Para fazer turismo em Madrid, reserve pelo menos três dias: um para o Museu do Prado e o eixo de museus do Paseo del Prado, um para o centro histórico (Palácio Real, Plaza Mayor e Puerta del Sol) e um para o Parque do Retiro e os bairros de tapas, como La Latina e Malasaña. A primavera e o outono têm o clima mais agradável.
O que ver em Madrid
Prado, Reina Sofía e Thyssen
Os três grandes museus da cidade ficam a poucos minutos a pé um do outro, no trecho conhecido como Paseo del Arte. O Prado reúne a principal coleção de pintura espanhola, com Velázquez, Goya e El Greco, além de mestres italianos e flamengos; “As Meninas”, de Velázquez, é a obra mais procurada. O Reina Sofía é o museu de arte moderna e contemporânea e guarda o “Guernica”, de Picasso. O Thyssen-Bornemisza nasceu de uma coleção particular e percorre vários séculos, dos primitivos italianos à arte do século 20.
Escolha um ou dois museus por dia, porque o cansaço chega rápido. Compre o ingresso pelo site oficial para evitar fila e confira os horários de entrada gratuita: o Prado e o Reina Sofía liberam a visita nas últimas horas do dia, e o Thyssen abre a coleção permanente sem custo às segundas-feiras. Nesses horários a fila costuma ser longa, e as regras mudam de tempos em tempos, então consulte os sites oficiais. O Reina Sofía fecha às terças.
Palácio Real, Plaza Mayor e Puerta del Sol
O Palácio Real é a residência oficial da família real espanhola, embora ela não more ali: o prédio é usado em cerimônias de Estado e pode ser visitado quando não há eventos oficiais. Ao lado ficam a Catedral de la Almudena e os jardins de Sabatini e do Campo del Moro. Dali, siga a pé pela Calle Mayor até a Plaza Mayor, praça retangular do século 17 cercada de arcadas, e depois até a Puerta del Sol, onde uma placa no chão marca o quilômetro zero das estradas espanholas e fica a estátua do urso com o medronheiro, símbolo da cidade.
A poucos passos da Sol começa a Gran Vía, avenida aberta no começo do século 20, com teatros, lojas e prédios imponentes. No fim da tarde, vale caminhar até o Templo de Debod, um templo egípcio antigo doado pelo Egito à Espanha e remontado num parque perto da Plaza de España. É um dos pontos mais procurados para ver o pôr do sol.
Parque do Retiro

O antigo jardim da realeza virou parque público no século 19 e, junto com o Paseo del Prado, entrou na lista de Patrimônio Mundial da Unesco em 2021. Os pontos mais conhecidos são o lago grande, onde dá para alugar barco a remo, o monumento a Alfonso XII, o Palacio de Cristal, um pavilhão de ferro e vidro que recebe exposições do Reina Sofía, e o roseiral, mais bonito entre maio e junho. Os jardins de Cecilio Rodríguez, num canto mais tranquilo, têm pavões soltos. Dá para combinar o Retiro com o Prado no mesmo dia, porque um fica logo atrás do outro.
El Rastro e os mercados

O Rastro é a feira de rua mais famosa de Madrid. Acontece aos domingos e feriados de manhã, em La Latina, com a rua Ribera de Curtidores como eixo, e vende de roupa e artesanato a antiguidades. Fica muito cheio, então cuide da bolsa. Depois da feira, os moradores costumam tomar um vermute nos bares da região.
O Mercado de San Miguel, ao lado da Plaza Mayor, tem uma bela estrutura de ferro, mas hoje funciona como um salão de degustação, mais caro e voltado ao turista. Para ver mercados de bairro, onde os moradores fazem compras e há balcões para comer, experimente o de San Antón, em Chueca, o de Antón Martín, perto do Barrio de las Letras, ou o de La Paz, no bairro de Salamanca.
Bairros para explorar e onde comer
Parte da graça de uma viagem a Madrid está em escolher um bairro e passar a tarde e a noite nele:
- La Latina: ruas antigas e a Cava Baja, cheia de bares de tapas. É o lugar clássico para tapear, especialmente no domingo.
- Barrio de las Letras (Huertas): onde viveram escritores como Cervantes e Lope de Vega; há trechos de obras literárias gravados no chão da Calle Huertas. Fica entre a Sol e o Prado.
- Malasaña: clima jovem e alternativo, brechós, cafés e bares. Foi um dos centros da Movida Madrileña nos anos 1980.
- Chueca: o bairro LGBTQIA+ da cidade, com restaurantes, lojas e vida noturna animada.
- Lavapiés: o mais multicultural do centro, com restaurantes de várias partes do mundo, preços mais baixos e muita arte urbana nas paredes.
- Salamanca: elegante e mais silencioso, com as lojas de grife da Calle Serrano.

