Na hora de decidir o que comprar nos EUA, os itens que mais compensam costumam ser eletrônicos, maquiagem e skincare, roupas e tênis em outlets e lojas de desconto, enxoval de bebê, suplementos e livros em inglês. Antes de encher a mala, compare com o preço no Brasil somando o imposto local cobrado no caixa, o IOF do pagamento e o imposto de importação se as compras passarem da cota de isenção da Receita.
O que costuma valer a pena comprar nos Estados Unidos
A lista abaixo reúne as categorias que os brasileiros mais trazem na bagagem e o que observar em cada uma. Preço é só parte da conta: garantia, voltagem e espaço na mala pesam tanto quanto a etiqueta.
Eletrônicos

Notebooks, tablets, fones de ouvido, consoles de videogame, câmeras e relógios inteligentes costumam ter preço bem menor que no Brasil. Redes como a Best Buy, as lojas da Apple e grandes varejistas como Target e Walmart vendem a maioria dos modelos. Antes de pagar, confira quatro pontos:
- Voltagem: a tomada americana é de 110 a 120 V. Carregadores de notebook e celular costumam ser bivolt (100 a 240 V), mas confirme na etiqueta.
- Tomada: o plugue americano é diferente do brasileiro, então você vai precisar de adaptador.
- Celular: veja se o modelo funciona nas frequências de 4G e 5G usadas pelas operadoras brasileiras. Os iPhones vendidos nos Estados Unidos a partir do iPhone 14 não têm entrada para chip físico e só funcionam com eSIM.
- Teclado e garantia: notebooks americanos vêm com teclado sem a tecla Ç, e muitas marcas só dão assistência no país onde o produto foi vendido.
Maquiagem e skincare

A Sephora e a Ulta reúnem de marcas de luxo a opções mais baratas, e muitas delas não têm venda oficial no Brasil. Farmácias como CVS e Walgreens e os corredores de beleza da Target vendem as marcas de drogaria americanas. Kits e miniaturas ajudam a experimentar vários produtos sem gastar muito e ocupam pouco espaço. Na volta, lembre que líquidos acima de 100 ml não passam na bagagem de mão; o lugar deles é a mala despachada, bem embalados.
Roupas, tênis e acessórios

Os melhores preços em roupas de marca aparecem em três lugares: os outlets, como os centros da rede Premium Outlets; as lojas de desconto, como TJ Maxx, Marshalls e Ross, que vendem sobras de coleção; e as redes de moda acessível, como Old Navy e H&M. A Forever 21 também era parada comum, mas a operação americana da rede fechou as lojas físicas em 2025; confira a situação atual antes de incluir a marca no roteiro. Tênis esportivos e jeans de marcas americanas estão entre os itens que mais compensam. Os tamanhos seguem outra numeração: use a tabela de medidas em centímetros de cada loja e experimente sempre que puder.
Enxoval de bebê e roupa infantil
Muitas famílias montam parte do enxoval nos Estados Unidos, em lojas como Carter’s, Target e Walmart, porque bodies, pijamas e macacões costumam sair mais baratos. Como a criança cresce rápido, compre tamanhos variados, pensando na estação do ano em que cada um vai servir. Para itens de segurança, como cadeirinha de carro, confira antes as regras de certificação exigidas no Brasil.
Vitaminas e suplementos

Lojas como GNC e Vitamin Shoppe, além de farmácias e supermercados, têm variedade grande de vitaminas e suplementos. Só compre o que já foi indicado por um médico ou nutricionista: alguns ingredientes vendidos livremente lá têm regras diferentes aqui, e a dose adequada depende de cada pessoa. Traga quantidades compatíveis com uso pessoal e mantenha os frascos lacrados, com rótulo.
Livros e papelaria
A Barnes & Noble é a livraria mais conhecida para quem quer livros em inglês, mangás, cadernos e presentes. Livros impressos são isentos pela regra da Receita e não entram no cálculo da cota. Para papelaria e material de artesanato, as lojas da Target e redes especializadas como a Michaels têm bastante variedade.
O que geralmente não compensa
- Eletrodomésticos de tomada: air fryers, liquidificadores e secadores feitos para 110 V podem queimar em cidades com energia de 220 V e exigem transformador.
- Itens volumosos: panelas, malas extras e brinquedos grandes consomem a franquia de bagagem, e o excesso cobrado pela companhia aérea pode anular a economia.
- Produtos sem assistência no Brasil: se quebrar, o conserto pode sair mais caro que a diferença de preço.
- Alimentos frescos: frutas, carnes e laticínios in natura podem ser retidos na chegada pela fiscalização agropecuária.
Como economizar nas compras
- Faça a lista e pesquise o preço no Brasil antes de viajar. Assim você sabe na hora se a oferta compensa e evita compras por impulso.
- Conte com o sales tax. Nos Estados Unidos, o preço da etiqueta não inclui o imposto sobre vendas, que é somado no caixa e varia de estado para estado. Alguns, como Delaware e Oregon, não cobram imposto estadual sobre vendas.
- Aproveite as épocas de liquidação. A Black Friday, no fim de novembro, as semanas depois do Natal e feriados nacionais, como Memorial Day, 4 de Julho e Labor Day, costumam ter as maiores promoções.
- Cadastre o e-mail nas lojas. Muitas redes oferecem cupom de desconto na primeira compra para quem assina a newsletter ou baixa o aplicativo.
- Compare as formas de pagamento. Cartão de crédito brasileiro, conta internacional e dinheiro em espécie usam cotações diferentes, e as alíquotas de IOF mudaram nos últimos anos. Veja as condições atuais antes de embarcar e não conte com desconto por pagar em dinheiro.
- Compre on-line com retirada na loja. Várias redes permitem pagar pelo site e retirar no balcão. Se preferir receber no hotel, pergunte antes se ele aceita encomendas e se cobra taxa por isso.
Cota da Receita e declaração na volta
Hoje, quem chega ao Brasil de avião ou navio tem cota de isenção de US$ 1.000 por pessoa para compras no exterior, fora os itens de uso pessoal, como roupas usadas na viagem. O que passar desse valor paga imposto de importação de 50% sobre o excedente e precisa ser declarado. A cota é individual e não pode ser somada à de outro viajante para cobrir um único produto caro. O free shop do desembarque tem limite próprio, separado desse. Os valores mudam de tempos em tempos, então confira no site da Receita Federal antes de viajar.
Os detalhes de quanto gastar sem pagar imposto estão no guia sobre o limite de compras nos EUA, e o passo a passo da declaração está no texto sobre a alfândega na volta dos EUA. Guarde as notas fiscais: elas ajudam a comprovar valores se a bagagem for fiscalizada.
Como organizar as compras na viagem
Deixe as compras grandes para os últimos dias, depois de comparar preços em mais de uma loja, e reserve um tempo do roteiro só para isso. Levar uma mala parcialmente vazia, ou uma bolsa dobrável, evita a compra de mala extra. Se a viagem incluir Nova York, dá para combinar passeios e lojas em um mesmo bairro, como mostra o roteiro de o que fazer em Nova York.
Comprar bem nos Estados Unidos é menos sobre achar a loja certa e mais sobre fazer a conta completa: preço da etiqueta, sales tax, IOF, cota e espaço na mala. Com a lista do que comprar nos EUA pronta e os preços do Brasil anotados, fica fácil ver o que realmente compensa trazer.
Foto de capa: The original uploader was Coolcaesar at English Wikipedia./Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

