Órgão revisou para cima a previsão de crescimento de 2026 e estima pequeno excedente neste ano.
O Conselho das Finanças Públicas (CFP) de Portugal prevê que o país feche 2026 com excedente de 0,2% do PIB, mas volte a registrar défice equivalente a 0,2% do produto interno bruto em 2027. A projeção consta da atualização do estudo Perspetivas Económicas e Orçamentais 2026-2030, divulgada nesta quinta-feira.
Segundo o órgão, a economia portuguesa deve crescer 2,2% em 2026, acima dos 1,6% estimados em abril. O CFP atribui a revisão à resistência da atividade diante das tempestades atlânticas e do choque energético ligado ao conflito no Oriente Médio e ao fechamento do Estreito de Ormuz.
Investimento público ajuda resultado de 2026
O CFP estima alta nominal de cerca de 22,3% do investimento público neste ano, associada à fase final do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Para a entidade, esse movimento ajuda a limitar os efeitos dos choques externos sobre a economia.
O excedente projetado ainda não considera a nova redução do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS), pois as tabelas de retenção na fonte não eram conhecidas quando o relatório foi fechado. O governo calcula impacto de 400 milhões de euros com a medida, que reduz as taxas nos seis primeiros escalões e pode beneficiar cerca de 2,9 milhões de famílias.
Também ficaram fora do cálculo os novos apoios a setores expostos aos custos dos combustíveis, aprovados pelo Conselho de Ministros em 17 de setembro. O CFP considera, porém, despesas ligadas às tempestades e ao conflito militar no Irã, além de uma maior utilização de empréstimos do PRR.
Receita sustenta pequeno superávit
De acordo com o conselho, a arrecadação de impostos indiretos, sobretudo o IVA, deve crescer com o consumo privado nominal. A projeção também considera uma distribuição elevada de dividendos pela Caixa Geral de Depósitos e receitas com a venda de imóveis do parque público.
O resultado estimado para 2026 é inferior ao excedente de 0,7% do PIB registrado em 2025. Caso o custo da redução do IRS se reflita integralmente neste ano, o saldo positivo pode cair para 0,1% do PIB, conforme a avaliação apresentada na fonte.
Menor efeito do PRR pesa em 2027
Para 2027, o CFP estima desaceleração do crescimento real para 1,8%, com menor contribuição do PRR. Sem novas medidas, a entidade prevê a volta do défice, em cenário de riscos predominantemente negativos.
Dados para as contas públicas e a economia de Portugal.
- 0,2% do PIBExcedente em 2026Estimativa para este ano
- 2,2%Crescimento em 2026Revisão acima da previsão de abril
- 1,8%Crescimento em 2027Com menor contributo do PRR
- 400 milhões de eurosImpacto do IRSEstimativa do governo
A deterioração das contas, segundo o órgão, deve decorrer de menor receita de IRS e IRC, queda de outras receitas correntes e aumento dos gastos com juros. O CFP cita ainda a normalização dos reembolsos e das cobranças do IRS, a redução gradual da taxa de IRC e a expectativa de dividendos menores da Caixa Geral de Depósitos.
O governo português trabalha com a meta de manter um pequeno excedente no Orçamento do Estado de 2027, entre 0,2% e 0,5%, projeção diferente da apresentada pelo CFP.
Com informações de dn.pt.
Foto de capa: Lacobrigo/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