O que provar
- Bocadillo de calamares: pão com anéis de lula empanados, vendido nos bares em volta da Plaza Mayor.
- Cocido madrileño: cozido de grão-de-bico, carnes, embutidos e legumes, prato de inverno servido em etapas, primeiro o caldo e depois o resto.
- Huevos rotos: ovos fritos sobre batatas fritas, muitas vezes com presunto ou chouriço.
- Tortilla de patatas: a omelete grossa de batata, presente em quase todo bar.
- Churros con chocolate: churros sem recheio para molhar num chocolate quente espesso, comuns no café da manhã e no fim da noite.
Os horários são diferentes dos brasileiros: o almoço vai mais ou menos das 14h às 16h, e o jantar raramente começa antes das 21h. Nos dias úteis, muitos restaurantes servem no almoço o menú del día, com entrada, prato principal e sobremesa ou bebida por um preço fixo, a forma mais econômica de comer bem. Em alguns bares tradicionais a bebida vem com um petisco pequeno de cortesia, mas isso não é regra em Madrid.
Roteiro de três dias
- Dia 1: Palácio Real e Almudena pela manhã, Plaza Mayor e Puerta del Sol à tarde, caminhada pela Gran Vía e pôr do sol no Templo de Debod.
- Dia 2: Prado pela manhã, Parque do Retiro à tarde e jantar no Barrio de las Letras.
- Dia 3: Reina Sofía ou Thyssen, almoço em um mercado de bairro e fim de tarde de tapas em La Latina ou Lavapiés. Se cair num domingo, comece pelo Rastro.
Com quatro ou cinco dias, dá para incluir um ou dois bate-voltas sem correria.
Bate-voltas a partir de Madrid
- Toledo: cidade medieval sobre um morro contornado pelo rio Tejo, com catedral gótica e marcas da convivência entre cristãos, judeus e muçulmanos. O trem rápido sai da estação de Atocha e leva cerca de meia hora.
- Segóvia: conhecida pelo aqueduto romano, pelo Alcázar e pelo leitão assado. O trem rápido sai de Chamartín e também leva por volta de meia hora, mas a estação fica fora do centro, e é preciso pegar um ônibus até o aqueduto.
- San Lorenzo de El Escorial: o mosteiro e palácio mandado construir por Filipe II, a cerca de uma hora de trem regional ou de ônibus.
- Ávila: cercada por muralhas medievais quase completas, que podem ser percorridas em alguns trechos.
Com mais tempo, dá para descer até a Andaluzia e atravessar o Estreito de Gibraltar de barco. Se essa for a ideia, leia as dicas para uma primeira viagem ao Marrocos antes de fechar o roteiro.
Melhor época para ir
Madrid tem clima continental, seco e com diferenças fortes entre as estações. A primavera (abril a junho) e o outono (setembro e outubro) trazem as temperaturas mais agradáveis para andar a pé o dia todo. Em maio acontecem as festas de San Isidro, padroeiro da cidade, com programação ao ar livre em praças e parques.
O verão é muito quente, e em julho e agosto as máximas passam com frequência dos 35 °C. Nesses meses, deixe os museus para as horas de sol forte e os passeios ao ar livre para o fim da tarde. Em agosto, alguns restaurantes e comércios familiares fecham para férias. O inverno é frio e seco, com muitos dias de céu azul, e dezembro traz as luzes de Natal e a feira natalina da Plaza Mayor. Se quiser somar praia a uma viagem de verão pela Europa, os destinos menos óbvios da Grécia são uma opção para a segunda parte do roteiro.
Como chegar e circular
O Aeroporto Adolfo Suárez Madrid-Barajas recebe voos diretos de São Paulo e de boa parte da Europa. Para ir ao centro, há quatro caminhos principais: a linha 8 do metrô, que cobra um suplemento na saída do aeroporto; o ônibus Exprés Aeropuerto, que funciona 24 horas e vai até Atocha (de madrugada, só até Cibeles); o trem de subúrbio (Cercanías), que sai do Terminal 4; e o táxi, com tarifa fixa entre o aeroporto e o centro.
Na cidade, o metrô chega a praticamente todos os pontos turísticos. As passagens avulsas e de dez viagens são carregadas no cartão Multi, vendido nas máquinas das estações, e existe um passe turístico de um a sete dias que compensa para quem vai usar muito o transporte. O centro é compacto: entre a Sol, a Plaza Mayor, o Palácio Real e o Prado, quase tudo se faz a pé.
Onde ficar
- Sol e arredores: o mais central, bom para quem quer fazer tudo a pé; pode ser barulhento.
- Barrio de las Letras: perto dos museus e cheio de bares, sem o movimento intenso da Sol.
- Malasaña e Chueca: para quem quer vida noturna perto do hotel.
- Salamanca: mais tranquilo e elegante, bem servido de metrô.
- Arredores de Atocha: prático para quem vai fazer bate-voltas de trem.
Dicas práticas
- Entrada no país: brasileiros não precisam de visto para ficar como turistas até 90 dias a cada período de 180 dias no espaço Schengen. A imigração pode pedir comprovante de hospedagem, passagem de volta, dinheiro suficiente para a estadia e seguro-viagem, então leve tudo fácil de mostrar. A União Europeia prevê exigir uma autorização eletrônica prévia, o ETIAS; confira no site oficial se ela já vale na data da sua viagem.
- Segurança: Madrid é tranquila para andar, inclusive à noite, mas há batedores de carteira na Puerta del Sol, na Gran Vía, no metrô e no Rastro.
- Gorjeta: não é obrigatória. Arredondar a conta ou deixar algumas moedas por um bom atendimento basta.
- Água: a água da torneira de Madrid é potável e de boa qualidade, então dá para encher a garrafinha no hotel.
- Língua: fala-se espanhol. Nos lugares turísticos muita gente se vira em inglês, e quem fala português costuma ser entendido com um pouco de paciência.
Monte o roteiro de Madrid a partir dos museus, que pedem ingresso comprado antes e energia, e deixe as tardes para o Retiro e os bairros. Adapte-se ao horário espanhol das refeições e reserve pelo menos um dia para Toledo ou Segóvia: a viagem fica mais completa sem ficar corrida.
Foto de capa: Tim Adams/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

