Os animais da Amazônia que o viajante tem mais chance de ver são o boto-cor-de-rosa, o jacaré, macacos como o macaco-de-cheiro e o guariba, o bicho-preguiça, araras, papagaios, tucanos e peixes como o pirarucu. Onça-pintada, harpia, peixe-boi e ariranha também vivem na floresta, mas são bem mais difíceis de encontrar. As melhores chances vêm de passeios com guia local, em reservas e hospedagens de selva.
Por que ver bichos na Amazônia exige paciência
A floresta amazônica abriga uma das maiores biodiversidades do planeta, mas a vegetação fechada esconde boa parte dos animais. Muitos vivem na copa das árvores, outros são noturnos e vários fogem ao menor barulho. Quem chega esperando um safári costuma se frustrar. A observação funciona melhor de barco ou canoa, no começo da manhã e no fim da tarde, com um guia que conhece os sons e os hábitos da fauna.
Este guia fala do que dá para ver numa viagem. Para conhecer mais espécies do bioma, veja a lista de animais que vivem na Amazônia. E, se o objetivo principal é fotografar muitos bichos em poucos dias, o Pantanal, de paisagem aberta, costuma ser mais fácil: as imagens de animais do Pantanal ajudam a comparar os dois destinos.
Animais que você tem mais chance de ver
Boto-cor-de-rosa

O maior golfinho de rio do mundo vive nos rios e lagos da bacia amazônica. A cor rosada fica mais forte nos adultos, principalmente nos machos, e as vértebras do pescoço não são fundidas, o que permite virar a cabeça e nadar entre troncos na floresta alagada. O boto aparece com frequência em passeios de barco, e a espécie está ameaçada de extinção. No folclore da região, é o personagem que vira um rapaz bonito para seduzir moças nas festas.
Jacaré-açu e jacaretinga

O jacaré-açu é um dos maiores predadores da Amazônia e a maior espécie de jacaré, podendo passar dos 4 metros. O jacaretinga, menor, é mais comum. Os dois são vistos principalmente à noite, na chamada focagem: o guia percorre o rio de canoa com uma lanterna, e os olhos dos jacarés refletem a luz. Muitas hospedagens de selva oferecem esse passeio.
Pirarucu

Um dos maiores peixes de escamas de água doce do mundo, o pirarucu pode chegar a cerca de 3 metros. Ele precisa subir à superfície para respirar ar, e é nesse momento que dá para vê-lo em lagos e em áreas de manejo. A pesca é controlada, e em várias comunidades, como na Reserva Mamirauá, no Amazonas, o manejo sustentável ajudou a recuperar populações que estavam em queda.
Bicho-preguiça
Duas espécies aparecem com mais frequência: a preguiça-comum, de três dedos, e a preguiça-real, de dois dedos. Como se movem devagar e passam horas paradas no alto das árvores, são mais fáceis de achar do que parecem, desde que alguém aponte para onde olhar. As de três dedos descem ao chão mais ou menos uma vez por semana para fazer as necessidades, e é quando ficam mais vulneráveis.
Macacos
O macaco-de-cheiro anda em grupos grandes e agitados e costuma aparecer na beira dos rios. O guariba, também chamado de bugio, é mais ouvido do que visto: o ronco dos machos, geralmente ao amanhecer, alcança longas distâncias. Em áreas específicas vivem espécies que despertam a curiosidade dos visitantes, como o uacari-branco, de cara vermelha, encontrado na floresta alagada da Reserva Mamirauá. Pesquisadores associam o rosto bem vermelho a um animal saudável.

