O mapa do Vale do Loire fica simples quando dividido em três partes ao longo do rio: a leste, Blois e os castelos de Chambord e Cheverny; no centro, Amboise e Tours, perto de Chenonceau e Villandry; a oeste, Chinon, Saumur e Angers. Tours é a base mais prática para a maioria dos viajantes, com trem rápido desde Paris e acesso fácil aos castelos mais visitados.
Com essa divisão na cabeça, fica mais fácil decidir onde dormir, quantos dias reservar e se vale alugar carro. A seguir, você encontra cada região com os seus castelos, as opções de transporte e um roteiro de cinco dias que segue a ordem do mapa, sem ir e voltar à toa.
Onde fica o Vale do Loire
O Loire é o rio mais longo da França, com cerca de mil quilômetros. O que os viajantes chamam de Vale do Loire é o trecho central, entre Sully-sur-Loire e Chalonnes-sur-Loire, que a Unesco reconheceu como Patrimônio Mundial em 2000 pela paisagem cultural: cidades históricas, vinhedos e os castelos construídos, em grande parte, entre o fim da Idade Média e o Renascimento.
A maior parte desse trecho fica na região Centre-Val de Loire, e a ponta oeste, com Saumur e Angers, pertence à região Pays de la Loire. Orléans, a porta de entrada do lado leste, fica a cerca de 130 km de Paris pela estrada. Tours, no centro do vale, fica a cerca de 240 km.
O mapa por regiões
| Região | Cidade-base | Castelos e atrações por perto |
|---|---|---|
| Leste | Blois (ou Orléans) | Castelo Real de Blois, Chambord, Cheverny e Chaumont-sur-Loire |
| Centro | Tours ou Amboise | Castelo de Amboise, Clos Lucé, Chenonceau, Villandry, Azay-le-Rideau e Langeais |
| Oeste | Saumur (ou Chinon) | Fortaleza de Chinon, Ussé, Abadia de Fontevraud, Castelo de Saumur e Angers |
Leste: Blois, Chambord e Cheverny

Blois tem um castelo real no meio da cidade, com alas de épocas diferentes e a famosa escadaria externa da ala Francisco I. A poucos quilômetros ficam Chambord, o maior castelo do vale, conhecido pela escadaria de dupla hélice cuja concepção costuma ser associada a Leonardo da Vinci, e Cheverny, um castelo mobiliado e ainda de propriedade privada. Entre Blois e Amboise, Chaumont-sur-Loire recebe todos os anos um festival internacional de jardins.
Centro: Amboise, Tours, Chenonceau e Villandry

É a região mais visitada. Em Amboise estão o castelo real, em cuja capela está o túmulo de Leonardo da Vinci, e o Clos Lucé, a casa onde ele viveu os últimos anos e morreu, em 1519. Chenonceau, o chamado castelo das damas, foi construído sobre o rio Cher e fica perto de Amboise. A oeste de Tours estão Villandry, famoso pelos jardins renascentistas e pela horta ornamental, Azay-le-Rideau, sobre o rio Indre, e Langeais.
Tours em si merece pelo menos meio dia: o centro medieval em volta da Place Plumereau, a Catedral de Saint-Gatien e Les Halles, o mercado coberto da cidade.
Oeste: Chinon, Saumur e Angers
Na fortaleza de Chinon, Joana d’Arc encontrou o futuro rei Carlos VII em 1429. Perto dali, o castelo de Ussé costuma ser associado à história da Bela Adormecida. A Abadia de Fontevraud guarda os túmulos de membros da dinastia Plantageneta, entre eles Leonor da Aquitânia e Ricardo Coração de Leão. Saumur combina castelo, vinhos e casas escavadas na rocha, e Angers tem uma fortaleza que abriga a Tapeçaria do Apocalipse, da Idade Média.
Qual cidade escolher como base
- Tours: a opção mais prática sem carro. O TGV liga Paris à estação de Saint-Pierre-des-Corps, ao lado de Tours, em cerca de uma hora, e de Tours saem trens regionais para Amboise, Blois, Chenonceaux, Azay-le-Rideau, Chinon e Saumur.
- Amboise: menor e mais charmosa, boa para quem quer caminhar à noite e ficar perto de Chenonceau e do Clos Lucé.
- Blois: a melhor base para Chambord e Cheverny, com trens diretos para Paris.
- Saumur: faz sentido se o foco for o lado oeste, os vinhos e Fontevraud.
Para uma primeira viagem de quatro ou cinco dias, dormir em Tours ou Amboise e passar a última noite em Blois costuma funcionar bem, porque segue a direção do rio.
Como circular entre os castelos
De carro
Dá mais liberdade, principalmente para Chambord, Cheverny e Villandry, que ficam longe das estações. As estradas são boas e as distâncias entre castelos vizinhos são curtas. Antes de viajar, confira as regras para dirigir na França com a habilitação brasileira; a Permissão Internacional para Dirigir costuma ser recomendada.
De trem
Resolve bem os castelos que ficam nas cidades ou perto das estações: Blois, Amboise, Chenonceau, Azay-le-Rideau, Chinon e Saumur. Os horários dos trens regionais são menos frequentes do que em Paris, então vale checar a volta antes de sair.
De bicicleta

