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Sábado, 7 de novembro de 2026

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O que a Páscoa significa: origem, símbolos e tradições

Páscoa vem do hebraico Pessach, "passagem": para os judeus, lembra a saída do Egito; para os cristãos, a ressurreição de Jesus. Veja a origem da palavra, como a data é definida e o sentido de cada símbolo.

Tiago da Silva CândidoPorTiago da Silva Cândido Atualizado em 8 min de leitura
O Que Realmente Significa a Páscoa em 2026?
O Que Realmente Significa a Páscoa em 2026?
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Páscoa vem de Pessach, palavra hebraica ligada à ideia de “passagem”. Para os judeus, a festa lembra a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito. Para os cristãos, celebra a ressurreição de Jesus, a passagem da morte para a vida, e é a data mais importante do seu calendário. Esse é o significado da Páscoa que aparece, de formas diferentes, nos principais símbolos da data, do cordeiro ao ovo.

De onde vem a palavra Páscoa

O português herdou a palavra do latim pascha, que veio do grego e, antes, do aramaico e do hebraico pessach. No livro do Êxodo, o termo está ligado ao verbo “passar por cima”: segundo o relato, na noite da décima praga, Deus passou por cima das casas marcadas com o sangue de um cordeiro e poupou os primogênitos dos hebreus. Com o tempo, a ideia de passagem ganhou também o sentido de travessia, da escravidão para a liberdade.

Da mesma raiz vieram Pascua, em espanhol, Pasqua, em italiano, e Pâques, em francês. Já o inglês Easter e o alemão Ostern vêm de outra raiz, de origem germânica.

A Páscoa judaica: a libertação do Egito

O Pessach relembra a saída dos hebreus do Egito, narrada no livro do Êxodo. Pelo relato bíblico, depois de dez pragas o faraó deixou o povo partir, e a saída foi tão apressada que não houve tempo de esperar o pão crescer. É uma das festas mais importantes do judaísmo: começa no dia 15 do mês de Nissan, que cai entre março e abril, e dura sete dias em Israel e, em geral, oito fora de lá.

O centro da festa é o Sêder, o jantar das primeiras noites, em que a família lê a Hagadá, o texto que conta a história da libertação. É tradição que a criança mais nova da mesa faça as perguntas que abrem a narrativa, a começar por “por que esta noite é diferente de todas as outras?”. Cada alimento tem um sentido:

  • Matsá: o pão sem fermento, que lembra a pressa da partida. Durante toda a festa, alimentos fermentados ficam fora da mesa.
  • Maror: ervas amargas, que lembram o sofrimento da escravidão.
  • Charosset: pasta de frutas, nozes e vinho que representa a argamassa usada pelos escravos nas construções do Egito.
  • Zroa: um osso assado, lembrança do cordeiro sacrificado na noite da saída.
  • Quatro taças de vinho, ligadas às promessas de libertação feitas no Êxodo.

Para quem prefere vídeo, há uma explicação sobre a origem da Páscoa judaica e de como ela se liga à cristã.

A Páscoa cristã: a ressurreição de Jesus

Para os cristãos, a Páscoa celebra a ressurreição de Jesus, que, segundo os Evangelhos, aconteceu no domingo, o terceiro dia depois da crucificação. É a festa principal do cristianismo, mais antiga e mais importante do que o Natal. A ligação com o Pessach é direta: Jesus estava em Jerusalém para a Páscoa judaica, e a Última Ceia aconteceu nesse contexto. O apóstolo Paulo chega a escrever que “Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (1 Coríntios 5:7), fazendo de Jesus o novo cordeiro pascal.

A celebração ocupa a Semana Santa, que encerra os cerca de 40 dias da Quaresma, iniciada na Quarta-feira de Cinzas:

  • Domingo de Ramos: lembra a entrada de Jesus em Jerusalém, recebido com ramos.
  • Quinta-feira Santa: Última Ceia, com o lava-pés e a instituição da Eucaristia.
  • Sexta-feira Santa, ou da Paixão: dia da crucificação e morte, com jejum e abstinência de carne entre os católicos.
  • Sábado Santo: dia de silêncio e espera; à noite acontece a Vigília Pascal, considerada a celebração mais importante do ano litúrgico católico.
  • Domingo de Páscoa: a ressurreição, que abre o Tempo Pascal, de 50 dias, até Pentecostes.

As igrejas evangélicas também celebram a ressurreição, com cultos especiais e, em geral, sem os ritos litúrgicos católicos. Para aprofundar, leia mais sobre a Páscoa cristã e sua relação com a judaica.

Por que a data da Páscoa muda todo ano

A Páscoa cristã não tem dia fixo porque segue a lua, herança da ligação com o Pessach. Pela regra usada nas igrejas ocidentais, ela cai no primeiro domingo depois da primeira lua cheia a partir de 21 de março. Por isso a data varia entre 22 de março e 25 de abril; em 2027, por exemplo, o domingo de Páscoa será em 28 de março. As igrejas ortodoxas fazem o cálculo pelo calendário juliano e muitas vezes celebram em outro domingo.

A Páscoa também define outras datas do calendário brasileiro: a terça-feira de Carnaval cai 47 dias antes, e Corpus Christi, 60 dias depois.

