreas mais planas do planeta. São cobertas por camadas de sedimento fino acumulado ao longo de milhões de anos: poeira trazida pelo vento, argila e restos microscópicos de organismos que viveram perto da superfície. Esses sedimentos guardam pistas sobre o clima do passado e são estudados por geólogos e climatologistas.

Dorsais oceânicas

No meio dos oceanos correm as dorsais, cordilheiras submarinas onde as placas tectônicas se afastam e o magma sobe, formando crosta nova. Somadas, compõem a maior cadeia de montanhas da Terra, com mais de 60 mil quilômetros. A Islândia é um dos poucos lugares onde uma dorsal, a Mesoatlântica, aparece acima do nível do mar.

Fossas e montes submarinos

As fossas são os vales mais profundos e se formam onde uma placa mergulha sob a outra. Por isso ficam em regiões de terremotos e vulcões, como o entorno do Pacífico. Já os montes submarinos são, na maioria, vulcões extintos que não chegam à superfície. Existem aos milhares pelos oceanos e funcionam como ilhas de vida no meio do mar aberto, atraindo peixes, corais de água fria e esponjas.

Zonas de luz: do azul ao escuro total

A luz do sol some rápido na água, e a vida muda conforme a profundidade. Os oceanógrafos dividem a coluna d’água em zonas:

ZonaProfundidade aproximadaComo é
Epipelágica (iluminada)Até 200 mLuz suficiente para a fotossíntese do fitoplâncton; concentra a maior parte da vida marinha conhecida.
Mesopelágica (crepuscular)200 a 1.000 mLuz fraca, sem fotossíntese; muitos animais sobem à noite para comer perto da superfície e descem de dia.
Batipelágica (meia-noite)1.000 a 4.000 mEscuridão total; a única luz vem dos próprios animais.
Abissal4.000 a 6.000 mÁgua muito fria, pouca comida e pressão centenas de vezes maior que na superfície.
HadalAbaixo de 6.000 mRestrita às fossas oceânicas.

A pressão aumenta cerca de uma atmosfera a cada 10 metros de profundidade. No fundo da Fossa das Marianas, passa de mil vezes a pressão ao nível do mar.

Como a vida sobrevive nas profundezas

Sem luz, não há plantas nem algas lá embaixo. A maior parte da comida vem de cima, na forma de neve marinha: flocos de restos de organismos, fezes e muco que afundam lentamente desde a superfície. Quando uma baleia morre e afunda, a carcaça pode alimentar uma comunidade inteira por anos, de tubarões e peixes a vermes e bactérias que decompõem os ossos.

Fontes hidrotermais

Em 1977, cientistas a bordo do submersível Alvin encontraram, perto das Ilhas Galápagos, fontes hidrotermais: fendas no fundo que liberam água aquecida pelo magma e rica em minerais. Ao redor delas vivem vermes tubulares, mariscos, camarões e caranguejos que não dependem do sol. A base dessa cadeia são bactérias que produzem alimento a partir de compostos químicos, como o sulfeto de hidrogênio, num processo chamado quimiossíntese. Algumas dessas chaminés, as fumarolas negras, soltam água a mais de 300 °C, que só não ferve por causa da pressão.

Animais do fundo do mar que chamam atenção

Nas profundezas, a luz produzida pelo próprio corpo, a bioluminescência, é comum e serve para caçar, se camuflar, confundir predadores e encontrar parceiros. Alguns dos moradores mais conhecidos desse ambiente:

  • Peixe-diabo-negro: um dos peixes-pescadores das profundezas. Tem uma haste na cabeça com a ponta luminosa, que atrai presas no escuro, e uma boca enorme com dentes finos e longos.
  • Polvo-dumbo: as nadadeiras dos lados da cabeça lembram as orelhas do elefante do desenho animado e servem para ele se deslocar devagar perto do fundo. Está entre os polvos que vivem mais fundo, a milhares de metros.
  • Peixe-bolha: ficou famoso pela cara “derretida”, mas essa aparência só existe fora da água. No habitat, a centenas de metros de profundidade, o corpo gelatinoso mantém a forma de um peixe comum e flutua sem gastar energia.
  • Tubarão-cobra: tem corpo comprido como o de uma enguia e fileiras de dentes em forma de tridente. É chamado de fóssil vivo porque lembra tubarões muito antigos.
  • Lula-gigante: pode ter mais de 10 metros contando os tentáculos e foi filmada viva no próprio habitat pela primeira vez em 2012, perto do Japão.
  • Isópode-gigante: parente do tatuzinho de jardim, pode passar de 30 centímetros e aguenta longos períodos sem comer, à espera do alimento que cai do alto.
  • Lula-vampira: apesar do nome, não é lula nem vampiro. Vive em águas com pouquíssimo oxigênio e se alimenta de neve marinha.