O percurso La Loire à Vélo tem cerca de 900 km de ciclovias e estradas sinalizadas ao longo do rio, com muitos trechos planos. Há aluguel de bicicletas em Tours, Amboise e Blois, e pedalar entre dois castelos próximos é uma forma tranquila de ver a paisagem.
Excursões e ônibus
Na temporada, há ônibus e vans turísticas que saem de Blois, Tours e Amboise para alguns castelos. É uma saída para quem não dirige, mas os horários são fixos e o tempo em cada lugar é limitado.
Se é a primeira vez que você organiza uma viagem com vários pontos no mapa, o nosso guia de erros comuns ao montar um mapa de viagem ajuda a revisar o plano.
Roteiro de 5 dias seguindo o mapa
O roteiro usa Tours como base nos dois primeiros dias, para os castelos a oeste, depois sobe o rio até Amboise e termina em Blois, de onde é fácil voltar a Paris.
- Dia 1, Tours e Villandry: manhã no centro histórico de Tours e tarde nos jardins de Villandry.
- Dia 2, Azay-le-Rideau e Chinon: o castelo sobre o Indre pela manhã e a fortaleza de Chinon à tarde. Com carro, dá para incluir Ussé no caminho.
- Dia 3, Amboise: castelo real, Clos Lucé e um passeio pela cidade no fim do dia.
- Dia 4, Chenonceau e Chaumont-sur-Loire: Chenonceau logo na abertura, quando há menos gente, e Chaumont à tarde.
- Dia 5, Blois e Chambord: o castelo de Blois pela manhã e Chambord à tarde. Se sobrar tempo e houver carro, Cheverny fica perto.
Dicas práticas para a viagem
- Época: primavera (abril a junho) e início do outono (setembro e outubro) combinam clima agradável e menos movimento. Julho e agosto são os meses mais cheios. Vários castelos abrem o ano todo, mas horários mudam por estação; confira no site oficial de cada um.
- Ingressos: na alta temporada, compre antes pela internet os dos castelos mais procurados, como Chenonceau e Chambord. Alguns castelos e escritórios de turismo vendem ingressos combinados.
- Vinhos: perto de Tours ficam Vouvray e Montlouis, conhecidos pelos brancos de uva Chenin Blanc, e Chinon e Bourgueil, pelos tintos de Cabernet Franc. Sancerre e Pouilly-Fumé também são do Loire, mas ficam bem mais a leste, fora da área dos castelos.
- Comida: procure as rillettes, um patê rústico de porco típico de Tours, e os queijos de cabra da região, como o Sainte-Maure-de-Touraine.

Dúvidas frequentes
Quantos dias reservar para o Vale do Loire?
Com dois dias, dá para ver três ou quatro castelos principais. Com quatro ou cinco, o ritmo fica tranquilo e sobra tempo para cidades, vinícolas e passeios de bicicleta.
Dá para visitar em um bate-volta de Paris?
Dá, de trem até Tours ou Blois, ou em excursões que saem de Paris. Sem carro, porém, é difícil ver mais de dois castelos no mesmo dia.
Quais castelos escolher se o tempo for curto?
Chambord e Chenonceau são os mais conhecidos. Para completar, escolha Amboise, se o interesse for história e Leonardo da Vinci, ou Villandry, se forem jardins.
Com o vale dividido em leste, centro e oeste, montar a viagem fica bem mais simples: escolha a base, defina o transporte e agrupe os castelos vizinhos no mesmo dia. Se você gosta desse tipo de roteiro por cidades históricas, veja também o nosso mapa das cidades históricas de Minas Gerais.