O que significam os símbolos da Páscoa

Parte dos símbolos da Páscoa vem da Bíblia e da liturgia; outra parte nasceu de costumes populares europeus.

Cordeiro

É o símbolo mais antigo. No Pessach, lembra o cordeiro cujo sangue marcou as portas das casas hebreias. No cristianismo, representa Jesus, chamado de “Cordeiro de Deus” no Evangelho de João; a imagem do cordeiro com uma bandeira indica a vitória sobre a morte. Veja mais sobre o cordeiro pascal e outros símbolos da liturgia.

Pão e vinho

Na Última Ceia, Jesus partiu o pão e ofereceu o vinho aos discípulos como seu corpo e seu sangue, gesto que as igrejas repetem na Eucaristia, ou Santa Ceia. Na mesa judaica, o pão sem fermento e as taças de vinho também têm lugar central. Há mais detalhes sobre a Páscoa e a Santa Ceia e o sentido desse rito.

Ovo

Em muitas culturas antigas, o ovo já simbolizava vida e renascimento. Os cristãos passaram a associá-lo à ressurreição: da casca fechada, como do túmulo, surge vida nova. Uma explicação frequente para o costume de presentear é que, na Idade Média, ovos estavam entre os alimentos evitados na Quaresma e voltavam à mesa na Páscoa, muitas vezes cozidos e pintados. Os ovos de chocolate só surgiram no século XIX, na Europa, e viraram o presente típico da data no Brasil. Para presentear gastando pouco, há ideias de lembrancinhas de Páscoa que dá para fazer em casa.

Coelho

O coelho não aparece na Bíblia. A figura do coelho que traz ovos, originalmente uma lebre, vem do folclore de regiões de língua alemã, com registros desde o século XVII, e se espalhou com imigrantes europeus. A ligação com fertilidade e vida nova vem da fama do animal de ter muitos filhotes. No Hemisfério Norte, a Páscoa cai na primavera, época de filhotes e flores, o que ajuda a explicar a dupla ovo e coelho; no Brasil, ela acontece no outono. O Ministério Público Federal tem uma explicação para crianças sobre o significado do ovo e do coelho.

Círio pascal

É a grande vela acesa na Vigília Pascal, a partir de um fogo novo, para representar Cristo ressuscitado como a luz que vence a escuridão. Traz uma cruz, as letras gregas alfa e ômega (o princípio e o fim), os números do ano e cinco grãos de incenso, que lembram as chagas de Jesus. Fica acesa nas celebrações do Tempo Pascal e depois é usada em batizados e funerais. Veja também a origem do círio pascal e de outras tradições. Para quem ajuda a preparar a comunidade, há ideias de decoração de Páscoa na igreja que usam esses símbolos.

Colomba e sinos

A colomba pascal, pão doce italiano em forma de pomba, remete à paz. Os sinos, que em muitas igrejas silenciam da Quinta-feira Santa até a Vigília, voltam a tocar para anunciar a ressurreição.

Tradições da Páscoa no Brasil

Por aqui, a data mistura fé e costumes populares. Na Sexta-feira Santa, muitas famílias trocam a carne por peixe, e o bacalhau, herança portuguesa, é um dos pratos mais tradicionais. Procissões e encenações da Paixão reúnem multidões, como a de Nova Jerusalém, em Pernambuco, e em algumas cidades ainda se faz a malhação do Judas no Sábado de Aleluia. No domingo, o almoço em família e a troca de ovos de chocolate fecham a semana, e a casa costuma ganhar mesa enfeitada e decoração de Páscoa com coelhos, ovos e flores.

Como explicar a Páscoa para crianças

Com os pequenos, funciona começar pela ideia de passagem e recomeço, seguindo a crença da família, e usar os símbolos na conversa: o ovo como vida nova, o coelho como tradição popular e o chocolate como presente, não como motivo da festa. Atividades de Páscoa para imprimir, como desenhos para colorir, deixam a explicação mais concreta.

Perguntas frequentes

Judeus e cristãos celebram a Páscoa no mesmo dia?

Nem sempre. O Pessach começa sempre no dia 15 de Nissan do calendário judaico, sem precisar cair num domingo. A Páscoa cristã é sempre num domingo e segue outra regra de cálculo. As duas costumam ficar próximas, às vezes na mesma semana, mas podem ter semanas de diferença.

Por que o sábado antes da Páscoa se chama Sábado de Aleluia?

É o nome popular do Sábado Santo. Durante a Quaresma, a liturgia católica deixa de cantar o “aleluia”, que volta a ser entoado na Vigília Pascal, na noite desse sábado, para celebrar a ressurreição.

A Páscoa tem origem em festas pagãs?

A Páscoa cristã nasceu da judaica, e não de uma festa pagã. Alguns costumes populares, como o coelho, vieram do folclore europeu, e o nome em inglês é associado por um monge do século VIII a uma deusa anglo-saxã chamada Eostre, sobre quem quase nada se sabe. A ideia de que a festa inteira teria origem pagã não tem base histórica.

Em qualquer tradição, o significado da Páscoa está na ideia de passagem: da escravidão para a liberdade, da morte para a vida. Conhecer esse sentido ajuda a explicar a data às crianças e a olhar de outro jeito para os símbolos que aparecem na mesa.

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