O turismo em Macau vai bem além dos cassinos. A antiga cidade de administração portuguesa, hoje região administrativa especial da China, fica a cerca de uma hora de ferry de Hong Kong e cabe em dois ou três dias: centro histórico reconhecido pela Unesco, templos chineses, as vilas da Taipa e de Coloane e a cozinha macaense. A melhor época vai de outubro a dezembro.
Este guia fala de Macau, na China. A cidade de Macau no litoral do Rio Grande do Norte, conhecida pelas salinas, é outro destino, com outra lógica de viagem.
Macau em poucas palavras
Os portugueses se estabeleceram em Macau no século 16, e o território passou à soberania chinesa em 1999. O resultado aparece em toda parte: placas de rua em português e chinês, igrejas barrocas perto de templos taoístas e budistas, calçadas de pedra portuguesa e uma culinária que mistura as duas tradições. O português continua sendo língua oficial, mas no dia a dia se fala cantonês.
O território tem três partes. A península concentra o centro histórico, a Torre de Macau e os bairros mais antigos. A Taipa guarda uma vila antiga e o aeroporto. Coloane, mais ao sul, é a área mais verde e tranquila. Entre as duas ilhas fica o Cotai, um aterro onde estão os grandes resorts com cassino, shoppings e espetáculos.
Centro histórico: o que ver a pé
O Centro Histórico de Macau é Patrimônio Mundial da Unesco desde 2005 e reúne dezenas de monumentos e largos, de igrejas católicas a templos chineses. A parte principal pode ser percorrida a pé em um dia, começando cedo.
Largo do Senado e arredores

O Largo do Senado, com o piso de ondas em pedra portuguesa e prédios coloniais em tons pastel, é o ponto de partida mais comum. Fica cheio a partir do fim da manhã, então chegue cedo se quiser fotos sem multidão. Dali, em poucos minutos a pé, estão o Edifício do Leal Senado, a Santa Casa da Misericórdia, a Igreja de São Domingos e a Casa de Lou Kau, mansão de um comerciante chinês do século 19.
Ruínas de São Paulo e Fortaleza do Monte

Subindo por ruelas com lojas de biscoitos e carne seca, chega-se às Ruínas de São Paulo, a fachada de pedra que restou da Igreja da Madre de Deus, destruída por um incêndio em 1835. É o cartão-postal de Macau e costuma ter artistas de rua e muita gente tirando foto. Ao lado, a Fortaleza do Monte abriga o Museu de Macau, bom lugar para entender a história do território, e tem vista ampla da cidade.
Templo de A-Má e o Largo do Lilau

No extremo sul da península, o Templo de A-Má é dedicado à deusa protetora dos pescadores e navegantes e é anterior à chegada dos portugueses. Uma explicação comum para o nome da cidade vem daí: A-Má-Gau, a baía de A-Má. O templo tem pavilhões em diferentes níveis da encosta, muita fumaça de incenso e fiéis rezando, por isso a visita pede respeito. Perto dele ficam o Largo do Lilau, uma das primeiras áreas residenciais portuguesas, e a Casa do Mandarim, grande residência chinesa tradicional aberta à visitação.
Jardim Lou Lim Ieoc e Colina da Guia

Para uma pausa, o Jardim Lou Lim Ieoc segue o estilo dos jardins chineses clássicos, com lago de carpas e flores de lótus, ponte em zigue-zague, rochas ornamentais e um pavilhão. Fica fora do eixo mais turístico e costuma ser tranquilo. Com mais tempo, suba a Colina da Guia, onde ficam a fortaleza e o Farol da Guia, que também fazem parte do conjunto reconhecido pela Unesco.
Taipa, Cotai e Coloane
Vila da Taipa

A Vila da Taipa preserva ruas estreitas, casas coloridas e templos pequenos. A Rua do Cunha é a rua dos petiscos, com biscoitos de amêndoa, pão com costeleta de porco e doces. Um pouco adiante ficam as Casas-Museu da Taipa, casarões verdes do período colonial diante de uma área alagada que antes era mar, e a Igreja de Nossa Senhora do Carmo.
Cotai
Quem quer ver o lado mais famoso de Macau encontra no Cotai os resorts gigantes, alguns com réplicas de cidades europeias, além de shoppings e shows. A entrada nos cassinos só é permitida a partir de 21 anos. Mesmo quem não joga costuma passar por ali à noite para ver os prédios iluminados.
Coloane e a Praia de Hac Sa

