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Sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Diversos

Capacitor para partida do motor: função, defeitos e como trocar

O capacitor de partida dá a força inicial para o motor monofásico arrancar e sai do circuito em segundos. Veja como ele funciona, os sinais de defeito, como testar com segurança e como escolher e trocar a peça.

Tiago da Silva CândidoPorTiago da Silva Cândido Atualizado em 8 min de leitura
Capacitor de Partida: O Segredo para Motores Que Não Ligam
Capacitor de Partida: O Segredo para Motores Que Não Ligam
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O capacitor de partida é um capacitor eletrolítico que dá o impulso inicial a motores monofásicos, como os de compressores de ar e bombas d’água, e sai do circuito em poucos segundos, desligado por uma chave centrífuga ou por um relé. Quando ele falha, o motor zumbe e não gira, e a troca por uma peça com a mesma faixa de microfarads (µF) e tensão igual ou maior costuma resolver.

Como o capacitor de partida funciona

Um motor de indução monofásico, só com o enrolamento principal, não tem força para começar a girar: o campo magnético apenas pulsa e o rotor fica parado, zumbindo. Por isso ele tem um segundo enrolamento, o auxiliar, ligado em série com o capacitor. O capacitor adianta a corrente desse enrolamento em relação à do principal, e essa defasagem cria um campo girante que arranca o rotor com força.

Quando o motor chega a cerca de 70% a 80% da rotação normal, uma chave centrífuga desliga o capacitor. Ela é formada pelo centrífugo, preso ao eixo, e pelo platinado, o conjunto de contatos que abre o circuito; alguns motores usam um relé ou uma chave de partida eletrônica no lugar. Dali em diante, o motor segue girando com o enrolamento principal.

Tudo leva poucos segundos, e a peça foi feita para esse trabalho curto. Se ficar no circuito além da conta, esquenta, estufa e pode estourar.

Em que equipamentos ele aparece

Esse tipo de partida costuma aparecer em equipamentos que precisam de muita força para sair da inércia ou já arrancam com carga, como compressores de ar, bombas d’água, betoneiras e máquinas de marcenaria. Ventiladores e muitas lavadoras costumam usar capacitor permanente, que dá menos força na partida. Há ainda motores com os dois: um para arrancar e outro para manter o funcionamento.

Partida ou permanente: como diferenciar os dois capacitores

O capacitor permanente, também chamado de capacitor de marcha ou de trabalho, fica ligado o tempo todo e deixa o funcionamento do motor mais estável e eficiente. Os dois não são intercambiáveis e se diferenciam assim:

CaracterísticaCapacitor de partidaCapacitor permanente
Quanto tempo fica ligadoSó nos primeiros segundosO tempo todo, com o motor funcionando
ConstruçãoEletrolítico não polarizadoFilme de polipropileno
CapacitânciaAlta, indicada em faixa (ex.: 216-259 µF)Mais baixa, com valor único e tolerância (ex.: 25 µF ±5%)
Tensão mais comum110 V ou 220 V (125 V ou 250 V em muitas peças importadas)De 250 V a 450 V
AparênciaCilindro de plástico, geralmente pretoCilindro ou caixinha de plástico, ou lata de alumínio
Código em peças importadasCD60CBB60, CBB61 ou CBB65

O de partida, colocado no lugar do permanente, fica ligado sem parar e queima logo. Já o permanente, no lugar do de partida, quase sempre tem capacitância baixa demais para arrancar o motor. O vídeo do canal Ser Eletricista mostra, na peça, como reconhecer cada tipo:

Sinais de que o capacitor está com defeito

  • O motor zumbe (ronca), mas o eixo não gira ou gira muito devagar.
  • A partida ficou lenta ou falha quando o equipamento está com carga.
  • O motor só pega no tranco, quando alguém gira o eixo. Isso aponta defeito no circuito de partida, mas não use como solução: é perigoso.
  • O protetor térmico desarma ou o disjuntor cai logo depois de ligar.
  • A peça está estufada, rachada, vazando, com a tampa de cima aberta ou com cheiro de queimado.

Os mesmos sintomas aparecem com platinado sujo ou gasto, relé de partida com defeito, enrolamento auxiliar queimado, rolamento travado, tensão baixa ou carga presa. Por isso, teste o capacitor antes de comprar outro.

Como testar o capacitor com segurança

Você vai precisar de um multímetro com função de capacitância (ou um capacímetro), um alicate isolado e um resistor para descarga. Sem prática com eletricidade, chame um eletricista ou leve a peça a uma oficina de motores elétricos.

  1. Desligue o equipamento da tomada ou do disjuntor e confirme que está sem energia.
  2. Retire a capa do capacitor, geralmente presa à carcaça do motor, e fotografe as ligações.
  3. Descarregue o capacitor, que pode guardar carga mesmo com o motor desligado: com o alicate isolado, encoste um resistor de uns 20 kΩ e 5 W nos dois terminais por alguns segundos. Evite fechar curto com chave de fenda, porque a faísca danifica os terminais.
  4. Solte os fios e examine a peça. Se estiver estufada, rachada, vazando ou com a tampa aberta, troque sem medir.
  5. Com o multímetro na função capacitância, numa escala acima do valor impresso, encoste as pontas nos terminais. A leitura precisa cair dentro da faixa da etiqueta: um capacitor de 216-259 µF que mede 150 µF, por exemplo, perdeu capacitância. Leitura zero ou instável também indica defeito.

