Na primeira viagem, a melhor resposta para o que fazer em Nova York é combinar os clássicos (Central Park, Estátua da Liberdade, Times Square, um observatório, os grandes museus e a travessia da Ponte do Brooklyn) com passeios menos óbvios, como o teleférico de Roosevelt Island, a High Line e bairros como Astoria e Bushwick. O jeito mais eficiente de encaixar tudo é organizar o roteiro por região.
Os clássicos que valem a primeira viagem
Os pontos mais conhecidos são famosos por um motivo: são bonitos, ficam relativamente perto uns dos outros e ajudam a entender a cidade. Chegar cedo ou reservar horário ajuda a fugir das filas maiores.
Central Park
O parque ocupa um retângulo enorme no meio de Manhattan, entre a 59th Street e a 110th Street. Vale entrar pelo sul, seguir pelo Mall (a alameda de árvores) até o Bethesda Terrace e, dali, ir até a Bow Bridge e o Strawberry Fields, o memorial a John Lennon, no lado oeste. Na primavera e no verão, o Sheep Meadow enche de gente fazendo piquenique. Para percorrer uma área maior, dá para alugar bicicleta perto das entradas.
Estátua da Liberdade e Ellis Island
A balsa oficial sai do Battery Park, no sul de Manhattan, e para nas duas ilhas. Em Ellis Island fica o museu da imigração, bom para quem gosta de história. O acesso ao pedestal e à coroa da estátua tem vagas limitadas e costuma esgotar, então reserve com antecedência pelo site oficial. Se a ideia é só ver a estátua do mar, sem desembarcar, a balsa de Staten Island, que é gratuita, passa com ela à vista.
Memorial do 11 de Setembro
As duas piscinas construídas onde ficavam as Torres Gêmeas têm acesso livre e são um lugar de silêncio no meio do distrito financeiro. O museu ao lado é pago e pede pelo menos duas horas. Ali perto ficam o Oculus, estação de arquitetura marcante, Wall Street e, alguns quarteirões ao sul, a estátua do touro de bronze.
Times Square e a Broadway
Times Square impressiona mais à noite, com os painéis acesos. É também a região dos teatros da Broadway. Para comprar ingresso com desconto no próprio dia, existe o quiosque TKTS na praça; para musicais muito procurados, o melhor é comprar antes da viagem.
Observatórios
Há cinco opções principais: Empire State Building, Top of the Rock (no Rockefeller Center), Summit One Vanderbilt, Edge (em Hudson Yards) e One World Observatory (no One World Trade Center). Um só costuma bastar. O Top of the Rock tem a vantagem de mostrar o Empire State e o Central Park na mesma visita. Para fotos, o horário perto do pôr do sol é o mais disputado e o que mais cedo esgota.
Museus
O Metropolitan Museum of Art, na Quinta Avenida, é grande demais para um dia: escolha duas ou três alas. O MoMA reúne arte moderna, o Museu Americano de História Natural agrada muito a crianças e o Guggenheim vale também pelo prédio em espiral de Frank Lloyd Wright.
Ponte do Brooklyn e DUMBO
Atravessar a ponte a pé, de Manhattan para o Brooklyn, leva cerca de meia hora sem pressa. Do outro lado fica o DUMBO, bairro de ruas de paralelepípedo com a vista da Manhattan Bridge emoldurada entre os prédios da Washington Street, e o Brooklyn Bridge Park, na beira do rio.

Em Midtown, entre um passeio e outro, entre na Catedral de São Patrício, igreja neogótica da Quinta Avenida com entrada gratuita, e no Grand Central Terminal, cujo saguão principal tem o teto pintado com constelações.
Passeios menos óbvios
Depois dos clássicos, estes programas mostram outros lados da cidade e costumam ter menos fila.
Teleférico de Roosevelt Island
O bondinho sai da Second Avenue com a 59th Street e cruza o East River em poucos minutos, com Manhattan de um lado e a Queensboro Bridge do outro. Ele aceita a mesma forma de pagamento do metrô. Na ilha, caminhe até a ponta sul, onde ficam as ruínas do antigo hospital de varíola e o Four Freedoms Park, com vista para a sede da ONU.

High Line, Chelsea e Little Island
A High Line é um parque construído sobre uma antiga linha férrea elevada, do Meatpacking District até Hudson Yards. O caminho tem jardins, bancos e obras de arte, e a entrada é livre. Combine com o Chelsea Market, um mercado cheio de opções para comer, e com a Little Island, um parque sobre pilares no rio Hudson, perto do início da High Line.
Tenement Museum
No Lower East Side, o museu mostra como viviam famílias imigrantes em prédios de cortiço reconstituídos. As visitas são guiadas, em grupos pequenos, e precisam de reserva. Depois, aproveite para comer no bairro, que tem delicatéssens tradicionais e muitos restaurantes.
Astoria, no Queens
Astoria concentra uma comunidade grega grande, com tavernas, padarias e cafés. É uma boa saída para almoçar longe dos preços de Manhattan e ver um bairro residencial de verdade. O Museum of the Moving Image, dedicado a cinema e televisão, fica no mesmo bairro.

