Trabalho de Mauro Xavier para um programa de Harvard propõe ampliar receitas comerciais e de dias de jogo do clube português.
Um plano elaborado pelo gestor e consultor Mauro Xavier para o Benfica projeta elevar as receitas anuais do clube de 283,4 milhões de euros, registrados na temporada 2024/25, para uma faixa recorrente entre 450 milhões e 550 milhões de euros. O estudo foi apresentado como trabalho final do Advanced Management Program da Universidade Harvard.
A proposta busca reduzir a dependência de receitas ligadas a direitos de transmissão e ao desempenho em competições europeias, que, segundo Xavier, são instáveis de uma temporada para outra. Na temporada usada como referência, a parcela de broadcasting representou mais de metade do faturamento do Benfica.
Receita menos dependente do campo
O trabalho parte da posição do Benfica entre os clubes de maior receita em 2024/25. O clube português ficou em 19º lugar, impulsionado, entre outros fatores, pela participação no Mundial de Clubes e pelo desempenho na Liga dos Campeões, segundo o estudo.
Dados do estudo de Mauro Xavier para o Benfica
- 283,4 milhões de eurosReceita em 2024/25temporada de referência
- 450 milhões a 550 milhões de eurosMeta recorrentefaixa anual projetada
- 19ºRanking de receitasposição do Benfica
- mais de 50%Broadcastingda receita de referência
Para Xavier, esses resultados não constituem uma base previsível de crescimento, pois dependem de classificações e campanhas esportivas. Ele também aponta que a centralização em curso dos direitos internos de televisão limita a perspectiva de aumento dessa fonte de recursos.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Receitas do Benfica em 2024/25 | 283,4 milhões de euros |
| Meta de receitas recorrentes | 450 milhões a 550 milhões de euros |
| Posição no ranking de receitas | 19º |
Estádio, torcedores e parceiros
A estratégia apresentada propõe reforçar as receitas comerciais e as associadas aos jogos. Entre as sugestões estão uma cobertura removível para o Estádio da Luz, dentro do projeto Benfica District, e um sistema de proteção do gramado para permitir concertos e outros eventos.
Segundo os cálculos de Xavier, essas iniciativas poderiam gerar dezenas de milhões de euros por ano. O projeto também prevê uma plataforma unificada para os torcedores, que poderia ser explorada comercialmente, e uma mudança na relação com patrocinadores, que passariam a atuar sobretudo como parceiros.
Outra proposta é o Benfica comprar as ações que ainda não possui, deixar a bolsa e abrir o capital a três parceiros de longo prazo. Cada um deles ficaria ligado a uma das áreas de receita do clube, de acordo com o plano.
Avaliação do projeto em Harvard
Krishna Palepu, professor da Harvard Business School e mentor de Xavier no projeto, afirmou ao ECO que o estudo analisou o futebol europeu e encontrou formas criativas de fortalecer um clube competitivo em um mercado menor que os cinco principais do continente.
A lógica do modelo, segundo Xavier, é que cada investimento crie receita recorrente, preserve ou reforce a identidade do Benfica e contribua, no longo prazo, para o desempenho esportivo. A meta declarada é aproximar o clube do grupo dos dez maiores em receita no futebol europeu.
O que prevê o plano
- Reduzir a exposição às receitas de transmissão e competições europeias.
- Ampliar a exploração comercial do Estádio da Luz.
- Criar uma plataforma integrada de relacionamento com torcedores.
- Atrair três parceiros de longo prazo para áreas de receita do clube.
Com informações de eco.sapo.pt.
Foto de capa: Massimo Catarinella/Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