Sem essa função, o multímetro na escala de resistência dá só uma pista: a leitura deve começar baixa e subir aos poucos enquanto o capacitor carrega. Se fica perto de zero, há curto; se começa no infinito e não varia, a peça está aberta. E nunca teste o capacitor ligando-o direto na tomada: é perigoso e não mostra nada.

Como escolher o capacitor substituto

A referência é sempre a etiqueta da peça antiga. Confira estes pontos:

  • Capacitância: a mesma faixa do original, em µF. Em peças importadas, a unidade pode aparecer como MFD, que é a mesma coisa. Com valor abaixo, a partida fica fraca.
  • Tensão: igual ou maior que a do original, nunca menor. Um capacitor de 220 V substitui um de 110 V com a mesma capacitância; o contrário, não. Em motores bivolt, é comum o capacitor ser de 110 V mesmo com o motor ligado em 220 V, porque o circuito auxiliar fica ligado em metade do enrolamento principal. Siga o capacitor original, e não só a tensão da tomada.
  • Frequência: 60 Hz, a da rede brasileira. A maioria das peças vem marcada 50/60 Hz.
  • Tamanho e terminais: a peça nova precisa caber na capa e ter o mesmo tipo de terminal.
  • Tipo certo: eletrolítico próprio para partida de motor, em corrente alternada. Os eletrolíticos de placa eletrônica são polarizados, feitos para corrente contínua, e não servem.

Na etiqueta, tudo isso aparece resumido. Um Capacitor de Partida Brasiltec de 324-389 µF, 110 VCA e 50/60 Hz tem capacitância entre 324 e 389 µF, tensão nominal de 110 V em corrente alternada e serve para redes de 50 ou 60 Hz. Na descrição de um Capacitor Eletrolítico de Partida JL 270/324uF 220V, a barra separa o mínimo e o máximo da faixa, e 220 V é a tensão da peça.

Casas de material elétrico, oficinas de rebobinamento e lojas de componentes eletrônicos costumam ter os valores mais comuns. Leve a peça antiga ou uma foto nítida da etiqueta para conferir no balcão.

Passo a passo para trocar o capacitor

  1. Com o equipamento sem energia, descarregue o capacitor antigo como no teste e fotografe as ligações.
  2. Confira se a peça nova tem a mesma faixa de µF, tensão igual ou maior e a frequência certa.
  3. Passe os fios do antigo para os terminais do novo. Esse tipo de capacitor não tem polaridade, então tanto faz qual fio vai em cada terminal.
  4. Isole bem as conexões e acomode a peça na capa sem prensar fios. Terminal encostado na carcaça causa curto.
  5. Feche a capa, religue e observe: o motor deve ganhar velocidade em poucos segundos, sem ficar zumbindo.

Se o motor continuar sem força com a peça nova, o defeito está em outro ponto do circuito de partida, como a chave centrífuga, o relé ou o enrolamento auxiliar. Nesse caso, procure uma oficina de motores elétricos.

Por que o capacitor queima antes da hora

O inimigo desse capacitor é o calor. As causas mais comuns de queima são:

  • Chave centrífuga ou relé que não desliga: com o platinado colado ou o relé travado, o capacitor fica ligado direto e estufa. É a causa típica de peça nova que queima em poucos dias.
  • Partidas demais: cada arranque aquece a peça, que precisa de tempo para esfriar. Em compressores de ar, confira a regulagem do pressostato do compressor: com o diferencial muito curto, o motor liga e desliga várias vezes por hora.
  • Partida demorada: tensão baixa, extensão longa e fina, rolamento pesado ou carga presa deixam o capacitor mais tempo no circuito.
  • Peça errada: capacitância fora da faixa ou tensão menor que a do original.
  • Ambiente: calor, umidade e capa mal fechada encurtam a vida útil.

Na partida, o motor puxa uma corrente várias vezes maior que a de funcionamento. Se o disjuntor cai nessa hora ou a tomada esquenta, veja se o circuito aguenta o equipamento; o texto sobre a tomada de 20 ampères explica esse limite.

Perguntas frequentes

O motor funciona sem o capacitor de partida?

Não parte sozinho. Sem o capacitor, o enrolamento principal recebe energia, mas falta força de partida: o motor fica zumbindo, puxa corrente alta e esquenta rápido. Desligue o equipamento se isso acontecer.

Posso usar um capacitor com mais microfarads?

O ideal é repetir a faixa do original. Um valor um pouco acima pode funcionar, mas o enrolamento auxiliar recebe mais corrente e esquenta mais a cada partida. Se a faixa exata estiver em falta, peça à loja ou à oficina o substituto mais próximo para aquele motor.

Como descobrir o valor se a etiqueta apagou?

Consulte a placa do motor (alguns modelos trazem o valor do capacitor), o manual ou o fabricante, com modelo e potência em mãos. Não existe conta simples e confiável para fazer em casa, porque o valor depende do projeto do enrolamento. Uma oficina de rebobinamento consegue indicar a peça certa.

Geladeira e ar-condicionado usam capacitor de partida?

Nem sempre. No ar-condicionado, o comum é o capacitor permanente, muitas vezes duplo, para compressor e ventilador, às vezes com um kit de partida extra. Na geladeira, o compressor costuma partir com um relé, e só alguns modelos têm esse capacitor. Nesses aparelhos, chame um técnico de refrigeração.

Motor que zumbe e não gira pede, primeiro, um teste do capacitor. Se a peça estiver ruim, troque por outra com a mesma faixa de µF e tensão igual ou maior; se o defeito voltar, leve o motor a uma oficina para checar chave centrífuga, relé e enrolamentos.

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