Araras, papagaios e tucanos
A Amazônia tem uma enorme variedade de aves. Araras e papagaios costumam passar voando em pares ou bandos ao amanhecer e no fim da tarde, e os tucanos aparecem em árvores com frutos. Um binóculo faz muita diferença. As fotos da floresta amazônica e seus animais dão uma ideia das cores que você pode encontrar.
Espécies difíceis de encontrar
Alguns dos animais mais famosos da Amazônia raramente aparecem para o turista. Vale saber quem são para valorizar um encontro de sorte:
- Onça-pintada: o maior felino das Américas vive na floresta, mas é discreta. Na Reserva Mamirauá, pesquisadores registraram onças que passam a época da cheia no alto das árvores.
- Harpia: também chamada de gavião-real, é uma das maiores aves de rapina do mundo. Costuma ser vista em passeios guiados até ninhos já conhecidos.
- Peixe-boi-da-amazônia: é o único peixe-boi que vive só em água doce. Tímido e ameaçado, raramente fica na superfície tempo suficiente para ser visto.
- Ariranha: a maior lontra do mundo vive em grupos familiares, é muito barulhenta e também está ameaçada. Em alguns rios e lagos, dá para ter a sorte de ver um grupo pescando.
- Sucuri: uma das maiores e mais pesadas serpentes do mundo passa boa parte do tempo na água, escondida na vegetação das margens.
Onde observar a fauna amazônica
- Arredores de Manaus e rio Negro: a região concentra hospedagens de selva e passeios de barco e fica perto do Parque Nacional de Anavilhanas, um dos maiores arquipélagos fluviais do mundo. As águas escuras do rio Negro costumam ter menos mosquitos do que os rios de água barrenta.
- Reserva Mamirauá, perto de Tefé (AM): área de floresta de várzea com turismo de base comunitária, conhecida pela observação de uacaris, botos e aves e pelo manejo do pirarucu.
- Alta Floresta (MT): no sul da Amazônia, é um destino procurado por quem viaja para observar aves.
- Belém (PA): a capital paraense é porta de entrada para a Ilha do Marajó e para a Amazônia oriental. O mercado do Ver-o-Peso, em Belém, mostra peixes, frutas e ervas da região.
Prefira hospedagens e agências que trabalhem com guias da própria região e com comunidades locais. Eles conhecem a floresta melhor do que ninguém, e esse tipo de turismo ajuda a manter a mata em pé.
Cheia ou seca: a época muda o passeio
Na Amazônia, o calendário é dado pelos rios. Na região de Manaus, as águas costumam estar mais altas entre maio e julho e mais baixas entre setembro e novembro, mas isso varia de um lugar para outro e de um ano para outro.
- Cheia: a canoa entra na floresta alagada, os igapós e as várzeas, e passa perto da copa das árvores, o que ajuda a ver macacos, preguiças e aves.
- Seca: surgem praias de rio e trilhas que ficam submersas na cheia, e peixes e jacarés se concentram em lagos menores, o que facilita a observação desses animais.
Não existe época ruim, só passeios diferentes. Pergunte à hospedagem quais atividades funcionam no mês da sua viagem.
Como observar com segurança e sem perturbar os animais
- Vá com guia credenciado e siga as orientações dele sobre distância e barulho.
- Não alimente nem toque animais silvestres e desconfie de passeios que oferecem isso fora de programas regulamentados.
- Desligue o flash e fale baixo. Muitos bichos fogem com barulho.
- Use roupas leves de cor neutra, calça e manga comprida, e repelente.
- Leve binóculo: para ver aves e macacos, ele vale mais do que uma câmera cara.
- Não compre artesanato feito com penas, dentes, couro ou outras partes de animais silvestres. O comércio dessas peças sem autorização é crime ambiental.
- Antes de entrar na água, pergunte ao guia onde o banho é seguro.
- Confira com um serviço de saúde, com antecedência, se a sua vacina contra febre amarela está em dia.
Nas trilhas, olhe onde apoia a mão. A tocandira, também chamada de tucandeira ou formiga-cabo-verde, tem uma das ferroadas mais doloridas entre os insetos, e a dor pode durar horas. O povo Sateré-Mawé usa essa formiga no ritual da tucandeira, uma cerimônia de passagem dos meninos para a vida adulta.

Uma viagem à Amazônia rende mais quando a expectativa é de encontro, e não de vitrine: cada boto que aparece e cada arara que cruza o rio dependem de paciência e de um bom guia. Escolha a região pelo tipo de bicho que você mais quer ver e combine com a época certa do rio.