Até nas fossas há peixes: o mais fundo já filmado, um peixe-caracol, foi registrado a mais de 8.300 metros, em 2022, numa fossa perto do Japão.

Como os cientistas exploram o fundo do mar

Em 1960, o batiscafo Trieste levou Jacques Piccard e Don Walsh ao fundo da Fossa das Marianas pela primeira vez. O cineasta James Cameron repetiu a descida sozinho em 2012, e a partir de 2019 o submersível Limiting Factor fez vários mergulhos tripulados ao mesmo ponto.

A maior parte do trabalho, porém, é feita sem ninguém a bordo. Navios com sonar multifeixe medem o relevo emitindo pulsos de som e calculando o tempo de volta do eco. Robôs controlados por cabo, os ROVs, coletam amostras e filmam em alta definição, e veículos autônomos, os AUVs, percorrem grandes áreas seguindo rotas programadas. Os destroços do Titanic, a cerca de 3.800 metros, foram localizados em 1985 com um trenó de câmeras rebocado por navio.

O fundo do mar também desperta interesse econômico. Há depósitos de nódulos ricos em manganês, níquel e cobalto, e a mineração em águas profundas está em discussão na Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, criada pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Muitos cientistas alertam que esses ambientes se recuperam muito devagar. E o impacto humano já chegou lá: foram encontrados microplásticos até em animais das fossas mais profundas.

Onde ver a vida marinha de perto no Brasil

Não é preciso descer a mil metros para ver o fundo do mar. O litoral brasileiro tem lugares de água clara, bons para snorkel e para o mergulho de batismo, feito com instrutor e sem curso prévio:

  • Fernando de Noronha (PE): água transparente, tartarugas, raias e golfinhos-rotadores na baía que leva o nome deles. Boa parte do arquipélago é parque nacional marinho, com regras de visitação.
  • Abrolhos (BA): primeiro parque nacional marinho do Brasil, com recifes de coral e grande diversidade de peixes. Entre julho e novembro, a região recebe baleias-jubarte para a reprodução.
  • Arraial do Cabo (RJ): um dos principais destinos de mergulho do Sudeste, com água clara e fria. A temperatura baixa vem da ressurgência, fenômeno que traz à superfície água profunda e rica em nutrientes.
  • Maragogi (AL) e Porto de Galinhas (PE): piscinas naturais formadas pelos recifes na maré baixa, acessíveis de jangada ou catamarã.
  • Laje de Santos (SP): parque estadual marinho em mar aberto, procurado por mergulhadores.

Para quem não mergulha, aquários públicos como o AquaRio, no Rio de Janeiro, mostram espécies da costa brasileira. Em qualquer passeio, não pise nos corais, não alimente os peixes e prefira camiseta com proteção UV a grandes quantidades de protetor solar na água.

O tema fundo do mar em festas e decoração

O fundo do mar também é tema frequente de festa infantil, quarto de criança e papel de parede. Algumas ideias que funcionam:

  • Base em azul-escuro ou azul-petróleo, clareando em direção ao topo, como a luz que entra pela superfície. Para outras combinações de tons, veja nossas ideias de fundo azul.
  • Animais reais variam o visual: águas-vivas, polvos, cavalos-marinhos, corais e tartarugas rendem mais do que só peixinhos.
  • Luzes pequenas ou tintas que brilham no escuro lembram a bioluminescência das profundezas.
  • Conchas, redes e cordas dão textura. Há sugestões de como usá-las em decoração com conchas. Prefira conchas compradas ou reaproveitadas: em muitas praias protegidas, a retirada é proibida.

Com crianças, o tema também vira aprendizado: dá para montar um painel com as zonas de luz, do azul-claro ao preto, e colar em cada faixa os animais que vivem ali. Músicas ajudam a fixar os nomes, como este clipe do Mundo Bita:

Para continuar explorando, documentários e transmissões ao vivo de expedições científicas mostram imagens reais das profundezas. E, na próxima viagem ao litoral, uma máscara de mergulho já basta para ver que a vida embaixo d’água começa a poucos metros da praia.

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