O turismo em São Petersburgo gira em torno de três coisas: o Museu Hermitage, os palácios dos czares e a paisagem de rios e canais. Brasileiros não precisam de visto para ficar até 90 dias, a melhor época vai do fim de maio a agosto, com as Noites Brancas, e quatro dias cobrem o principal. O cuidado maior é com dinheiro, porque cartões emitidos no Brasil não funcionam na Rússia.
Por que São Petersburgo vale a viagem
Fundada por Pedro, o Grande, em 1703, a cidade foi a capital do Império Russo por cerca de dois séculos e concentra o conjunto de palácios, catedrais e museus mais rico do país. O centro histórico é Patrimônio Mundial da Unesco e, por causa dos canais e das dezenas de ilhas no delta do rio Neva, ganhou o apelido de “Veneza do Norte”.
No século 20, passou a se chamar Petrogrado, em 1914, e Leningrado, em 1924, até recuperar o nome original em 1991. Essa história aparece em todo canto, das fachadas imperiais da Avenida Nevsky às estações de metrô da era soviética.
O que ver na cidade
Hermitage e Palácio de Inverno

O Hermitage ocupa o antigo Palácio de Inverno, residência oficial dos czares, e prédios vizinhos às margens do Neva. O acervo vai da arte egípcia e greco-romana a Rembrandt e Leonardo da Vinci, passando pelos salões dos próprios aposentos imperiais. Os impressionistas e modernos, como Monet, Matisse e Picasso, ficam no Edifício do Estado-Maior, do outro lado da Praça do Palácio, e muita gente deixa de ir até lá.
Reserve um dia inteiro, compre o ingresso online com antecedência e escolha antes as alas que quer ver, porque não dá para percorrer tudo numa visita. O museu costuma fechar um dia por semana; confira o calendário antes de montar o roteiro.
Igreja do Salvador sobre o Sangue Derramado

Com cúpulas coloridas no estilo das igrejas russas antigas, foi construída à beira do canal Griboiedov, no lugar onde o czar Alexandre II foi mortalmente ferido em 1881. Por dentro, paredes e tetos são quase inteiramente cobertos de mosaicos. É isso que justifica pagar a entrada, e não só tirar a foto da fachada.
Catedral de Santo Isaac
A cúpula dourada domina o horizonte do centro. O interior tem colunas de malaquita e lápis-lazúli no altar, e a subida à colunata que contorna a cúpula oferece uma das melhores vistas da cidade, com os telhados, o Neva e a torre da Fortaleza de Pedro e Paulo ao fundo.
Fortaleza de Pedro e Paulo
Fica na pequena Ilha Zayachy, e foi ali que a cidade começou, em 1703. Dentro dos muros está a Catedral de Pedro e Paulo, de torre dourada e fina, onde estão sepultados quase todos os imperadores russos desde Pedro, o Grande. Em dias de sol, a faixa de areia junto às muralhas vira ponto de encontro dos moradores.
Avenida Nevsky
A principal avenida corta o centro por cerca de 4,5 km, do Almirantado ao Mosteiro de Alexandre Nevsky. No caminho ficam a Catedral de Nossa Senhora de Kazan, a antiga Casa Singer, hoje uma livraria com café, e a galeria comercial Gostiny Dvor. Percorra ao menos um trecho a pé e desvie pelas pontes dos canais que ela cruza.
Passeio de barco
Os barcos saem de vários pontos do centro, nos cais do Neva e dos canais Moika e Fontanka. O passeio mostra fachadas que não se veem da rua e ajuda a entender o desenho da cidade. No verão, há saídas noturnas para acompanhar a abertura das pontes sobre o Neva.
Peterhof e Tsarskoye Selo
Os dois palácios de verão ficam fora da cidade e pedem meio dia a um dia cada. Peterhof, à beira do Golfo da Finlândia, é conhecido pelos jardins com fontes e cascatas douradas, que funcionam só na temporada mais quente; no verão, dá para chegar de hidrofólio saindo do centro. Em Tsarskoye Selo, na cidade de Pushkin, fica o Palácio de Catarina, com a Sala de Âmbar, saqueada na Segunda Guerra e reconstruída décadas depois.
Balé, ópera e arte russa
O Teatro Mariinsky abriga uma das companhias de balé mais conhecidas do mundo, e ver um espetáculo na cidade é um dos programas mais marcantes da viagem. Para arte russa, o Museu Russo reúne de ícones antigos a Kandinsky e Malevich, e completa bem o que o Hermitage não cobre.
Melhor época para ir
O clima e a luz mudam muito ao longo do ano, e isso define o tipo de viagem.
| Período | Como é | Bom para |
|---|---|---|
| Fim de maio a meados de julho | Noites Brancas: o céu quase não escurece, cidade cheia e hospedagem mais cara | Quem quer passeios até tarde e eventos ao ar livre |
| Julho e agosto | Verão ameno, fontes de Peterhof funcionando e muitas saídas de barco | Primeira viagem e quem vai com crianças |
| Setembro e começo de outubro | Menos gente, parques amarelados e frio moderado | Quem prefere museus mais vazios |
| Novembro a março | Frio intenso, neve, rio congelado no auge do inverno e dias curtos, com cerca de seis horas de luz em dezembro | Quem quer ver a cidade no inverno e pagar menos |
No fim de junho, o festival Velas Escarlates, que celebra os formandos do ensino médio, leva um veleiro de velas vermelhas ao Neva e lota a margem do rio. Se a data coincidir com a sua viagem, reserve a hospedagem bem antes.
Documentos, dinheiro e segurança