Governors Island
Uma balsa curta a partir de Lower Manhattan leva a essa ilha sem carros, com gramados, redes para descansar, antigas construções militares e vista para a Estátua da Liberdade. É um bom programa para pedalar, e a programação de arte e eventos fica mais cheia entre a primavera e o outono.
Bushwick
O bairro do Brooklyn é conhecido pelos murais de arte urbana, concentrados nos arredores da estação Jefferson Street da linha L. Os murais são renovados com frequência, então cada visita mostra obras diferentes. A região também tem bares, cafés e brechós.
Brooklyn Botanic Garden e Prospect Park
O jardim botânico fica ao lado do Prospect Park e tem jardim japonês, roseiral e uma alameda de cerejeiras que floresce na primavera, geralmente entre o fim de março e o começo de maio. Dá para emendar com o parque e com o Museu do Brooklyn, que fica colado.
Teatro Off-Broadway
As produções Off-Broadway acontecem em salas menores, com capacidade entre 100 e 499 lugares, e costumam ter ingressos mais baratos que os grandes musicais. É onde aparecem peças mais experimentais e alguns espetáculos que depois vão para a Broadway.
Como montar o roteiro por região
Nova York é grande e o deslocamento consome tempo. Agrupar os passeios por área evita idas e vindas:
- Lower Manhattan: Estátua da Liberdade e Ellis Island, Memorial do 11 de Setembro, Wall Street, Oculus e travessia da Ponte do Brooklyn no fim da tarde.
- Midtown: Times Square, Rockefeller Center, Catedral de São Patrício, Grand Central, Bryant Park e um observatório.
- Central Park e museus: manhã no parque e tarde no Met ou no Museu de História Natural, que ficam em lados opostos do parque.
- Lado oeste: High Line, Chelsea Market, Little Island e Hudson Yards.
- Lower East Side e Village: Tenement Museum, SoHo, Greenwich Village e Washington Square Park.
- Brooklyn: DUMBO e Brooklyn Bridge Park num dia; Prospect Park, jardim botânico e Bushwick em outro.
- Queens e ilhas: Astoria, Roosevelt Island e Governors Island, conforme o tempo disponível.
Com cinco dias, dá para cobrir Manhattan com calma e reservar um dia para o Brooklyn. Com uma semana ou mais, entram o Queens e os passeios de ilha.
Programas gratuitos
A cidade é cara, mas muitos dos melhores programas não cobram entrada:
- balsa de Staten Island, que passa em frente à Estátua da Liberdade;
- Central Park, Bryant Park, Prospect Park e High Line;
- travessia a pé da Ponte do Brooklyn;
- piscinas do Memorial do 11 de Setembro;
- Catedral de São Patrício e saguão do Grand Central;
- murais de Bushwick e caminhadas por bairros como West Village e DUMBO.
Melhor época para ir
Primavera (abril a junho) e outono (setembro a novembro) têm temperaturas mais agradáveis para andar muito a pé, que é como se conhece Nova York. O verão é quente e úmido, mas tem eventos ao ar livre e parques cheios. O inverno é frio, pode ter neve e exige roupa adequada. Dezembro atrai muita gente por causa da decoração de Natal, da árvore do Rockefeller Center e das vitrines da Quinta Avenida, o que deixa hotéis mais caros e atrações mais cheias.
Como se locomover
O metrô funciona 24 horas e chega a quase todos os passeios desta lista. O pagamento é feito por aproximação na catraca, com cartão de crédito ou celular, pelo sistema OMNY, e há um teto de gasto semanal: a partir de certo número de viagens pagas na semana, as seguintes saem sem custo, desde que você use sempre o mesmo cartão ou celular. Em Manhattan, muita coisa se resolve a pé, e as ruas numeradas facilitam a orientação.
Antes de fechar as datas, vale ler os erros mais comuns ao planejar uma viagem para Nova York, que ajudam a evitar gastos e deslocamentos desnecessários.
Dicas práticas
- Reserve com antecedência o que tem vagas limitadas: pedestal e coroa da Estátua da Liberdade, Tenement Museum, observatório no pôr do sol e musicais concorridos.
- Compre ingressos nos sites oficiais das atrações ou em vendedores reconhecidos. Na rua, especialmente em Times Square e no Battery Park, há muita oferta de passeio e ingresso informal.
- Passes que reúnem várias atrações só compensam se você realmente for visitar a maioria delas. Faça a conta antes.
- Use calçado confortável: é comum caminhar muitos quilômetros por dia.
- Se pretende fazer compras, deixe espaço na mala e confira o que vale a pena trazer no guia sobre o que comprar nos Estados Unidos.
Escolha dois ou três clássicos por dia, encaixe um passeio menos óbvio na mesma região e deixe tempo livre para caminhar sem destino. É nessas caminhadas entre um ponto e outro que Nova York costuma surpreender.
Foto de capa: Fred Hsu on en.wikipedia/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