Coloane é o lado mais calmo do território. A vila tem a pequena Capela de São Francisco Xavier, casas baixas à beira d’água e a padaria Lord Stow’s, que popularizou em Macau a versão local do pastel de nata. A Praia de Hac Sa, cujo nome significa “areia preta” em cantonês, tem areia escura, árvores e restaurantes por perto, e Cheoc Van é outra praia pequena da ilha. Não espere mar de cartão-postal: a água do delta do Rio das Pérolas é turva, e o atrativo é mais o sossego do que o banho.
O que comer em Macau

Macau é Cidade Criativa da Gastronomia da Unesco desde 2017, e comer bem faz parte da viagem. Vale separar três tipos de experiência:
- Cozinha macaense: criada pelas famílias luso-asiáticas locais, mistura técnicas portuguesas com temperos chineses, indianos e do Sudeste Asiático. Pratos para procurar: minchi (carne moída salteada com batata em cubos, muitas vezes servida com ovo frito), galinha africana, porco balichão tamarindo e, de sobremesa, a serradura.
- Comida portuguesa: há restaurantes com bacalhau, caldo verde e arroz de marisco, uma curiosidade para quem está do outro lado do mundo.
- Petiscos de rua e padarias: pastéis de nata, biscoitos de amêndoa, pão com costeleta de porco e carne seca adocicada, vendida em lojas perto das Ruínas de São Paulo.
Do lado chinês, experimente o dim sum e os cafés tradicionais conhecidos como cha chaan teng, com chá com leite, macarrão e torradas.
Quando ir
- Outubro a dezembro: tempo mais seco e temperaturas agradáveis, a melhor época para andar a pé.
- Janeiro a março: inverno ameno, com dias frescos. No fim do período a umidade aumenta e a neblina fica comum.
- Abril a setembro: calor, umidade alta e chuvas fortes. A temporada de tufões costuma ir de maio a outubro, e em dias de alerta os ferries podem ser suspensos.
Se puder, evite o Ano-Novo Chinês e a Semana Dourada do início de outubro, quando o número de visitantes da China continental dispara e os hotéis encarecem. Em novembro acontece o Grande Prêmio de Macau, corrida em circuito de rua que também lota a cidade.
Como chegar e se locomover
Não há voo direto do Brasil. O caminho mais comum é voar para Hong Kong e seguir de ferry, em uma travessia de cerca de uma hora, ou de ônibus pela ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. Macau também tem aeroporto próprio, na Taipa, com voos para várias cidades da Ásia. Quem vem da China continental entra pela fronteira com Zhuhai, mas as regras de entrada na China são outras e precisam ser checadas à parte. Por causa da distância, muita gente encaixa Macau em uma viagem maior pela região, somando Hong Kong e países como o Vietnã, com roteiro para a primeira visita.
Dentro de Macau, o centro histórico se faz a pé. Para distâncias maiores, há ônibus urbanos baratos, táxis e o metrô leve (LRT), que liga a Taipa ao Cotai e chega à península. Alguns hotéis-cassino mantêm ônibus gratuitos entre os terminais de ferry e seus resorts, mas as linhas mudaram nos últimos anos, então confira antes de contar com eles.
Dinheiro, idioma e documentos
A moeda oficial é a pataca (MOP). O dólar de Hong Kong é aceito em quase todo lugar, mas o troco costuma vir em patacas, que não são aceitas em Hong Kong, então gaste-as antes de sair. Cartões funcionam em hotéis, restaurantes e lojas maiores; barracas e comércios pequenos podem preferir dinheiro ou pagamento por aplicativo.
O cantonês é a língua do dia a dia. Nas áreas turísticas, hotéis e restaurantes maiores atendem em inglês, e pouca gente fala português, apesar das placas bilíngues. Brasileiros não precisam de visto para visitas curtas a Macau nem a Hong Kong, mas prazos e exigências podem mudar: confira nos sites oficiais de imigração ou no Portal Consular do Itamaraty antes de viajar.
Roteiro de dois dias
- Primeiro dia, península: Largo do Senado logo cedo, Igreja de São Domingos, Ruínas de São Paulo e Fortaleza do Monte com o museu; almoço de cozinha macaense; à tarde, Templo de A-Má, Largo do Lilau e Casa do Mandarim; fim de tarde no Jardim Lou Lim Ieoc ou na Colina da Guia.
- Segundo dia, ilhas: manhã na Vila da Taipa e nas Casas-Museu; lanche na Rua do Cunha; tarde em Coloane, com a vila, o pastel de nata e a Praia de Hac Sa; à noite, uma volta pelo Cotai para ver os resorts iluminados.
Com um terceiro dia, dá para rever o centro com calma, subir a Torre de Macau ou reservar mais tempo para Hong Kong. Se a viagem pela Ásia continuar depois de Macau, o guia de viagem ao Laos e seus templos ajuda a planejar mais uma etapa.

