Associação do setor diz que condições do percurso e características do grupo exigem avaliação de profissionais.
A inteligência artificial pode sugerir trilhas, cachoeiras e roteiros, mas não consegue avaliar sozinha as condições de uma atividade na natureza. Em material publicado em 26 de setembro, a Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (Abeta) defendeu que o planejamento digital seja combinado com o conhecimento de profissionais que atuam no destino.
Segundo a entidade, uma recomendação feita antes da viagem pode não corresponder ao que o visitante encontrará no percurso. Nível de dificuldade, condições do caminho, características do grupo, equipamentos e procedimentos de emergência precisam entrar na decisão sobre uma atividade de aventura.
Como os brasileiros usam a IA nas viagens
Um levantamento da Booking.com citado no material aponta que 63% dos brasileiros usam inteligência artificial para planejar viagens. A pesquisa também indica que os entrevistados demonstram menos disposição para deixar certas decisões inteiramente a cargo da ferramenta.
Uso da ferramenta e decisões que os entrevistados aceitariam delegar a ela
- 63%Planejam viagens com IABrasileiros ouvidos no levantamento
- 46%Reservas de atividadesConfortáveis em delegar à IA
- 32%Decisão sobre passagensConfortáveis em delegar à IA
| Decisão delegada à IA | Entrevistados que se sentiriam confortáveis |
|---|---|
| Reservar atividades e passeios | 46% |
| Decidir sobre passagens aéreas | 32% |
O que depende de avaliação no destino
Para Lejania Malheiros, presidente da Abeta, a tecnologia facilita a descoberta de experiências, enquanto quem conhece o território pode verificar se elas são adequadas às condições reais. Ela afirma que mapas digitais e previsões meteorológicas contribuem para o planejamento, mas ainda precisam ser interpretados para orientar a operação de uma atividade.
A entidade associa a qualificação dos prestadores de serviço à capacidade de adaptar o roteiro ao ambiente e ao grupo. Essa avaliação ganha espaço à medida que ferramentas digitais ajudam viajantes a encontrar destinos menos conhecidos.
Uso da tecnologia no Jalapão
No Jalapão, pesquisadores da Universidade Federal do Tocantins desenvolvem um projeto que usa IA para monitorar e ajudar a organizar o fluxo de visitantes em áreas como fervedouros, dunas e cachoeiras. Segundo o material, a iniciativa também incorpora conhecimentos de comunidades tradicionais e busca reduzir impactos ambientais e integrar as necessidades locais à gestão do destino.
O Ministério do Turismo prevê, em sua política de Destinos Turísticos Inteligentes, o uso de tecnologia para melhorar a experiência do visitante e a gestão dos destinos. A política também inclui capacitação profissional e qualificação dos serviços turísticos.
Com informações de voenews.com.br.
Foto de capa: aduarteweb/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)
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