No mapa do Pantanal mato-grossense, a planície ocupa o sudoeste de Mato Grosso, ao sul de Cuiabá, e vai até a divisa com Mato Grosso do Sul e a fronteira com a Bolívia. As principais portas de entrada são Poconé, de onde sai a Transpantaneira, Barão de Melgaço, às margens do rio Cuiabá, e Cáceres, no rio Paraguai. Todas são acessadas a partir de Cuiabá.
Onde fica o Pantanal no mapa do Brasil
O Pantanal fica no Centro-Oeste, na bacia do Alto Paraguai. É uma grande planície cercada por planaltos: os rios nascem nas partes altas, descem para a área baixa e, na época das chuvas, transbordam e alagam os campos. A maior parte do bioma está em Mato Grosso do Sul; Mato Grosso tem a porção norte. A planície continua do outro lado da fronteira, na Bolívia e no Paraguai.
Mesmo sendo o menor bioma brasileiro em área, o Pantanal é uma das maiores áreas úmidas contínuas do planeta. Um conjunto de áreas protegidas da região, que inclui o Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense, é Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO desde 2000.
Uma observação sobre a grafia: muita gente pesquisa “Pantanal matogrossense”, tudo junto, mas a forma correta é mato-grossense, com hífen. As duas se referem ao mesmo lugar.
Como ler o mapa: rios, sub-regiões e termos locais
Num mapa de relevo, o Pantanal parece uma mancha quase uniforme, porque o terreno é muito plano. O que organiza a região são os rios. Em Mato Grosso, os dois que mais importam para quem viaja são:
- Rio Cuiabá: passa pela capital, por Santo Antônio de Leverger e por Barão de Melgaço e chega à região de Porto Jofre, no fim da Transpantaneira.
- Rio Paraguai: corre pelo lado oeste, passa por Cáceres e é o grande rio que recebe as águas de toda a planície.
Uma divisão usada pela Embrapa Pantanal separa o bioma em sub-regiões, de acordo com o relevo, o solo, a vegetação e a forma como cada área alaga. Três delas levam nomes de cidades mato-grossenses: Cáceres, Poconé e Barão de Melgaço. Esses nomes aparecem em mapas técnicos, em estudos e nas descrições de pousadas.
Alguns termos locais ajudam a entender mapas e roteiros:
- Baía: lagoa, permanente ou temporária.
- Corixo: canal que liga baías e rios e corre com mais força na cheia.
- Vazante: faixa de terreno mais baixo por onde a água escoa.
- Cordilheira: faixa de terreno um pouco mais alto, com mata, que não costuma alagar.
- Capão: ilha de mata arredondada no meio do campo.
As portas de entrada do Pantanal em Mato Grosso
Quase todo roteiro começa em Cuiabá. O aeroporto fica em Várzea Grande, cidade colada à capital, e de lá se segue de carro, de transfer da pousada ou de ônibus até a cidade escolhida. As distâncias abaixo são aproximadas, a partir de Cuiabá.
| Destino | Distância aproximada | Acesso | Para quem é |
|---|---|---|---|
| Poconé | cerca de 100 km | Asfalto (MT-060) | Quem quer começar a Transpantaneira e ficar em pousadas de fazenda |
| Porto Jofre | cerca de 250 km | Asfalto até Poconé e depois cerca de 150 km de terra | Observação de onça-pintada e passeios de barco |
| Barão de Melgaço | pouco mais de 100 km | Asfalto, passando pela região de Santo Antônio de Leverger | Baías, pesca e passeios de barco no rio Cuiabá |
| Cáceres | pouco mais de 200 km | Asfalto | Pesca e passeios no rio Paraguai |
Poconé, a entrada da Transpantaneira

Poconé é a cidade mais procurada por quem vai ao Pantanal norte. Na saída para o sul começa a Transpantaneira, e boa parte das pousadas fica ao longo dela. O Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense também fica no município, mas é longe da cidade, tem acesso basicamente por rio e a visita depende de autorização do ICMBio.
Transpantaneira, a estrada que corta a planície

