Xangai, no litoral leste da China, rende bem em três ou quatro dias: dá para caminhar pelo Bund olhando os arranha-céus de Pudong, visitar o Jardim Yu e a cidade antiga, passear pela antiga Concessão Francesa, subir a um mirante e fazer um bate-volta a uma cidade d’água. Primavera e outono têm o clima mais agradável; o verão é quente e chuvoso.
Como a cidade se organiza
Xangai fica perto da foz do rio Yangtzé e é cortada pelo rio Huangpu, que divide a cidade em duas partes. A oeste fica Puxi, o lado mais antigo, com o Bund, a cidade velha, a Nanjing Road e os bairros das antigas concessões estrangeiras. A leste fica Pudong, que começou a ser transformada em centro financeiro nos anos 1990 e hoje reúne os arranha-céus do distrito de Lujiazui.
A mistura de estilos vem da história. Depois da Primeira Guerra do Ópio, o Tratado de Nanquim, de 1842, abriu o porto de Xangai ao comércio estrangeiro. Britânicos, americanos e franceses criaram áreas com administração própria, as concessões, que deixaram prédios de bancos, mansões e ruas arborizadas em estilo europeu. Essas áreas voltaram ao controle chinês na década de 1940.
O que ver em Xangai
Bund

O Bund é o calçadão na margem oeste do Huangpu, ladeado por edifícios do início do século 20 construídos por bancos, hotéis e companhias de comércio, em estilos que vão do neoclássico ao art déco. Do outro lado do rio aparece o skyline de Pudong. Vá no fim da tarde e fique até escurecer, quando os prédios das duas margens se acendem. O passeio pelo calçadão é gratuito.
Pudong e os mirantes

Em Lujiazui estão os prédios dos cartões-postais: a Torre Pérola do Oriente, com suas esferas cor-de-rosa, a Jin Mao Tower, o Shanghai World Financial Center, apelidado de abridor de garrafas pelo formato do topo, e a Torre de Xangai, a mais alta da China. Todos têm observatórios pagos. Em dia de poluição ou neblina a vista do alto fica comprometida, então olhe o céu antes de comprar o ingresso. Para atravessar o rio, o metrô (linha 2) é o caminho mais rápido, e a balsa pública entre as margens é barata e rende boa vista.
Jardim Yu e a cidade antiga

O Jardim Yu (Yuyuan) é um jardim clássico criado no século 16, durante a dinastia Ming, com pavilhões, lagos com carpas, pontes e rochas decorativas. Ao redor fica o bazar do Templo do Deus da Cidade, com construções em estilo tradicional, lojas de lembrancinhas e casas de lanche, além da casa de chá sobre o lago, acessada por uma ponte em zigue-zague. O jardim cobra ingresso e enche muito em fins de semana e feriados: chegue na abertura.
Nanjing Road e Praça do Povo

A Nanjing Road começa perto do Bund. O trecho leste é um calçadão de pedestres com lojas de departamento, restaurantes e letreiros luminosos, mais bonito à noite. Ele termina na Praça do Povo, onde fica o Museu de Xangai, com acervo de bronzes, cerâmica, caligrafia e pintura chinesa; confira no site oficial se é preciso reservar a entrada. O trecho oeste da avenida, em Jing’an, reúne shoppings de luxo e o Templo Jing’an, um templo budista cercado de arranha-céus.
Antiga Concessão Francesa
É o bairro para caminhar sem pressa: ruas com plátanos, casas de estilo europeu, cafés, lojas independentes e restaurantes. A Wukang Road tem alguns dos prédios mais fotografados da região. Tianzifang é um labirinto de vielas com lojas e bares instalados em casas shikumen, o sobrado típico de Xangai, com portal de pedra. Xintiandi é uma área de shikumen restaurados, com restaurantes e bares, mais cara e arrumada.
Zhujiajiao e outras cidades d’água
Para ver o lado de canais e pontes de pedra da região, Zhujiajiao, no distrito de Qingpu, fica dentro do município de Xangai e tem acesso por metrô (linha 17). Com um dia a mais, Suzhou, conhecida pelos jardins clássicos, e Hangzhou, do Lago Oeste, são bate-voltas comuns de trem de alta velocidade.
Roteiro de três dias
- Dia 1: Jardim Yu e cidade antiga pela manhã, Nanjing Road e Praça do Povo à tarde, Bund no fim da tarde.
- Dia 2: Pudong, com um mirante, e travessia de balsa; à tarde e à noite, Antiga Concessão Francesa, Tianzifang e Xintiandi.
- Dia 3: Zhujiajiao pela manhã e, na volta, Museu de Xangai ou Templo Jing’an. Com um quarto dia, faça o bate-volta a Suzhou ou Hangzhou.
Para encaixar tudo sem cruzar a cidade várias vezes, agrupe os pontos por bairro e marque as estações de metrô antes de sair. Se ainda não tem esse hábito, veja como montar um mapa de viagem sem os erros mais comuns.
O que comer