- Entrada sem visto: brasileiros com passaporte comum podem ficar até 90 dias a cada período de 180 dias como turistas, por um acordo bilateral em vigor desde 2010. Confira a validade exigida do passaporte antes de embarcar e guarde os documentos que receber na imigração até a saída.
- Registro de migração: o hotel faz o registro do hóspede. Em apartamento alugado, combine com o anfitrião como isso será resolvido.
- Dinheiro: a moeda é o rublo. Desde 2022, cartões de bandeiras como Visa e Mastercard emitidos fora da Rússia não funcionam no país, então a maioria dos turistas leva dólar ou euro em espécie e troca lá, em bancos ou casas de câmbio. Valores altos em espécie precisam ser declarados na alfândega.
- Seguro-viagem: contrate um que cubra a Rússia expressamente, porque algumas apólices excluem o país.
- Cenário atual: com a guerra na Ucrânia e as sanções, mudaram voos, pagamentos e o acesso a alguns aplicativos e redes sociais. Antes de comprar a passagem, consulte as orientações do Itamaraty para quem viaja à Rússia.
Boa parte dos cuidados é a mesma de qualquer destino distante, como deixar cópias dos documentos na nuvem e checar reservas com calma. Este guia com os erros mais comuns em viagens para Nova York serve de checklist também aqui.
Como chegar e circular
Não há voo direto do Brasil. A chegada é pelo Aeroporto de Pulkovo, em geral com conexão em cidades como Istambul ou Dubai, já que as companhias europeias deixaram de voar para a Rússia. Outra opção é chegar por Moscou e seguir no trem rápido Sapsan, que faz o trajeto em cerca de quatro horas.
Na cidade, o metrô é o meio mais prático. É um dos mais profundos do mundo, e algumas estações, como Avtovo e Kirovsky Zavod, valem a visita pela decoração. Ônibus e bondes completam a rede, e os táxis costumam ser chamados por aplicativos locais, como o Yandex Go.
Um detalhe que pega muita gente: entre a primavera e o outono, as pontes sobre o Neva se abrem de madrugada para a passagem de navios e ficam levantadas por algumas horas. Como o metrô também não funciona nesse horário, quem se hospeda do outro lado do rio precisa planejar a volta.
Onde ficar
- Centro histórico, entre a Nevsky, o Hermitage e os canais: dá para fazer quase tudo a pé.
- Arredores da Praça Vosstaniya: prático para quem chega de trem de Moscou e ainda fica na Nevsky.
- Ilha Vasilievsky e lado Petrogradsky: bairros mais tranquilos e com boa oferta de apartamentos, mas atenção ao horário das pontes.
O que comer
- Blini: panquecas finas com creme azedo, peixe defumado, caviar ou geleia.
- Pelmeni: pequenos pasteizinhos cozidos, recheados de carne, servidos com manteiga ou creme azedo.
- Borsch: sopa de beterraba, quase sempre com creme azedo e pão preto.
- Bef Stroganov: o estrogonofe original, com molho de creme azedo e sem ketchup, servido com batata.
- Pychki: rosquinhas fritas polvilhadas com açúcar, um lanche clássico da cidade.
- Syrniki: bolinhos de queijo fresco dourados na frigideira, comuns no café da manhã.
Roteiro sugerido de quatro dias
- Dia 1: Praça do Palácio, Hermitage e, no fim da tarde, o Edifício do Estado-Maior.
- Dia 2: Avenida Nevsky, Catedral de Kazan, Igreja do Sangue Derramado, colunata de Santo Isaac e passeio de barco à tarde.
- Dia 3: Peterhof pela manhã, volta no meio da tarde e balé ou ópera à noite.
- Dia 4: Fortaleza de Pedro e Paulo e Museu Russo. Com um quinto dia, inclua Tsarskoye Selo.
Se você gosta de viagens longas para destinos com cultura bem diferente da brasileira, o guia de viagem para Xangai e as dicas para a primeira viagem ao Vietnã seguem a mesma linha de planejamento.
Dúvidas frequentes
Preciso falar russo?
Não, mas o inglês é limitado fora de hotéis e atrações grandes. Aprender o alfabeto cirílico básico ajuda a ler placas e cardápios, e vale baixar um tradutor que funcione offline.
Qual é o tipo de tomada?
A voltagem é 220 V, com tomadas dos tipos C e F, de pinos redondos. Leve um adaptador.
Posso beber água da torneira?
A recomendação comum para turistas é não beber a água da torneira sem ferver ou filtrar. Água engarrafada é fácil de encontrar.
Para aproveitar São Petersburgo, defina primeiro a época, resolva dinheiro e seguro antes de sair do Brasil e compre com antecedência os ingressos do Hermitage e do balé. Com isso encaminhado, sobra tempo para o que a cidade tem de melhor: caminhar sem pressa entre os canais.
Foto de capa: Florstein (Telegram:WikiPhoto.Space)/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