A Transpantaneira é o trecho de terra da MT-060, com cerca de 150 km entre Poconé e Porto Jofre e dezenas de pontes, parte delas de madeira. No mapa, ela aparece como uma linha reta rumo ao sul, e termina às margens do rio Cuiabá, perto da divisa com Mato Grosso do Sul. Alguns cuidados práticos:
- Abasteça em Poconé e não conte com posto de combustível ao longo da estrada.
- Dirija devagar: há buracos, pontes estreitas e animais atravessando.
- Na época das chuvas, alguns trechos ficam ruins; carro mais alto dá mais segurança.
- Baixe o mapa no celular antes de sair, porque o sinal some em boa parte do caminho.
Em Porto Jofre ficam as saídas de barco para o Parque Estadual Encontro das Águas, conhecido pela observação de onças-pintadas, principalmente na seca.
Barão de Melgaço e Santo Antônio de Leverger

Seguindo o rio Cuiabá a partir da capital, o caminho passa por Santo Antônio de Leverger, município onde fica o distrito de Mimoso, terra natal do Marechal Rondon, e chega a Barão de Melgaço, cidade ribeirinha que dá acesso a grandes baías, como a de Chacororé e a de Siá Mariana. Aqui o Pantanal se explora mais de barco do que de carro, com pesca, observação de aves e pôr do sol sobre a água.
Cáceres, no rio Paraguai
Cáceres fica no oeste do estado, perto da fronteira com a Bolívia, e é uma das cidades mais antigas de Mato Grosso, fundada no século 18. É a base de quem quer pescar ou passear de barco pelo rio Paraguai e é sede do tradicional Festival Internacional de Pesca. O Pantanal visto dali é de rio largo e mata nas margens, bem diferente dos campos abertos da Transpantaneira.
Onde conseguir um bom mapa
- Aplicativo de mapa no celular: serve para o caminho, desde que você baixe a área para usar sem internet antes de sair de Cuiabá.
- Mapas do IBGE: ajudam a entender os limites do bioma e dos municípios.
- Publicações da Embrapa Pantanal: mostram as sub-regiões e explicam o ciclo das águas.
- Pousadas e guias locais: costumam ter mapas da Transpantaneira com as pontes, as fazendas e os pontos de observação, e sabem como está a estrada naquela semana.
Se você gosta de planejar com o mapa na mão, estas dicas para montar um mapa de viagem sem erros servem bem para o Pantanal. Para o trecho de estrada até Cuiabá, o mapa rodoviário do Brasil ajuda a calcular o caminho.
Roteiros possíveis a partir do mapa
- Dois ou três dias: Poconé e os primeiros quilômetros da Transpantaneira, com pernoite em pousada de fazenda. Dá para ver jacarés, capivaras e muitas aves.
- Quatro ou cinco dias: Transpantaneira inteira até Porto Jofre, com um ou dois dias de barco para tentar ver a onça. Faz mais sentido na seca.
- Roteiro de rio: Barão de Melgaço ou Cáceres, para quem prefere pesca e passeios de barco.
- Combinado com a Chapada dos Guimarães: a Chapada fica a cerca de 65 km de Cuiabá, em área de cerrado, e costuma entrar no mesmo roteiro, antes ou depois do Pantanal.
Quando ir
Na seca, mais ou menos de julho a outubro, a estrada fica melhor e os bichos se concentram perto da água, o que facilita a observação. Na cheia, no começo do ano, a paisagem fica alagada e verde, o barco ganha espaço e alguns trechos de terra ficam difíceis. Para pesca, confira antes as regras estaduais: Mato Grosso tem período de defeso na piracema e restrições por espécie, definidas pela Secretaria de Meio Ambiente do estado.
Para ver como a região aparece em cada época, com bichos, paisagens e dicas de onde fotografar, veja as fotos do Pantanal de Mato Grosso e as imagens de animais do Pantanal.
Com o mapa entendido, o planejamento fica simples: escolha a porta de entrada pelo que você quer fazer, calcule o tempo de estrada a partir de Cuiabá e reserve a hospedagem com antecedência, principalmente na seca, que é a época mais procurada.