- Xiaolongbao: bolinhos de massa fina cozidos no vapor, recheados de carne de porco e caldo. Morda uma pontinha, sorva o caldo com cuidado, porque sai muito quente, e depois coma o resto.
- Shengjian bao: parentes fritos do xiaolongbao, com massa mais grossa, fundo crocante e gergelim e cebolinha por cima.
- Hong shao rou: barriga de porco cozida lentamente em molho de soja e açúcar, exemplo do tempero adocicado da cozinha local.
- Cong you ban mian: macarrão com óleo de cebolinha frita e molho de soja, simples e barato.
- Café da manhã de rua: youtiao (massa frita comprida), leite de soja quente e cifantuan, um rolinho de arroz glutinoso recheado.
- Caranguejo peludo: especialidade de outono, por volta de outubro e novembro.
A carne de porco aparece em muitos pratos. Quem não come carne pode levar no celular uma frase em chinês que explique isso, para mostrar no restaurante.
Onde se hospedar
- Bund e Nanjing Road leste: perto das atrações mais visitadas, bom para uma primeira viagem.
- Praça do Povo: cruzamento de várias linhas de metrô, prático para circular.
- Antiga Concessão Francesa e Jing’an: mais charme, cafés e restaurantes, com hotéis boutique.
- Pudong (Lujiazui): hotéis de rede em arranha-céus, com vista para o Bund e acesso mais fácil ao aeroporto de Pudong.
Quando ir
O clima é subtropical úmido, e as estações são opostas às do Brasil. A primavera (abril e maio) e o outono (de meados de setembro a novembro) são as melhores épocas, com temperaturas amenas. O verão é quente e úmido, com um período de chuvas que costuma cair entre junho e julho e possibilidade de tufões no fim da estação. O inverno é frio e cinzento, com mínimas perto de zero grau, mas tem menos turistas. Evite o Ano Novo Chinês, entre janeiro e fevereiro, e a Semana Dourada, a partir de 1º de outubro, quando a cidade e os trens lotam.
O que saber antes de viajar
- Visto: as regras para brasileiros mudaram nos últimos anos, com períodos de isenção temporária e programas de trânsito sem visto. Confira a regra em vigor no site da Embaixada da China no Brasil antes de comprar a passagem.
- Como chegar: as rotas a partir do Brasil têm ao menos uma conexão. O aeroporto de Pudong recebe a maioria dos voos internacionais e se liga à cidade por metrô e pelo Maglev, trem de levitação magnética que faz o trecho até a estação Longyang Road em poucos minutos.
- Pagamentos: quase tudo se paga pelo celular, com Alipay ou WeChat Pay, que aceitam cartões estrangeiros no cadastro. Configure os aplicativos antes de viajar e leve algum dinheiro em yuan (CNY) como reserva.
- Internet: Google, WhatsApp e Instagram são bloqueados na China continental. Roaming internacional e alguns chips virtuais de viagem costumam funcionar sem esse bloqueio; confirme com a operadora e baixe mapas e tradutor offline.
- Transporte: o metrô é extenso, barato e tem placas em inglês. Táxis e carros de aplicativo funcionam bem, mas tenha o endereço do hotel escrito em chinês.
- Idioma: o mandarim é a língua oficial, e muitos moradores também falam o dialeto local. Fora de hotéis e áreas turísticas, pouca gente fala inglês.
- Tomadas: a voltagem é 220 V, e os plugues mais comuns são dos tipos A e I. Leve um adaptador universal.
- Segurança: a cidade é considerada segura. Desconfie de estranhos simpáticos que convidam turistas para uma casa de chá ou um bar nas áreas centrais: é um golpe conhecido que termina em conta altíssima.
Se a viagem incluir outros países da região, o guia de turismo no Vietnã para a primeira viagem ajuda a planejar a segunda parte do roteiro.
Com três ou quatro dias, dá para conhecer os dois lados do rio, comer bem e ainda sair da cidade por um dia. Resolva visto, pagamento e internet antes de embarcar: são os pontos que mais complicam a chegada de quem vai à China pela primeira vez.
Foto de capa: MasaneMiyaPA/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

